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Como a tecnologia vem sendo essencial nas doações para combater a pandemia

Rui Maciel
·9 minuto de leitura

Não é exatamente uma novidade que a pandemia de Covid-19 gerou uma crise econômica mundial, atingindo dezenas de milhões de pessoas mundo afora, incluindo o Brasil, é claro. Muitos perderam seus empregos na esteira da obrigação do distanciamento social, lockdowns e, consequentemente, fechamento de lojas, restaurantes e outros estabelecimentos, sem contar empresas prestadoras de serviços em setores diversos.

Mas se a situação não é das melhores, a tecnologia ajuda a manter o nível de solidariedade em alta. Hoje, apps, sites e plataformas de crowfunding, por exemplo, fornecem mecanismos que facilitam o processo de doação para as instituições. Segundo pesquisa da GeekHunter, empresa de recrutamento especializada na contratação de profissionais de tecnologia, o aumento de ações de filantropia digital no setor chegou a 310% no ano passado.

E um dos programas que melhor vem usando a tecnologia para a solidariedade é a Charidy. Fundada nos EUA, trata-se de uma das mais bem-sucedidas plataforma de crowfunding do mundo e que decidiu abrir mão das taxas de intermediação em campanhas sem fins lucrativos e com objetivo de ajudar as populações mais vulneráveis.

Desde o início de sua operação no Brasil, em 2016, já foram arrecadados mais de R$ 147 milhões de reais pela plataforma, em mais de 49.800 doações. Além disso, no período de combate à pandemia, foram arrecadados R$ 73,6 milhões de reais em mais de 24 mil doações.

E para falar como a tecnologia vem sendo um diferencial considerável em suas operações, o Canaltech conversou com André Wajsman, diretor da Charidy no Brasil. Ele fala como o crowfunding vem atuando na luta contra a pandemia por aqui, os diferenciais da plataforma, como é feita a captação de fundos e até mesmo qual é a atuação do coach de campanha para uma arrecadação mais eficiente nas empresas.

André Wajsman, da Charidy Brasil (Imagem: Divulgação / Charidy)
André Wajsman, da Charidy Brasil (Imagem: Divulgação / Charidy)


Confira como foi o papo:

Canaltech - Por que o crowdfunding tem se mostrado uma alternativa para a luta contra a pandemia?

André Wajsman: O impacto da pandemia nas organizações sociais foi enorme. Também instituições como templos, escolas, clubes, por exemplo, que dependem de participação ativa e fluxo de pessoas, estão sofrendo muito com perdas de arrecadação de mensalidades e entrada de capital de eventos ou ações.

Dessa forma, não resta outra alternativa para sobrevivência e continuidade da instituição, a não ser a busca imediata por doações e apoio de sua comunidade. É neste contexto de pandemia e perda de receitas que o crowdfunding vem conseguindo dar uma ajuda enorme, permitindo abrir uma campanha rapidamente, comunicar e obter doações de forma prática e a baixo custo, além de ampliar em muito o público potencial de doadores, já que não existe mais limites de quem ou de onde podem vir os recursos.


CT - Por que a tecnologia é uma alternativa eficiente para arrecadar recursos?

A.W.: O crowdfunding digital acaba com as barreiras geográficas do ato de doar. Agora uma campanha pode arrecadar recursos de qualquer lugar do mundo, e em qualquer moeda. Eu brinco dizendo que, até da Lua, podemos receber doações! A tecnologia é o motor que impulsiona isso, permite um alcance muito maior através da divulgação, hoje muito mais capilar com o uso das redes sociais e mídia digital. Permite ainda que, usando um dispositivo móvel, a pessoa faça sua doação como uma compra online com cartão de crédito.


CT - Qual é o diferencial da Charidy?

A.W.: A plataforma, além de muito segura e robusta tecnologicamente, permite diversas configurações e estilos de campanha, que se ajustam às necessidades das instituições clientes. Todo o processo é automático, as doações são rápidas e em segundos são somadas ao total da campanha e os dados ficam visíveis no portal. Nosso sistema traz transparência para a campanha e aumenta a credibilidade para os doadores.

Para as instituições, existe um apoio total antes e durante a campanha, dando acesso ao nosso Painel de Controle exclusivo com ajustes de detalhes, visualização dos doadores, dados e valores. Tudo em tempo real. A instituição também tem acesso à Universidade Charidy, com vídeos instrucionais exclusivos para treinamento de suas equipes.


CT - Como acontece a solidariedade na rede e como é feita a captação de doadores?

A.W.: Trabalhamos em conjunto com os clientes para amplificar o público ao máximo e com isso captar mais doações. Fazemos uma análise das redes e das forças de cada instituição, identificando os melhores canais por onde divulgar a comunicação da Campanha.

A Charidy é muito mais do que uma plataforma - nossas campanhas são pura estratégia. Os clientes realizam as ações, porém as indicações são dadas por nós. Campanhas de sucesso são aquelas que têm uma causa forte e que conversam com o coração dos doadores, mas a instituição precisa entender que o ato de captar é ativo.

Uma das campanhas da Charidy Brasil para arrecadar fundos no combate à Covid-19 (Imagem: Divulgação / Charidy)
Uma das campanhas da Charidy Brasil para arrecadar fundos no combate à Covid-19 (Imagem: Divulgação / Charidy)

Durante a campanha, existe um investimento massivo para o convite de doações através de telefonemas, disparos de email marketing, assim como conteúdos desenvolvidos para as redes sociais e WhatsApp. São iniciativas que garantem sucesso. Embora todo o processo seja online, não existe campanha de captação sem estratégia. Tem que ser ativo e muito!


