Mercado fechado

Como The Boys usa heróis para zoar com o nerd reacionário

Thiago Romariz
·3 minutos de leitura
Tempesta e Capitão Pátria: um duo que representa os reacionários (Foto: Divulgação)
Tempesta e Capitão Pátria: um duo que representa os reacionários (Foto: Divulgação)

A primeira temporada de 'The Boys’ surfou no hype das paródias de heróis. Em um mundo inebriado pelo gênero, tanto público quanto crítica, a série tomou o lugar de 'Deadpool’ ao escrachar as críticas e potencializar o texto e as imagens escatológicas da HQ de Garth Ennis. Essa abordagem ganha contornos ainda mais fortes e políticos na segunda temporada, que se encerra como uma das ótimas surpresas de 2020 no Prime Video.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

Tudo que fez a série cair no gosto popular está lá, com mais força, sangue e violência. A melhor parte disso tudo é ver que o roteiro de Seth Rogen, Eric Kripke e Evan Goldberg usa dessa estética para jogar na cara da internet o absurdo que vivemos atualmente. Isso porque não há nada em The Boys que fuja muito da realidade, a começar pela frase mais forte e importante da temporada. "As pessoas amam o que eu falo, o que eu prego, elas só não gosta que chamem de nazismo", diz a nazista Tempesta no último episódio.

Leia também

O dedo apontado para a cara do movimento reacionário não é sutil em 'The Boys’, e isso pode afastar os mais sensíveis - tudo é absurdamente didático, explicadinho e falado com todas as palavras para não deixar dúvida. Por outro lado, parece ser a única forma de fazer uma parcela do público entender, já que não há ciência que os convença da eficiência de uma vacina, da origem do nazismo ou do formato da Terra. Mas nem só de diretas políticas escancaradas vive a série. O elenco afinadíssimo liderado por Toni Starr carrega com carisma até os diálogos mais óbvios e ofuscam os furos de uma trama que se não parece infantil em certo ponto, ao menos não esconde sua simplicidade.

Enquanto foi uma série somente preocupada em falar mal da Marvel e da DC The Boys ficava numa vala comum. Divertida, mas comum. Agora, sem o pudor de mergulhar na política e do papel que uma obra como ela carrega, o programa fica mais completo, mais engraçado e, por abusar da estética super violenta e egocêntrica de seu protagonista, faz piada com os fãs reacionários que vivem para criticar minorias, movimentos sociais e defender privilégios de quem sempre esteve no topo.

Os heróis de The Boys, mais do que vilões, são a matéria-prima da piada. Eles representam não só a escória da sociedade pelas atitudes, mas pela forma egoísta como enxergam o mundo, tal qual o séquito reacionário que povoa as seções de comentários na internet.

Conheça o podcast de filmes e séries do Yahoo

———

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

Assine agora a newsletter Yahoo em 3 Minutos

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube