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Como The Boys revela a ansiedade criada pelos serviços de streaming

Natália Bridi
·4 minutos de leitura
The Boys: fãs criticam a série por causa do lançamento semanal de episódios (Foto: Divulgação)
The Boys: fãs criticam a série por causa do lançamento semanal de episódios (Foto: Divulgação)

A segunda temporada de The Boys trouxe uma nova estratégia que desagradou muitos fãs: depois da liberação dos três episódios iniciais no Amazon Prime Video em 4 de setembro, os capítulos seguintes são lançados semanalmente até a conclusão, marcada para 9 de outubro. A decisão, segundo o showrunner Eric Kripke, tem como objetivo evitar que o consumo rápido da série faça com que ela caia rapidamente no esquecimento: “Há tantos momentos ótimos na 2ª temporada e queremos dar tempo para causar impacto”. Muitos fãs, porém, não captaram a mensagem, reclamando muito nas redes sociais, baixando a nota da série na própria Amazon.

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Acontece que a estratégia do episódio semanal não é nenhuma novidade. Esse ainda é o padrão nas produções para a TV norte-americana, incluindo canais por assinatura como a HBO, mas depois da popularização do streaming a forma como as séries são consumidas certamente mudou. Termos como binge-watching (que podemos traduzir como maratona extrema) passaram a ser um critério na hora de avaliar o sucesso de um lançamento — quanto mais rápida a maratona, maior é o sucesso. E, apesar do descontentamento de uma parcela dos fãs de The Boys, Kripke, que carrega uma longa experiência na TV com séries como Supernatural e Timeless, está certíssimo. O consumo imediato diminui consideravelmente o engajamento de uma série a longo prazo.

Exemplo: uma série de 8 episódios de cerca de uma hora cada, lançada na sexta-feira, pode ser “maratonada” durante um único fim de semana. Isso quer dizer que o seu pico de engajamento será a semana posterior ao seu lançamento. Mesmo um hit indiscutível como Stranger Things tem dificuldade de se manter em pauta por muito tempo e, quanto volta ao assunto, é em relação à próxima temporada. A mesma série com episódios semanais gera duas semanas de engajamento.

Esse é o atual caso com The Boys e, em uma escala menor, com Lovecraft Country, da HBO. Depois de um novo episódio, boa parte do público se volta às redes sociais para comentar, buscar explicações e análises sobre o que acabou de ver. Uma ansiedade positiva é criada pelo próximo capítulo e estabelece uma relação de fidelidade. Na semana seguinte esse público estará lá mais uma vez.

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Muito antes do streaming, a internet possibilitou um boom do consumo das séries americanas. Lost era um fenômeno mundial, mesmo que não estivesse sendo transmitida regularmente fora dos EUA. Semanalmente, o público caçava um novo episódio e embarcava em novas teorias. Esse espírito não se perdeu nem com a consolidação do streaming ou com a regularização da transmissão simultânea com os EUA. Game of Thrones, o grande sucesso recente da HBO, conquistou a fidelização dos fãs semana a semana, gerando teorias e muita expectativa.

O que dá para entender pelas respostas negativas à estratégia de lançamento de The Boys é que o streaming deixou uma parte do público mal acostumado, inclusive sobre como funciona a construção de uma narrativa seriada. Como não tem acesso a um longo filme de 8 horas, o público passa a notar a diferença de ritmo e propósito entre os episódios. Por conta disso, essa segunda temporada de The Boys vem sendo chamada de “irregular”, enquanto Lovecraft Country, que aborda casa episódio como um diferente gênero da fantasia, tem deixado muita gente confusa.

Em entrevista ao The Wrap, Kripke precisou pedir respeito aos fãs reclamões: “Foi uma escolha criativa. Então quer você goste ou não, pelo menos tenha respeito com as pessoas que criaram a série porque, desta maneira, podemos desacelerar a produção e pensar mais sobre cada episódio”. Uma declaração que nos leva a outra questão relacionada ao lançamento das temporadas completas de uma vez: a necessidade de ofertar um número cada vez maior de produtos no catálogo. Como o consumo é imediato, mais séries e filmes precisam ser lançados para que o consumidor sinta que precisa manter a sua assinatura.

Como o Amazon Prime Video tem um número bem menor de séries originais no seu catálogo, a estratégia adotada com The Boys faz ainda mais sentido, rendendo dois meses de comentários (e possíveis novos assinantes) para o serviço. No seu lançamento nos EUA, em novembro de 2019, o Disney+ fez o mesmo. Séries originais como The Mandalorian foram lançadas semanalmente, buscando manter por mais tempo a atenção do público no novo serviço.

É compreensível que, principalmente no meio de uma pandemia, o público fique ansioso por saber como a história que começou a ver termina, mas é bom ter alternativas de consumo em meio a tantas ofertas de entretenimento disponíveis. Não se trata de uma nova regra que vai acabar com a liberdade do público, mas de uma investida criativa que, como Kripke defende, também oferece um precioso tempo para pensar: seja para quem trabalha na série, seja para quem a assiste.

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