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Como uma diarista e um carpinteiro doaram R$ 3 milhões ao padre Robson, segundo investigações

Redação Notícias
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(Foto: Reprodução)
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A equipe da Superintendência de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado de Goiás investiga um possível esquema de lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros crimes envolvendo a Associação dos Filhos do Pai Eterno (Afipe), o padre Robson e pessoas ligadas a ele.

De acordo com reportagem exibida no Fantástico, no domingo (25), os investigadores levantaram movimentações suspeitas de mais de R$ 2 bilhões nas contas da Afipe nos últimos dez anos. Foram identificadas compras de fazendas, avião e casa de praia. Segundo a investigação, as compras foram feitas com dinheiro das doações dos fiéis.

O carpinteiro que trabalha com reforma de carros de boi em Anicuns, interior de Goiás, Luís Carlos, e sua esposa, a diarista Marilda, figuram na lista de doadores. Acontece que o casal, que economizava o que podia para doar para a Afipe, foi procurado pelos investigadores da polícia. De acordo com investigação, há uma doação no valor de R$ 3.290.673 no nome de Marilda.

“Desde o começo eu doei à Afipe, mas o maior valor que dei foi R$20. Não passou disso”, relatou a a diarista à investigadora da policia.

Para as autoridades, segundo reportagem, trata-se de desvio de finalidade. Isso porque o objetivo das doações era a construção da Basílica do Divino Pai Eterno, obra inicia há 12 anos e que ainda não saiu dos alicerces.

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A maioria das doações foi feita por meio de boleto bancário, que fiéis associados recebiam em casa. O documento contava com orações e até a assinatura do padre. De acordo com relatório da investigação, obtido pelo Fantástico, a cada 10 doações consideradas suspeitas, oito tem irregularidade confirmada, segundo investigações iniciais da polícia.

Para se ter ideia, há um doador sem nome, identificado como “representante principal” doou à Afipe, em 10 anos, mais de R$13.800.000. Sem CPF ou CNPJ, o doador misterioso conta apenas com uma data de nascimento: 01/06/2004. Ou seja, hoje ele teria 16 anos de idade.

“Um fantasma, essa pessoa não existe e foi criada para fazer essas doações”, disse o secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Rocha Miranda, ao jornal.

Justiça arquiva investigações

Em outubro, a Justiça de Goiás revolveu arquivar as investigações contra o padre Robson, sob justificativa de que não há indícios de crime. No entanto, segundo Fantástico, antes do trancamento, os investigadores já tinham começado a analisar documentos recolhidos em agosto. Na busca e apreensão em 16 endereços ligados ao padre, foram encontrados papéis com um banco de dados dos doares com mais de 3 milhões e 800 mil nomes. No total, se somado, o valor das doações passava dos 2 bilhões.

O advogado do padre, Pedro Paulo de Medeiros, disse ao jornal que desconhece a existência de qualquer doação milionária, e que o padre Robson, enquanto presidente da Afipe, tinha conhecimento de que a maior doação de um valor não chegou “nem próximo aos valores mencionados”.

Em nota, a defesa do padre atribuiu valores a erros de digitação e disse ainda que todas as doações são “licitas, transparentes, contabilizadas, espontâneas e voluntarias”.

O Ministério Público de Goiás entrou com recurso para retomar as investigações de suposta lavagem de dinheiro, que deve ser julgado ainda esta semana.