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Como seria uma estação de abastecimento em Marte? Esses conceitos te mostram

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Elon Musk não esconde seus projetos futuros para a presença humana em Marte: o CEO da SpaceX já falou sobre construir uma base fixa por lá em 2028 e até povoar o Planeta Vermelho com 1 milhão de pessoas até 2050. Entretanto, para que tudo isso saia do papel algum dia, será preciso ter estações de abastecimento. Assim, a empresa Air Company anunciou um projeto para criar combustível a partir do dióxido de carbono, e divulgou conceitos das estações.

A empresa declarou ao portal Inverse que tem um protótipo de um sistema que utiliza dióxido de carbono, água e energia solar para produzir oxigênio e metano, que podem ser usados para alimentar foguetes semelhantes ao Starship, que a SpaceX planeja usar para levar humanos e cargas a destinos como Lua e, claro, Marte. Os designs conceituais mostram como seriam as estações de abastecimento no Planeta Vermelho. É lá que o combustível seria obtido, parte importantíssima para a realização das viagens da Terra para o planeta.

A atuação da Air Company já foi reconhecida pela NASA: em 2019, a empresa foi selecionada como uma das cinco vencedoras da primeira fase do CO₂ Conversion Challenge, uma competição que focou na conversão do dióxido de carbono em glicose para produzir alimentos e medicamentos em Marte.

O interior da estação (Imagem: Reprodução/Air Company)
O interior da estação (Imagem: Reprodução/Air Company)

Já em abril, a Air Company começou a trabalhar com produtos para a higiene das mãos feitos com a conversão do dióxido de carbono em etanol, e lançou também uma vodca com carbono negativo criada a partir do dióxido de carbono, energia solar e água. Durante o desenvolvimento do produto, a empresa passou a explorar os combustíveis de foguete: "descobrimos a aplicação da nossa tecnologia quando trabalhávamos em melhorias de um piloto que converte o CO₂ em álcool, e fomos motivados pelo trabalho que fazíamos para a NASA para o CO₂ Conversion Challange", diz Gregory Constantine, co-fundador da empresa. "Estávamos trabalhando com os sistemas em temperaturas acima do normal sob condições diferentes das normais, e vimos que podíamos criar com eficiência essas moléculas de combustível", explica Stafford Sheehan, eletroquímico e co-fundador.

A tecnologia também poderia ser usada para criar combustível para outras aplicações, mas o foco no momento é o combustível para foguetes. No passado, Musk já descreveu o funcionamento de instalações do tipo: a água seria coletada das reservas de gelo de Marte e o dióxido de carbono viria da atmosfera. A água seria separada em oxigênio e hidrogênio por eletrólise, enquanto o processo de Sabatier seria usado para o dióxido de carbono e hidrogênio formarem metano e mais água. Claro que, para que tudo isso possa ser feito, será preciso energia — Musk observou em outubro de 2019 que seriam necessários de um a dez megawatts de energia solar.

A área externa da estação (Imagem: Reprodução/Air Company)
A área externa da estação (Imagem: Reprodução/Air Company)

Se você reparar, a Air Company parece ter mostrado um foguete Falcon Heavy em seus conceitos, mas a SpaceX tem planos para usar o Starship, que é bem maior e mais poderoso, nas missões da Terra para Marte — e que será alimentado por oxigênio líquido e metano. "Nosso objetivo é usar a tecnologia da conversão do gás carbônico e expertise para ajudar grupos como a NASA, a SpaceX e outros para permitir a colonização humana através do Sistema Solar", disse Constantine.

Segundo a empresa, os conceitos foram usados para focar nas possibilidades do futuro. Embora os designs sejam conceituais, a expectativa é que exista, em algum momento, tipos de foguetes que possam chegar a lugares como Marte e ir até além do que está planejado para o Starship. A Air Company tem seu protótipo pronto e funcionam, e espera agora passar os próximos 12 meses o aprimorando: “esperamos uma chance para lançar [o protótipo] em uma nave para uma estação espacial ou para Marte nos próximos anos para mostrar a utilidade da nossa tecnologia na colonização espacial”, finaliza Constantine.

Fonte: Canaltech

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