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Como se tornar um astrônomo amador?

Wyllian Torres
·7 minuto de leitura

Observar o céu, em sua essência mais simples e objetiva, é de graça, mas nossa visão não é muito eficaz para a escuridão da noite. Ainda bem que, hoje, existem uma série de ferramentas que expandem a nossa visão e nos permitem observar o espaço para além da capacidade dos nossos olhos. Entre elas, temos instrumentos como telescópios, e até mesmo aplicativos de celular que nos ajudam nessa missão.

Entretanto, não dá para saber tudo sobre o espaço apenas olhando para o céu — para nossa sorte, temos a astronomia como motor desse conhecimento. Mas como se tornar um astrônomo amador? Será que é necessário um curso em astronomia ou a validação de alguma instituição para ser um astrônomo deste tipo?

Antes de mais nada, é importante ressaltar que o termo "amador" em nenhum momento é sinônimo de quem sabe pouco ou de alguém que não mereça ser levado a sério. O "amadorismo”, nesse contexto, significa que o astrônomo apenas adquiriu seu conhecimento em astronomia por outros meios que não o acadêmico — ou seja, sem uma graduação em astronomia ou astrofísica. Os que fazem, estes, sim, são os chamados astrônomos profissionais. Na verdade, a astronomia amadora não deixa de contribuir com o trabalho dos profissionais, pois astrônomos amadores realizam descobertas o tempo todo.

Então, confira a seguir algumas dicas importantes para iniciar essa jornada de conhecimento do universo.

Saiba como se tornar um astrônomo amador

Frequência nas observações

Observar o céu com frequência é um exercício de reconhecimento do mapa celeste (Imagem: Reprodução/NASA)
Observar o céu com frequência é um exercício de reconhecimento do mapa celeste (Imagem: Reprodução/NASA)

Imagine que você nasceu e cresceu até seus 20 anos de idade em um mesmo lugar. Tudo nesta região é familiar: a casa dos vizinhos, as calçadas na rua, a pracinha do bairro ou até mesmo a padaria. Por algum motivo, você precisou se mudar para um lugar completamente novo e desconhecido. Qual seria a melhor maneira de aprender a se localizar nesse novo lugar? Andando e observando o novo bairro, as novas casas vizinhas, quem sabe uma nova praça. Até que em um certo momento, as coisas voltam a aparecer familiares, pois sua mente mapeou esta área. Tenha em mente que conhecer o céu, é quase a mesma dinâmica. Como catalogar e perceber o comportamento do céu sem olhar para ele com frequência? Quem tem um mapa e sabe usá-lo, não se perde.

Experimente, dentro do possível, observar o movimento do céu noturno em um mesmo ponto ao longo de um ano. Esta experiência requer uma certa dedicação se você não tiver hábito ou muito tempo de separar alguns minutos da sua noite para contemplar e observar de maneira mais atenciosa alguns detalhes do céu. Mas, aos pouquinhos, você passa a perceber algumas características, como, por exemplo, a constelação de Escorpião, que só aparece no alto do céu durante as noites de inverno. Ou, dependendo da longitude de onde você estiver, o Cruzeiro do Sul parece cumprir uma volta curta de um ponto fixo e invisível no céu — no caso, se trata do sul celestial.

Um mapa celeste é uma ferramenta imprescindível para localizar objetos no céu noturno. Para se familiarizar com ele, é necessário introduzir a observação do céu em sua rotina (Imagem: Reprodução/Marcus Penna)
Um mapa celeste é uma ferramenta imprescindível para localizar objetos no céu noturno. Para se familiarizar com ele, é necessário introduzir a observação do céu em sua rotina (Imagem: Reprodução/Marcus Penna)

A questão é que, para quem começa do zero, qualquer observação já é válida. E não existe lugar para a pressa: paciência é uma ferramenta fundamental para se tornar um astrônomo amador. Calendários com os principais eventos astronômicos do ano são uma ótima maneira de você se programar para observar cada um destes eventos, incluindo conjunções planetárias, ocultações ou as várias chuvas de meteoro que ocorrem ao longo do ano. Outro ótimo exercício é observar os ciclos da Lua ao longo do mês: aos poucos, começamos a entender o movimento dela ao redor da Terra, e como isso afeta diretamente nosso planeta; a exemplo, as marés no oceanos.

Informações corretas

Insituições voltadas para observações astrômicos ou clubes de astronomia são fontes ideias para adquirir boas informações e dicas (Imagem: Reprodução/Observatório Nacional)
Insituições voltadas para observações astrômicos ou clubes de astronomia são fontes ideias para adquirir boas informações e dicas (Imagem: Reprodução/Observatório Nacional)

Não confunda um entusiasta da astronomia com um astrônomo amador. Entusiastas normalmente são pessoas que gostam daquele assunto, mas dificilmente se aprofundam sobre ele. A astronomia amadora exige tempo e dedicação, pois não basta apenas olhar para o céu. Nessa jornada, estudar é uma das ferramentas mais importantes, pois é a combinação da prática da observação com o conhecimento científico e técnico do céu noturno que trará bons resultados.

