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Como serão as academias pós-pandemia?

Foto: Getty Images

Por Natália Leão (@natileao_)

Passamos os últimos meses isolados, treinando na sala ou no quintal de casa — alguns passaram no sofá mesmo —, adaptando as formas de se exercitar. Agora, academias de algumas cidades estão reabrindo (em outras as atividades devem ser retomadas em breve) seguindo rigorosas normas de segurança, como aumentar a limpeza, diminuir o fluxo de pessoas e ampliar o espaço entre equipamentos. Mas será que essas medidas serão capazes de garantir a segurança dos frequentadores? E ainda: elas serão suficientes para atrair os alunos de volta às salas fechadas de musculação? 

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A academia vai até você

Nos Estados Unidos, estados como Texas, Flórida, Geórgia e Arizona receberam há poucos dias a liberação para reabertura de academias. Algumas regras, no entanto,  exigem que a capacidade seja reduzida a 25% com modificações estruturais. Enquanto isso, as empresas de fitness on-line e de gadgets para treinos virtuais viram a demanda disparar. O MIRROR, um espelho que “transmite” treinos on-line de forma interativa - e custa US$ 1.495 - quase dobrou suas vendas após a Covid-19, disse a CEO Brynn Jinnett Putnam à imprensa norte-americana. 

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No Brasil, os treinos feitos em casa, com auxílio de aplicativos e plataformas, também dispararam. O site de treinos on-line da Smart Fit entrou no ar no dia 17 de março, a toque de caixa, para alunos e não alunos do grupo (que conta com academias físicas do grupo Bio Ritmo também). O Treine em Casa oferece de forma gratuita e com a orientação de profissionais da rede uma série de 49 aulas de até 30 minutos em português e espanhol. Em sua primeira semana no ar, o Treine em Casa atingiu a marca de 2 milhões de visitantes.

Bodytech acredita que número de alunos deve demorar entre 6 e 12 meses para retornar à normalidade (Foto: Divulgação)

“Já havíamos planejado a inserção de novas modalidades e novos programas, que hoje já possui mais de 1000 videos gravados em estúdio.Chegamos a ter picos de 10 mil pessoas simultaneamente fazendo aulas em nosso App”, afirma André Pezeta, vice-presidente da Smart Fit na América Latina. 

O BTFIT, app de treinos do grupo Bodytech, no ar desde 2015, viu o crescimento de 180% nos usuários ativos diariamente desde o início do isolamento social. Além disso, os downloads diários (35%) e engajamento nas aulas ao vivo (30%) também cresceram.

Quando as esteiras podem rodar 

Parece indiscutível que o on-line terá um papel de protagonismo no fitness pós-pandemia. No entanto, o as cidades brasileiras que já liberaram o funcionamento desse tipo de serviço encontram alta procura e até filas nas portas. “Já temos unidades funcionando no sul do país com cerca de 50% e 60% da capacidade anterior”, diz Felipe Castro, proprietário da rede TecFit de estúdios fitness de eletroestimulação. A expectativa de Castro é que no segundo semestre, o fluxo volte ao normal.

Tecfit amplia medidas de higienização na academia (Foto: Divulgação)

“Tem um fator importante que acredito que fará com que as pessoas voltem a se exercitar: a conscientização de que passar quase ileso por uma pandemia depende de bem-estar físico e psicológico, sem contar a questão imunológica. Isso deve encorajar as pessoas a procurarem algum tipo de atividade física”, afirma Castro. 

Para Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech Company, o novo coronavírus pode atrair novos interessados em exercícios. "Assim como já acontece nos países da Ásia, teremos um novo público, aqueles em busca da saúde, para quem a prioridade será a melhoria das condições gerais de saúde."

O grupo, que hoje conta com 102 academias de grande porte, acredita no retorno da "normalidade” entre 6 e 12 meses. “Nosso ecossistema passará cada vez mais a contar com a presença do digital no mundo das academias. Ele não substituirá a presença física e a socialização, mas fará parte da entrega do nosso serviço”, diz.

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