Mercado fechará em 2 h 16 min
  • BOVESPA

    121.925,46
    +1.576,66 (+1,31%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    46.247,40
    +355,12 (+0,77%)
     
  • PETROLEO CRU

    52,33
    -0,03 (-0,06%)
     
  • OURO

    1.837,90
    +8,00 (+0,44%)
     
  • BTC-USD

    36.249,16
    +190,28 (+0,53%)
     
  • CMC Crypto 200

    704,83
    -30,31 (-4,12%)
     
  • S&P500

    3.768,25
    -27,29 (-0,72%)
     
  • DOW JONES

    30.814,26
    -177,24 (-0,57%)
     
  • FTSE

    6.723,04
    -12,67 (-0,19%)
     
  • HANG SENG

    28.862,77
    +288,91 (+1,01%)
     
  • NIKKEI

    28.242,21
    -276,97 (-0,97%)
     
  • NASDAQ

    12.811,00
    +8,75 (+0,07%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,3508
    -0,0418 (-0,65%)
     

Como um app quer fazer o usuário gastar menos com comida. E evitar o desperdício

Rui Maciel
·9 minuto de leitura

Foi em uma aula de gameficação no curso de administração na Fundação Getúlio Vargas que nasceu a ideia de uma plataforma de compras de alimentos que, se não concorre diretamente com iFood, Rappi, Uber Eats e outros, vem encontrando um nicho próprio e que tem um potencial promissor: o público que quer pagar menos por produtos que estão próximos de sua data de vencimento.

Foi de olho nessa parcela da população que nasceu em 2018 o SuperOpa, um marketplace que permite que consumidores finais comprem produtos diretamente das distribuidoras de alimentos a partir de um aplicativo para smartphone, em uma experiência semelhante a de outras empresas do setor. E entre seus principais diferenciais estão produtos que podem ser encontrados com até 70% de desconto e ainda ajuda uma causa bastante nobre: a redução no desperdício de alimentos - que no Brasil pode chegar a 41 mil toneladas por dia - sendo que 44% desse total perdem a validade antes mesmo de chegarem às prateleiras dos supermercados.

E a estratégia parece acertada. O SuperOpa (disponível para Android e iOS) afirma ter crescido 23x desde o seu lançamento, operando em 500 cidades brasileiras, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. E pretende atingir outras capitais brasileiras em breve.

E para saber como o aplicativo funciona, o Canaltech conversou com Leandro Zanardi, cofundador e CTO do SuperOpa. Aqui, ele detalha como surgiu a ideia para a plataforma, suas vantagens e como ela pretende crescer já nos próximos meses.

Leandro Zanardi (CTO) e Luís Borba (CEO), cofundadores do SuperOpa: plataforma cresceu 23x desde seu lançamento (Foto: divulgação/SuperOpa)
Leandro Zanardi (CTO) e Luís Borba (CEO), cofundadores do SuperOpa: plataforma cresceu 23x desde seu lançamento (Foto: divulgação/SuperOpa)

Confira como foi o papo

CT - Como surgiu a ideia de criar o SuperOpa? Vocês usaram algum serviço semelhante fora do Brasil como referência?

Leandro Zanardi: A ideia do SuperOpa surgiu durante uma aula de gameficação proposta na graduação em administração pela FGV. Na época, o atual CEO, Luis Borba, escolheu desenvolver uma solução que envolvesse aspectos educacionais, ambientais, sociais e econômicos. Após algumas pesquisas, ele identificou um grave problema na cadeia da indústria alimentícia. Toneladas de alimentos eram descartados antes mesmo de serem expostos aos clientes finais por conta de seus prazos de validade.

Por exemplo, alimentos que estão a 30 dias do vencimento, às vezes, não são aproveitados pelos varejistas, pois não há tempo hábil de operacionalizar a compra, logística e venda do produto. É essa a dor que o SuperOpa vem sanar. Por meio do aplicativo, os consumidores conseguem comprar, diretamente dos distribuidores, alimentos com prazo curto para consumo, além dos convencionais, com descontos que chegam até 70% e recebem as compras em casa. As pessoas economizam, os distribuidores vendem e o mundo ganha ao evitar o desperdício de comida.

