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Como se sabe a idade da Terra? Meteoritos ajudaram nessa missão!

Daniele Cavalcante
·3 minuto de leitura

Se compararmos a idade da Terra com o tempo em que a humanidade caminha sobre ela, podemos dizer que estamos por aqui há pouquíssimo tempo. Nosso planeta já era muito antigo quando as primeiras formas de vida surgiram, e levou ainda muito mais tempo até que seres humanos começassem a fazer fogo. Mas qual a idade real da Terra? Como podemos calcular isso?

Bem, existem métodos que permitem aos cientistas descobrirem a idade de objetos, como rochas, por exemplo. Essa é uma ótima maneira de saber a idade do planeta, já que ele é nada mais do que uma bola rochosa com um punhado de água. Se podemos escolher um tipo de objeto que possa ser tão antigo quanto a própria Terra, teria que ser algum tipo de rocha. A missão então é encontrar a pedra mais antiga possível.

Ilustração mostra como os protoplanetas rochosos se formaram a partir de um disco de poeira ao redor do Sol (Imagem: Reprodução/Jack Cook)
Ilustração mostra como os protoplanetas rochosos se formaram a partir de um disco de poeira ao redor do Sol (Imagem: Reprodução/Jack Cook)

O problema é que a superfície da Terra é muito dinâmica, com todos os seus processos de placas tectônicas chocando-se entre si, alterando as rochas e reciclando a Terra ao longo de sua história. Isso faz com que até mesmo as rochas mais resistentes sofram alterações que comprometem as análises químicas que podem determinar suas idades. E não é possível, por enquanto, cavar o suficiente para coletar material abaixo da crosta terrestre.

Ainda assim, existem rochas no Canadá que estão entre as mais antigas já encontradas na superfície, com idade estimada em 4,28 bilhões de anos. Mas elas ainda não nos levam ao ponto de onde tudo começou. Queremos saber há quanto tempo a Terra nasceu, e não quando ela já estava formada. Para isso, ironicamente, precisamos olhar para fora do nosso planeta.

Podemos dizer que a Terra é mais antiga que 4,28 bilhões de anos apenas olhando para a Lua. É que as rochas de lá datam de cerca de 4,4 a 4,5 bilhões de anos. Mas a Lua é mais jovem que nosso planeta — o satélite natural provavelmente se formou a partir de uma colisão entre o então protoplaneta Terra e um outro planeta menor, chamado Theia. Então, temos que olhar para rochas ainda mais antigas que a Lua.

Alguns meteoritos são muito úteis nessa missão. Assim como a Terra, eles se formaram a partir de uma nuvem de poeira que girava ao redor do Sol, no início do Sistema Solar. Essa poeira começou a se aglutinar, formando pequenas rochas. Então, essas rochas colidiram entre si, formando rochas cada vez maiores. Esses pedregulhos são chamados de “blocos de construção”, pois, a partir deles, se formaram os protoplanetas.

Um fragmento do meteorito Murchinson, que caiu na Austrália em 1969 (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)
Um fragmento do meteorito Murchinson, que caiu na Austrália em 1969 (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Em 1969, o meteorito Allende caiu no México, e os cientistas o dataram em 4.567 bilhões de anos. Ele é do tipo condrito carbonáceo, exatamente o tipo de material que provavelmente se formou durante o início do Sistema Solar, quando as pedrinhas começaram a se aglutinar. Isso significa que, há cerca de 4.500 bilhões de anos, o “bebê Terra” talvez já estivesse girando ao redor do Sol, mesmo que ainda fosse apenas um bloco de construção.

Os cientistas ainda estão tentando descobrir quanto tempo levou para que a nuvem de poeira começasse a formar os primeiros blocos, mas os estudos já sugerem que pode ter levado pouco tempo — apenas algumas dezenas de milhões de anos.

Podemos também descobrir a idade de coisas ainda mais antigas, e não estamos muito longe disso. Um estudo recente do Proceedings of the National Academy of Sciences analisou partículas de poeira em um meteorito que caiu na Austrália em 1969, e as análises sugerem uma idade de até 7 bilhões de anos. Essa poeira seriam restos de outras estrelas que estavam por aí antes mesmo de o nosso Sol começar a nascer!

Fonte: Canaltech

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