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Como seria fazer um pit stop no espaço? Equipe de F1 da Red Bull mostra em vídeo

Felipe Junqueira

Esse é o tipo de coisa na qual as pessoas não costumam parar muito para pensar, mas a gravidade é uma coisa fundamental em o nosso cotidiano. E a equipe de Fórmula 1 da Red Bull vivenciou isso na pele. Depois de quebrar três vezes o recorde de pit stop da categoria, o time encarou uma troca de pneus em "gravidade zero" — entre aspas mesmo.

A Red Bull preparou 16 membros de sua equipe de F1 para a experiência que treina astronautas antes de irem ao espaço. Apesar de ser muita gente chamar a ausência de efeitos gravitacionais dentro de uma nave espacial de "gravidade zero", na verdade o termo correto é "microgravidade", pois é impossível existir gravidade zero dentro de um veículo orbital — afinal, uma série de elementos acabam produzindo forças gravitacionais ali, ainda que bastante fracas, como objetos dentro da nave percorrendo a órbita ao redor da Terra.

E é possível simular a microgravidade de uma nave orbital sem precisar ir para o espaço: quando um avião faz uma espécie de queda livre de 10 mil metros em um ângulo de 45 graus, durante 22 segundos, o efeito da microgravidade é experimentado por quem estiver ali dentro. São voos parabólicos, então o avião volta a ganhar altitude para um novo mergulho.

Depois de uma semana de preparação no centro de treinamento de cosmonautas Yuri Gagarin, na Rússia, a equipe embarcou em avião Ilyushin II-76K da Roscosmos (a agência espacial russa), que é justamente usado para treinamentos em microgravidade. E claro que o exercício de trocar pneus de um veículo que pesa 400 kg na Terra em um ambiente quase sem gravidade não é nada fácil.

Confira como eles fizeram isso no vídeo abaixo:

Para que tudo desse certo, vários cuidados precisaram ser tomados. Na hora que começou o "mergulho", cada membro da equipe sentiu como se tivessem dobrado de peso. E é exatamente neste momento que deve começar a troca dos pneus, tomando cuidado para não deixar escapar nenhum objeto, como porcas e parafusos. Por fim, chega a hora de segurar o carro aguardando o momento em que a gravidade retornasse ao normal, para evitar um acidente terrível.

O chefe dos mecânicos, Joe Robinson, deixou isso claro. “A experiência nos exigiu mais do que eu imaginava. Você só percebe o quanto depende da gravidade quando não tem nenhuma”, observou. E seu colega Mark Willis concorda: “No pit stop, a falta de gravidade te afeta de todas as formas possíveis. Assim que você move os braços com uma chave pneumática em mãos, você se empurra para trás”, relatou. “Foi uma experiência realmente complicada”.

No fim, deu tudo certo, mas Robinson discorda um pouco do companheiro quanto ao sentimento geral: “Honestamente, foi uma oportunidade única na vida. Eu poderia ter ficado lá e feito isso por um mês. Foi fantástico. Acho que foi a coisa mais legal e divertida que a equipe de demonstração já vez em um carro”, disse o mecânico.

Fonte: Canaltech

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