A solução trazida pelo SuperOpa é inédita no mundo. Existem duas propostas similares: a holandesa No Food Wasted e a canadense FlashFood, mas que são ligadas diretamente ao varejo, com os consumidores tendo que buscar os produtos na loja, enquanto o SuperOpa oferece toda a jornada de compra com a entrega em casa.

CT - De forma prática: como é o uso do aplicativo para comprar os alimentos? É semelhante aos dos apps tradicionais de compras, como Rappi ou iFood?

L.Z.: A proposta do SuperOpa é totalmente diferente do que se tem no mercado. O nosso objetivo é oferecer a oportunidade aos consumidores de comprar alimentos de extrema qualidade por um valor abaixo do que é praticado nas gôndolas, direto do distribuidor, fomentado o acesso e inclusão dos brasileiros a uma alimentação mais rica e saudável.

O uso do aplicativo é semelhante ao uso do Rappi e IFood. Porém, realizamos estudos de UX (experiência do usuário) e CX (experiência do consumidor), tornando a navegação mais prática para o tipo de produtos e entrega propostas pelo SuperOpa. Além disso, contamos com um carrinho de compra e checkout segmentados por distribuidoras parceiras, onde para cada uma das lojas assumimos agendamentos e prazos diferentes, mesmo como meios de pagamento, promoções e vitrine.

Atualmente, o SuperOpa tem um mix de produtos com mais de 1.200 itens, que vão desde laticínios até peixes e frutos do mar. Atuamos em praticamente todo o estado de São Paulo, no interior do Rio de Janeiro e Minas Gerais. A grande maioria dos pedidos chegam em até 1 dia útil. Em alguns lugares mais afastados, o prazo de entrega é de, no máximo, 3 dias. A ideia é que, em 2021, ampliemos tanto a nossa área de atendimento quanto o nosso portfólio de produtos.

CT - Quanto o usuário pode economizar ao realizar suas compras - ou boa parte delas - a partir do app do SuperOpa? E que categorias de produtos oferecem descontos mais atrativos?

L.Z.: Os descontos variam devido a uma série de fatores, como prazo de validade, categoria do produto e disponibilidade. Os usuários do SuperOpa podem encontrar opções com um valor 5% a 70% menor do que a média do praticado no mercado.

As carnes estão entre os itens com maior saída. Há algumas semanas, vendemos 200 kg de uma picanha uruguaia premium, que normalmente custaria R$ 90, por R$ 16, em apenas 4 dias. Recentemente, fechamos uma parceria com o laboratório de inovação da Ambev e passamos a disponibilizar vários produtos da marca com preços bastante atraentes. Isso fez com que a categoria bebidas começasse a ganhar bastante tração e ser uma das mais requisitadas hoje.

CT - Como funciona o modelo de negócios do SuperOpa para gerar receita? A empresa já conseguiu mapear o perfil de público que mais usa o app?

L.Z.: O cliente final não paga nada para usar a plataforma do SuperOpa. Para monetizar, a empresa fica com 30% de margem sobre as compras de mercadorias com prazo de validade menor e 15% sobre os produtos convencionais. A pandemia fez com que as compras online passassem a fazer parte do dia a dia das pessoas. Isso criou um perfil de consumidor mais heterogêneo.

Entretanto, identificamos o poder do boca a boca. Ao analisar os locais de entrega e frequência dos pedidos percebemos que muitas vezes cria-se uma espécie de nuvem, que começa concentrada em uma determinada área e vai expandindo ao seu arredor.

Podemos tirar vários insights dessa constatação. Percebemos, por exemplo, que, após a primeira compra, muitos usuários se tornam clientes recorrentes, aumentam seus ticket médio e, o melhor, indicam para sua rede de relacionamentos, que passam a usar o app. Isso é muito gratificante e mostra que estamos no caminho certo.


CT - Vocês afirmam terem crescido 23x durante a pandemia. Quais foram os desafios para lidar com um crescimento dessa magnitude? O que vocês precisaram aperfeiçoar em suas operações?