CT - A Charidy oferece o acompanhamento de um coach de campanha. Qual é o papel desse profissional?

A.W.: Embora todos estejam conectados, alcançar as pessoas ainda é um trabalho a ser feito com atenção. É muito normal que as instituições tenham medo de não conseguir arrecadar os valores, de que suas causas não cheguem até as pessoas. Na Charidy, temos um coach de campanhas, responsável por indicar a melhor estratégia para o cliente.

Todas as instituições têm forças que precisam ser exploradas, além de públicos-alvo corretos, é um trabalho de marketing e de compreensão da causa. A Charidy quer pegar o cliente pela mão e conduzi-lo até o sucesso da campanha, no passo a passo. Por isso, temos reuniões de pré-campanha, de entendimento e planejamento para alcançar o sucesso e apoiar ao máximo quem nos procura.


CT - As pessoas conseguem acompanhar o destino dessas arrecadações?

A.W.: Esse papel é das instituições que realizam as campanhas. A Charidy indica o envio de relatórios com o máximo de transparência sobre os resultados dos valores captados. Credibilidade neste mercado é palavra de ordem, por isso é necessário apresentar todos os detalhes. A experiência nos mostra que instituições que não apresentam os resultados não conseguem novas captações.


CT - Você acredita que é possível desenvolver um aprendizado com o dinheiro a partir de experiências como essa da Charidy?

A.W.: Sempre que iniciamos uma conversa com uma instituição, perguntamos qual seu orçamento anual e desenvolvemos as campanhas para solucionar o problema anual. O objetivo é acabar com aquele aperto mensal, sem precisar correr todo fim de mês “passando o chapéu” para pagar as contas.

Procuramos dar dicas e ajudar as instituições a organizar os valores, assim como o fluxo de caixa e resultados dos valores captados. Todo esse processo é de educação financeira e torna a instituição mais profissional, um resultado aprovado pelos doadores que gostam e valorizam ver os investimentos aplicados de forma transparente.


CT - A tecnologia aproxima ou torna viável uma cultura de doações no Brasil?

A.W.: A pandemia de Coronavírus acelerou as transformações digitais que vinham impactando a todos. Se a tecnologia já era uma realidade, agora o convívio em ambiente digital é uma necessidade. Criptomoedas, PIX, Open Banking são exemplos de como nosso sistema financeiro já está digitalizado, bastava dar um propósito às redes, pois tudo já está conectado.

As colaborações são práticas e as campanhas são ativas, e isso facilita a cultura de doação no nosso país. É uma outra forma de usar o recurso, de participar de uma grande causa e sem sair de casa. Para além da tecnologia, nós temos a força da empatia no Brasil. Uma forma natural nossa de engajamento, de ser capaz de se colocar no lugar do outro e olhar de forma generosa.


CT - Como funciona o modelo de geração de receitas da Charidy?

A.W.: Durante este período, estamos trabalhando de forma voluntária. Não estamos cobrando nenhum valor para desenvolver campanhas que buscam arrecadar recursos para combater a pandemia de Covid-19. A ideia é usar a nossa ferramenta a favor da sociedade. Em geral, somos remunerados pelo serviço de consultoria para as campanhas e por uma taxa aplicada no valor captado.


CT - Existem temas e/ou causas que geram mais engajamento do público na arrecadação de recursos?

A.W.: Sem dúvida. Campanhas de arrecadação para causas como fome, saúde, hospitais e escolas/bolsas de estudo têm melhor desempenho se compararmos com causas de menor impacto. A doação é um ato racional que começa com um impulso emotivo, portanto, causas humanas acabam gerando maior comoção, empatia e engajamento.

Outros sites e apps que você pode contribuir

Imposto solidário

O site impostosolidario.org.br ensina o usuário a destinar parte do seu Imposto de Renda para instituições sociais afetadas pela pandemia. Menos de 3% dos contribuintes fazem essa destinação e o potencial de arrecadação chega a 4 bilhões que beneficiariam milhares de instituições sociais. No site é possível conferir o passo a passo e conhecer histórias inspiradoras na área da educação

Ribon

O aplicativo Ribon permite que usuário faça doações gratuitamente para ONGs. Criado por brasileiros, a plataforma permite conhecer diversas causas humanitárias e doar por meio de clicks e moedas virtuais para diversos projetos patrocinados. Ele está disponível para Android, iOS (iPhone) e uma versão para navegadores.

Picpay

O Picpay, app e conta digital possui a central de doações do aplicativo, com ela é possível consultar causas sociais espalhadas em todo o território nacional, e fazer a sua doação utilizando apenas um clique. Há versões para Android e iOS.

Joyz

O aplicativo Joyz foi criado para conectar aqueles que querem ajudar com aqueles que precisam de ajuda. A rede promove impacto e campanhas do bem, com diversas histórias prontas para receber contribuições financeiras. Há versões para Android e iOS.

Atados

O site Atados conecta pessoas ao trabalho voluntário, mesmo em casa e durante o período de isolamento social, o site permite que as pessoas se tornem embaixadoras digitais e doem para entidades ligadas ao combate à fome.

Marista Escolas Sociais

Marista Escolas Sociais atende gratuitamente 7700 crianças, adolescentes e jovens por meio de 20 Escolas Sociais, localizadas em cidades de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Os alunos atendidos nas Escolas Sociais têm acesso a uma educação de qualidade e gratuita que vai desde a educação infantil até o ensino médio, além de projetos educacionais e pedagógicos que acontecem no período contrário às aulas. Para colaborar, visite o site da entidade.

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Fonte: Canaltech

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