Para quem nunca ouviu sobre poluição luminosa, eis uma ótima chance de aprender sobre esse assunto, pois este é um fator que interfere diretamente na qualidade de observações do céu. Poluição luminosa nada mais é do que o excesso de luz artificial em uma área. Nos centros urbanos, os astros e estrelas são ofuscados pela grande concentração de luz que as cidades emitem. A luz, por sua vez, reflete na atmosfera — nas nuvens ou na poluição presente no ar.

(Imagem: ALMA Observatory)
(Imagem: ALMA Observatory)

O nível de poluição luminosa é determinado pela Escala de Bortle, que é uma escala numérica de nove níveis criada para medir o céu noturno de uma localidade específica. Seu propósito é quantificar o quão astronomicamente observável aquela região pode ser, de acordo com com a interferência causada pela poluição luminosa local.

Existem também alguns sites que fornecem dados quanto ao nível de poluição luminosa de acordo com sua localização, assim como também existem plataformas que fornecem dados sobre a qualidade do ar. Quanto menos brilho artificial e um ar mais limpo, mais visível o céu noturno se apresenta aos nossos olhos.

O mapa representa a quantidade de poluição luminosa de acorda com as localidades. Quanto menos luz artificial, melhor a observação (Imagem: Light Pollution Map/Captura de tela)
O mapa representa a quantidade de poluição luminosa de acorda com as localidades. Quanto menos luz artificial, melhor a observação (Imagem: Light Pollution Map/Captura de tela)

Além disso, é necessário buscar informações nas fontes certas. Por exemplo, as chamadas "chuvas de meteoros" por vezes deixam muita gente frustrada ao perceber que, na realidade, este é um fenômeno que, dependendo do grau de atividade, proporciona apenas algumas "estrelas cadentes" no intervalo de alguns minutos. Tem quem pense que se trata de, literalmente, uma chuva de estrelas cadentes. Procure informações direto nas fontes: observatórios de meteoros, planetários, observatórios, agências espaciais ou grupos de astronomia.

Ferramentas adequadas

O software Stellarium Web é gratuito e fornece uma grande variedade de informações para estudos do céu (Imagem: Stellarium Web/Captura de tela)
O software Stellarium Web é gratuito e fornece uma grande variedade de informações para estudos do céu (Imagem: Stellarium Web/Captura de tela)

Os aplicativos de celular são bem válidos para ajudar na orientação do céu noturno — são as cartas celestes modernas. Além de serem simples de usar, fornecem informações básicas que complementam a observação. Ainda tem programas de computador que simulam o céu e são ideias para um passeio pelo céu com mais detalhes e informações — alguns possibilitam acelerar o tempo de modo que seja possível perceber a mudança do céu ao longo do ano.

Existem também as ferramentas mais tradicionais, como binóculos ou telescópios. Para quem está na fase inicial, o mais indicado é o binóculo. Ao alcançar uma compreensão mais apurada do céu noturno, este é o momento de avançar para o telescópio — mais complexo de usar do que as outras ferramentas. Astrônomos amadores de longa data costumam indicar uma experiência mínima de dois anos antes de comprar um, por sinal. Isso porque o campo de visão dos telescópios é bem pequeno, então uma pessoa leiga encontrará muita dificuldade para explorar o céu de maneira proveitosa.

Astrônomos amadores de longa data indicam um tempo mínimo de dois anos de observações e estudos sobre o céu antes de comprar um telescópio (Imagem: Reprodução/claudioventrella/Envato)
Astrônomos amadores de longa data indicam um tempo mínimo de dois anos de observações e estudos sobre o céu antes de comprar um telescópio (Imagem: Reprodução/claudioventrella/Envato)

Caminho sem volta

Estas são apenas algumas dicas que podem orientar sua busca por conhecimentos astronômicos na tentativa de se tornar um astrônomo amador. É uma combinação de tempo e dedicação. Aos poucos, você passa a reconhecer estrelas e planetas de forma tão natural quanto apontar para a Lua durante a noite.

No mais, sempre haverá uma nova descoberta incrível sobre o universo para aprender — e pode ter certeza que o cosmos sempre dá um jeito de nos surpreender. Como já disse Carl Sagan: "é muito melhor compreender o universo como ele realmente é do que persistir no engano, por mais satisfatório e tranquilizador que possa parecer". Para ser um astrônomo amador, basta se empenhar neste caminho de constante busca pelo conhecimento.

Fonte: Canaltech

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