L.Z.: Um dos nossos principais diferenciais é que, desde o primeiro momento, investimos muito em ter uma infraestrutura própria, robusta e muito estável. Ela permitiu que suportássemos um crescimento exponencial como o que vivemos. Além disso, a experiência do usuário sem pre foi uma preocupação do SuperOpa.

Esses dois pontos somados a um mix de produtos atraentes, parcerias estratégicas e preços altamente competitivos fizeram com que alcançássemos resultados tão expressivos. Hoje, as opções de pagamento são cartões de crédito ou boleto.

Em breve, incorporaremos à operação o OpaPay, nossa própria carteira digital para disponibilizar serviços financeiros básicos para pessoas desbancarizadas.

App do SuperOpa: experiência de compra semelhante a rivais como Rappi e iFood (Captura de imagem: Rui Maciel)
App do SuperOpa: experiência de compra semelhante a rivais como Rappi e iFood (Captura de imagem: Rui Maciel)

CT - Um dos pilares do SuperOpa é o combate ao desperdício. Desde a criação do app, em2018, já é possível mensurar o quanto de desperdício de alimentos a empresa já conseguiu evitar? Vocês têm alguma métrica para medir isso e metas para alcançar nos próximos anos nesse quesito?

L.Z.: Partindo da premissa de que, se não fossem vendidos no SuperOpa, os alimentos com prazo de validade curto seriam descartados, conseguimos estipular o tamanho do desperdício que evitamos. Nesses dois anos, já foram cerca de 20 toneladas de alimentos. Porém, isso tem crescido exponencialmente.

Em dezembro desse ano, já conseguimos atingir a marca de 60 toneladas. A meta para 2021 é que sejam 1.500 toneladas. O SuperOpa também faz um tra balho social muito bacana. A empresa doa para ONGs parceiras os produtos que não são vendidos e estão próximos ao vencimento.

Nesse final de ano, a AMIC - Amigos da Criança, localizada na periferia de Campinas, recebeu 700 kg de alimentos que certamente ajudarão a muitas famílias.

CT - Quais as cidades o SuperOpa tem maior aceitação e para quais regiões a empresa pretende expandir no futuro?

L.Z.: A base de usuários do SuperOpa é maior em São Paulo, Campinas e Valinhos. A gente já atende mais de 500 cidades, praticamente todo o estado de São Paulo e alguns municípios do interior do Rio de Janeiro e Minas Gerais. O nosso objetivo é, a médio prazo, expandir para todas as capitais brasileiras, começando pela carioca e mineira. A nossa plataforma é altamente escalável, o que nos permite planos tão audaciosos.

CT - Como funciona a negociação do SuperOpa com as distribuidoras para a venda dos produtos? Vocês seguem uma fórmula fixa de negociação ou isso pode variar de acordo com a cidade, ou o produto envolvido?

L.Z.: As distribuidoras são parte fundamental em nosso negócio. Vários fatores influenciam nessas parcerias. Os dois pontos principais são a variedade e qualidade no portfólio de produtos que elas já têm e as rotas que elas cobrem. Isso porque são delas os produtos disponíveis no SuperOpa e, juntamente com operadores logísticos parceiros, são elas as responsáveis pelas entregas.

Quanto aos valores, isso é definido em conjunto, analisando praticamente caso a caso, mas respeitando os percentuais de descontos. O intuito é chegar a um número cada vez maior de consumidores com um portifólio de produtos cada vez mais completo.

CT - Hoje, o SuperOpa é focado na venda de produtos a partir de distribuidoras. Mas vocês enxergam outras oportunidades de negócios que podem ser integradas ao aplicativo no futuro? Quais seriam?

L.Z.: O SuperOpa é um marketplace da indústria de alimentos. Vislumbramos uma série de possíveis oportunidades de negócios, desde tornar-nos um canal de venda para grandes varejistas até mesmo tornar-nos um player de meios de pagamentos.

Como próximos passos, pretendemos ampliar nosso portfólio de produtos incluindo, por exemplo, produtos de beleza, saúde e artigos para pets. O nosso objetivo é nos tornarmos um one stop shop de compras do dia a dia para nossos usuários.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: