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Como se preparar para a inevitável disparada da volatilidade

Joanna Ossinger
Como se preparar para a inevitável disparada da volatilidade

(Bloomberg) -- Baixa volatilidade parece algo positivo nos mercados. E pode ser, a menos que esteja mascarando ou ignorando problemas. O verdadeiro truque é se preparar para um fim que pode ser rápido e desagradável.

“A volatilidade raramente aumenta pouco a pouco. Tende a aumentar quando a narrativa de alta do ciclo final sai dos trilhos”, disse Peter Cecchini, da Cantor Fitzgerald, por e-mail.

As oscilações de preços dos ativos estão excepcionalmente baixas agora, com os principais bancos centrais exibindo relativa clareza em suas políticas monetárias, sinais de que as medidas de estímulo da China estão funcionando e de que o crescimento econômico global parece estar perdendo força, mas não encolhendo. O índice MOVE, que mede a volatilidade dos Treasuries, não está longe do recorde de baixa de 20 de março, enquanto o Índice de Volatilidade Global FX, do JPMorgan, caiu para os menores níveis desde 2014. O Índice de Volatilidade Cboe, ou VIX, atingiu o menor patamar desde outubro na sexta-feira.

Mas Andrew Sheets, do Morgan Stanley, é um dos estrategistas que avisam que a calma não vai durar para sempre.

"Se o Fed continuar ‘dovish’ e os dados enfraquecerem, a volatilidade vai aumentar", disse Sheets. “Se os dados melhorarem e os bancos centrais estiverem efetivamente dizendo ‘não vamos apertar diante da melhora dos dados’, isso não geraria um comportamento de maior exposição ao risco? Isso também seria volátil."

Em fevereiro houve um exemplo de um movimento que pegou os mercados de surpresa. O VIX permaneceu em um nível excepcionalmente baixo ao longo de 2017, levando os investidores a uma falsa sensação de complacência. Quando a volatilidade aumentou durante uma onda vendedora - o VIX disparou, fechando em 37,32 em 5 de fevereiro -, deixou alguns produtos de volatilidade com posição vendida quebrados sem possibilidade de conserto.

Potenciais gatilhos para oscilações de preços incluem fatores como o agravamento das relações comerciais globais, um retorno das altas dos juros pelo Federal Reserve, uma desaceleração econômica ou um choque geopolítico.

A liquidez também é citada como preocupação por Sheets, Marko Kolanovic, do JPMorgan Chase, e estrategistas do Société Générale liderados por Vincent Cassot, que afirmam que a baixa liquidez deve piorar a volatilidade quando os sinais de problemas começarem a surgir.

Então, a pergunta é o que fazer com esse salto quase certo da volatilidade.

“Posições de volatilidade relativa são o caminho, até que um lado finalmente capitule”, escreveram os estrategistas do SocGen. Eles recomendam diversificar as posições com o setor de tecnologia, consumo discricionário, industriais e serviços públicos, já que esses setores tendem a apresentar aumentos maiores da volatilidade durante períodos de baixa. Também sugerem uma posição comprada de volatilidade na libra esterlina/dólar norte-americano e uma posição vendida de volatilidade no FTSE 100, já que a moeda provavelmente será mais afetada pelo resultado do Brexit.

--Com a colaboração de Rita Nazareth.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Marisa Castellani, mcastellani7@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Joanna Ossinger em Cingapura, jossinger@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Christopher Anstey, canstey@bloomberg.net, ;Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net, Teo Chian Wei, Ravil Shirodkar

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