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Quer aliviar as finanças? Descubra como renegociar suas dívidas

Foto: Getty Images

Por Breno Damascena (@brenobueller)

Além da ceia de Natal, dezembro traz consigo as compras de final de ano, confraternizações e o planejamento da viagem de férias. No horizonte, já dá para enxergar o IPVA, IPTU, material escolar e outras contas sazonais. Não é raro, portanto, que o décimo-terceiro pareça pequeno demais para tantos estímulos e as pessoas sejam engolidas pela endividamento. Para que este buraco não se torne cada vez mais fundo e o problema fique irreversível, é essencial renegociar essas dívidas. 

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Atualmente, 65,1% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em novembro. O levantamento apontou que 24,7% destas famílias são inadimplentes, ou seja, com dívidas ou contas atrasadas. E 10,2% delas declararam não ter condições de pagar o débito.

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Ao passo que o Brasil ocupa o 8º lugar em ranking do Banco Central com os maiores juros do mundo, entende-se porque, de acordo com levantamento da fintech de crédito Creditas, 71% das pessoas ficam apreensivas quando não pagam as contas. “Uma parcela grande da população acha que é impossível quitar as dívidas”, comenta Fabio Zveibil, VP de Desenvolvimento de Negócios da Creditas. 

“O brasileiro tem acesso fácil às piores taxas de juros do mundo. É muito simples pegar um cheque especial, por exemplo. Dessa forma, a pessoa simplesmente incorpora no orçamento habitual dela uma dívida de quase 15% de juros ao mês”, explica Fabio. E o número de endividados pode chegar a 63 milhões de pessoas, segundo pesquisa apresentada  no início do ano pela CNDL e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, diz que, depois do desemprego e da queda na renda, o principal motivo para as pessoas estarem com dívidas é o descontrole financeiro. “Assim que o gasto for realizado é preciso manter uma atenção permanente àquela dívida. Caso não caiba no orçamento, a pessoa precisa negociar o quanto antes. Nem espere os feirões de renegociação, pois neste intervalo incidem muitos juros e o valor vai aumentar”, justifica. 

Ela explica que qualquer tipo de dívida pode ser negociada, mas a primeira atitude a ser tomada é a organização das finanças. “Verifique efetivamente quanto ganha, quanto gasta e quanto deve”, aconselha Marcela. Para Fábio, também é obrigatório colocar esses passivos no papel e ter clareza do orçamento pessoal para, enfim, consultar as alternativas que vão de encontro às possibilidades do devedor. 

“Deve-se procurar no mercado meios para contornar essas dívidas. Um empréstimo pessoal ou consignado com taxa de juros baixa podem ser boas opções, ou até empréstimo com desconto em folha de pagamento, que muitas pessoas nem sabem que têm direito”, enumera Fábio. “É possível pegar um empréstimo com taxa de juros abaixo de 2% para pagar um passivo com a taxa de 20%. Vale a pena transformar essa dívida”, exemplifica.

Fabio acredita que grande parte da população não busca outros caminhos por pura falta de conhecimento. “A Home Equity [empréstimo com imóvel em garantia], por exemplo, tem taxa de juros a partir de 0,9% ao mês mais o IPCA”, comenta. “É fundamental se informar das possibilidades no mercado e produtos de créditos, utilizar comparadores e consultar alternativas para tomar a melhor decisão”, alerta. 

Neste momento de negociação, é possível até diminuir o preço da dívida, como explica Marcela. “Às vezes, o custo de cobrar aquele valor pode nem valer a pena para o credor, mas são raríssimas exceções”, elucida. Ao invés disso, o objetivo deve ser fazer com que a dívida cresça mais devagar. “Com a análise correta, considerando o valor final e os juros que estão incidindo, a dívida pode se tornar menor e o desconto bem significativo”, esclarece. 

Ela diz que o credor dificilmente se sensibiliza com argumentos que a pessoa possa dar no momento da negociação. “Falar que perdeu o emprego pode até gerar empatia, mas, no fim, o que ele se importa mesmo é com os números”. Desta forma, Marcela alega ser indispensável ter um direcionamento real das metas almejadas, além de buscar informação e fazer um planejamento financeiro. 

“Se parcelar a dívida em 10 vezes, a pessoa precisa se planejar para os próximos 10 meses. Talvez até verificar a possibilidade de vender um carro, moto ou algum bem, mas impreterivelmente tem que caber no orçamento. Não adianta o preço ser baixo se mesmo assim a pessoa não vai conseguir pagar”, explica. E quando a dívida finalmente for paga, acrescenta, é importante analisar aquele período que passou endividado. “Entenda por quais motivos aquilo aconteceu e se esforce para que não se repita”, finaliza. 

Por isso, além de ler o contrato conscientemente e se atentar para os números miúdos, Fábio considera ser primordial mudar a mentalidade. “Com a queda da taxa selic e o crédito mais fácil ao consumidor, dívidas tendem a surgir. Temos uma geração de pessoas que foi mal educada em relação a dinheiro, por isso antes de tomar a decisão de negociá-la é essencial cortar velhos hábitos”, assinala Fabio.