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Como as reações do Facebook se tornaram parte do problema da rede social

·3 min de leitura

As reações do Facebook podem parecer inofensivas, afinal os emojis são apenas formas de se expressar perante uma publicação ou um comentário feito na rede social. Porém, há algo de mais especial (talvez até perverso) sobre os emojis: o algoritmo da plataforma supostamente encarava essas interações com mais importância do que os likes, e isso gerou muitos problemas sérios — incluindo o aumento de toxicidade e circulação de notícias falsas.

Essa conclusão partiu de uma análise sobre os documentos vazados pela ex-funcionária do Facebook, Frances Haugen, que impulsionou toda a confusão recente sobre a abordagem “lucros acima de saúde mental” da empresa de Mark Zuckerberg. As reações chegavam a ser tratadas com até “cinco vezes mais valor” do que os likes tradicionais, aponta o The Washington Post.

As reações do Facebook eram tratadas com até cinco vezes mais importância que os likes, mesmo que representem emoções distintas (Imagem: Reprodução/Facebook)
As reações do Facebook eram tratadas com até cinco vezes mais importância que os likes, mesmo que representem emoções distintas (Imagem: Reprodução/Facebook)

O princípio é bem fácil de entender: quanto mais reações, maior o potencial de engajamento de uma publicação. O que o algoritmo de entrega não entendia é o contexto de cada emoji, mesmo que representassem algo negativo — os de raiva, por exemplo, são reflexos de descontentamento, insatisfação, discordância e ódio. Pesquisadores da companhia rapidamente notaram esse problema, segundo documentos internos, mas a conclusão sobre esse comportamento do código só aconteceu em 2019.

Ou seja, o Facebook ficou cerca de três anos impulsionando publicações de teor questionável por causa dos emojis raivosos. E pior: eram publicações com notícias falsas, tóxicas ou com baixíssima qualidade as mais recheadas com os emojis de raiva.

De acordo com denúncia de ex-funcionária

Haugen apontou em denúncias que o Facebook colocava “lucros acima de tudo”, principalmente quando o assunto era a saúde mental dos usuários. “Raiva e ódio são a forma mais fácil de crescer no Facebook”, contou a ex-funcionária ao parlamento britânico.

A ex-funcionária Frances Haugen em entrevista para a CBS News (Imagem: Reprodução/CBS News)
A ex-funcionária Frances Haugen em entrevista para a CBS News (Imagem: Reprodução/CBS News)

Os documentos apresentados por ela mostram que os funcionários da companhia queriam levantar debates sobre o sistema de entrega de posts, mas executivos de cargos de liderança não davam muita bola para o assunto. Os colaboradores avaliavam a importância da discussão sobre a exploração da raiva como “emoção humana central”.

Polêmica pode chegar aos órgãos reguladores

A situação é tão séria que provavelmente o assunto deve ser discutido também pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). O Facebook — agora, Meta — teria mentido para investidores sobre o tratamento e preservação de usuários; a falta de transparência, portanto, violaria regras e leis de segurança do mercado, cuja regulação está nas mãos da SEC.

A empresa Facebook agora se chama Meta (Imagem: Reprodução/Facebook)
A empresa Facebook agora se chama Meta (Imagem: Reprodução/Facebook)

A própria Haugen entrou com oito denúncias contra o Facebook na SEC. O assunto, porém, ainda não parece estar sob análise no órgão regulador, mas pode ser apenas uma questão de tempo até que as denúncias chamem a atenção dele ou dos acionistas envolvidos com a Meta.

Já se passaram semanas desde que a confusão com o Facebook começou e essa não é nem de longe a primeira delas. É bem provável que os documentos revelem mais informações valiosas acerca da estratégia da rede de Mark Zuckerberg, então é importantíssimo ficar ligado no que for à tona, já que pode interferir também na possível nova regulação para as redes sociais nos Estados Unidos.

Fonte: Canaltech

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