Mercado fechado

Como a tecnologia pode ajudar a indústria imobiliária a sair de vez da crise? Nós explicamos

(Divulgação)

Por @vitorvalencio

Comprar um imóvel não é tarefa das mais fáceis. Pesquisas, agendamentos, visitas intermináveis. Passos necessários quando o negócio é investir uma quantia considerável de dinheiro. Um processo ainda mais doloroso em tempos de crise, com maior quantidade de ofertas e considerável diminuição da procura. No entanto, não precisa mais ser assim. O mercado imobiliário já exibe crescimento, mas como pode contar com a tecnologia para sair de vez da crise?

A crise política e econômica deflagrada desde 2014 provocou feridas profundas na sociedade brasileira. A divisão política, rapidamente tornou-se ideológica. Interesses particulares deixaram o país ingovernável por quase quatro anos. Não tardou para que os reflexos migrassem para a economia. O crescimento alcançado nas últimas décadas regrediu consideravelmente. Um dos epicentros dessa crise foi justamente o mercado imobiliário.

Grandes construtoras foram protagonistas dos maiores escândalos da história brasileira, tanto por empresários quanto por políticos. Deixando um dos maiores mercados nacionais sem investimentos e causando, sobretudo, desemprego. Os reflexos foram sentidos em outros setores. O poder econômico do brasileiro diminuiu. O mercado imobiliário continuou com grande oferta, mas a demanda já não era mais a mesma.

No entanto, toda crise traz oportunidades. E um mercado tão tradicional torna-se perfeito para a implementação de novas alternativas. Muitos profissionais precisaram trocar sua área de atuação. Mesmo sem experiência, a corretagem de imóveis mostrou-se uma possibilidade tanto de educação quanto recolocação profissional. “A RE/MAX é a primeira franquia imobiliária a usar um aplicativo com gamificação, técnica que utiliza elementos de jogos em outras atividades para aumentar a motivação, para capacitação do time”, conta Ernani Assis, vice-presidente executivo da RE/MAX no Brasil.

Na vanguarda do mercado, a empresa aposta na educação à distância para formar novos colaboradores independentes. O live streaming é utilizado para fins educativos, tanto para corretores, quanto para franqueados, no mundo inteiro. “Estamos investindo no aplicativo Max Play, desenvolvido pela startup Play2sell, com o objetivo de aumentar o engajamento e a produtividade dos nossos corretores por meio de informações, treinamentos e campanhas de incentivo. Além dos jogos, outros conteúdos podem ser acessados pelo celular (mobile learning) e no formato microlearning, que reduz o tempo de aprendizagem”, completa o executivo.

Estatísticas da Abrainc – Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias demonstram que entre janeiro de 2017 e janeiro de 2018, os números de unidades lançadas aumentou cerca de 22%. As vendas, por sua vez, tiveram crescimento menor, aproximadamente 12%. Números calculados pela Fipe – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da Universidade de São Paulo, aponta que 82.902 unidades foram colocadas à venda, enquanto as vendas chegaram a 105.297 imóveis novos no período. Muitos deles disponíveis no mercado há mais de um ano.

Visão 360º

Apesar do crescimento na oferta, a demanda ainda precisa de um empurrãozinho. Para que um mercado seja bem-sucedido, é preciso investir tanto em estrutura quanto no consumidor. Grandes imobiliárias já trabalham com imagens dos imóveis, há muito tempo. No entanto, hoje as possibilidades tecnológicas são praticamente infinitas. Logo, é possível encontrar e até visitar uma propriedade no outro lado mundo, sem sair de casa.

As visitas virtuais ocorrem somente por meio da plataforma e do portal que estão conectados através de uma API (Application Programming Interface) específica. Através do portal Global.Remax.com, clientes do mundo todo têm acesso a anúncios de todos os imóveis comercializados pela RE/MAX. Também pelo portal, é possível realizar o pré-atendimento ao cliente e fazer negócios. Ou seja, na prática, dois corretores ainda que localizados em extremos como Brasil e Macau, atuam por meio do portal quando um cliente se interessa por um imóvel de outro país, um no país do cliente e outro no país onde fica o imóvel. A comissão é dividida”, revela Ernani.

Para que os compradores encontrem aquilo que procuram é preciso saber o que eles querem. “Estudos da Banib Conecta – plataforma digital de visitas virtuais – apontam que uma imobiliária com 10 corretores, que atendem mil clientes por ano, investe em visitas presenciais, em média, R$ 2 milhões, considerando tempo de deslocamento, combustível, entre outros gastos. Com a visita virtual, o cliente consegue avaliar a distância os imóveis de seu interesse antes de marcar uma visita presencial. Além disso, é possível identificar quantas visitas virtuais foram feitas, ajudando o corretor no seu planejamento de vendas”, celebra o vice-presidente.

Ele continua, “A RE/MAX homologou uma empresa de tecnologia para utilização do Banib Conecta, onde o corretor usa uma câmera, tripé e celular para fazer suas próprias fotos dos imóveis em 360 graus, tudo muito rápido, prático e eficiente, reduzindo, assim, as desgastantes visitas presenciais e fazendo vendas mais assertivas”, explica. 

Como caminhar pela propriedade. “O conceito é o mesmo do Google Street View. Cria banco de imagens próprio dentro da plataforma, classificando os ambientes, os melhores ângulos e a sequência em que os mesmos devem ser divulgados para o cliente. Por exemplo, primeiro aparece a piscina, seguido pela churrasqueira, a sala de estar e a suíte do casal. Entre outros recursos disponíveis na plataforma, também é possível ocultar ou “borrar” rostos e placas de veículos. Ao final do processo, é gerado um link com todas as fotos conectadas, onde o corretor pode compartilhar com os clientes pela web, WhatsApp, redes sociais e softwares de gestão como Ingaia, Vista, Gestão Real, entre outros”, conclui Ernani.

Decoração Virtual

(Reprodução)

No exterior, muitos itens de mobília são feitos sob medida. Logo, o mercado imobiliário incentiva a compra e venda de imóveis já decorados. Para nós, brasileiros, essa ainda é uma realidade restrita a poucos nichos de mercado. Então, é comum entrar em uma propriedade completamente vazia durante uma visita. Convenhamos, um tanto desanimador, certo?

Decorar esse ambiente virtualmente pode ajudar na concepção das possibilidades que o imóvel oferece. Assim, a tomada de decisões pode ser facilitada. Essa tecnologia já existe, e é bem realista. Empresas, como a roOomy, oferecem a visita virtual aliada a um projeto de decoração personalizado de acordo com as preferências do comprador. A realidade virtual permite a criação de um tour virtual 3D através de um ambiente completamente mobiliado e decorado. Uma mão na roda.