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Como a poluição influencia a proporção de nascimentos de meninos e meninas no mundo

·4 min de leitura

Logo nas primeiras aulas de Biologia do ensino médio, aprendemos um clássico: a mãe carrega dois cromossomos sexuais, X e X, e o pai carrega um X e um Y. A combinação, em um novo embrião, de um dos cromossomos da mãe com um dos cromossomos do pai determinará o sexo da criança. Portanto, estatisticamente, deveria haver no mundo um número igual de bebês recém-nascidos do sexo masculino e feminino. Mas, na realidade, o número de meninos é um pouco maior do que o de meninas. De acordo com dados do Banco Mundial, a razão sexual global no nascimento de homens para mulheres em uma população é de cerca de 107: 100.

A fim de oferecer algumas explicações para esse fenômeno, uma equipe de cientistas fez um estudo em grande escala, tentando encontrar correlações entre vários fatores sociais e ambientais para mudanças (em ambas as direções) na razão sexual da população. Eles descobriram que fatores como poluentes químicos, desertos alimentares e aglomeração levaram a pequenas mudanças nessa proporção. Contudo, eles observam que as correlações encontradas são pequenas e que, portanto, mais trabalho precisa ser feito para avaliar a causas e efeitos diretos e explicar biologicamente por que isso pode estar acontecendo.

O sexo de uma criança é determinado na concepção, quando os cromossomos dos pais se emparelham de maneira aleatória. Portanto, é provável que as variações na proporção ocorram mais tarde, durante a gravidez, quando fatores ambientais podem moldar o destino de um embrião, explica Andrey Rzhetsky, professor de medicina e genética humana da Universidade de Chicago, e um dos autores desse estudo. O fato de mais embriões machos ou fêmeas morrerem durante a gestação – principalmente devido a abortos espontâneos – provavelmente determina a razão sexual em uma população. Em circunstâncias distintas, os embriões de um sexo morrem com maior ou menor frequência, o que pode distorcer a razão para um lado ou para o outro. “A proporção entre os sexos é determinada pelo ambiente porque alguns embriões estão morrendo espontaneamente”, diz ele. “E ainda não sabemos o porquê.”

Usando dados nacionais da Suécia e dos Estados Unidos, a equipe estudou toda a população sueca (cerca de 9 milhões) ao longo de 30 anos e metade da população norte-americana (cerca de 150 milhões) ao longo de 8 anos. Eles testaram 100 hipóteses, incluindo fatores ambientais (como a presença de mercúrio na água, de chumbo na terra e de partículas de poluição no ar) e fatores sociais (como tráfego, alto nível de densidade demográfica e “problemas relacionados à alimentação nociva”, termo que denota maior prevalência de restaurantes insalubres em uma área, como “restaurantes fast-food, lojas de conveniência e food trucks de frituras”.

Eles descobriram que alguns desses fatores produziram mais bebês do sexo masculino do que do sexo feminino, enquanto outros fatores produziram o efeito oposto. Por exemplo: poluentes como o mercúrio na água e partículas finas no ar foram associados a mais bebês do sexo masculino, enquanto o chumbo na terra se correlacionou com mais bebês do sexo feminino. A seca extrema e a taxa de mortalidade no trânsito foram associadas ao aumento do nascimento de bebês meninos; já o alto nível de densidade demográfica e prevalência de fast-food, com o aumento na proporção de bebês meninas. Em alguns grupos testados, os pesquisadores registraram uma mudança de até 4% na razão sexual, o que equivaleria a cerca de 40.000 bebês em uma população de 1 milhão.

Rzhetsky observa que essas são simples associações, que não definem causas e efeitos. Ainda assim, ele argumenta que elas são mais do que meras coincidências, dado que a proporção de sexos varia consistentemente nos EUA. Antes de mais trabalhos, o pesquisador prefere não especular muito sobre as razões que, biologicamente, provocaram essas mudanças. Ele diz apenas que já está estabelecido que fatores como o estresse podem causar interrupção da gravidez. Quando níveis elevados de hormônio do estresse são detectados, para tentar manter a mãe segura, é possível haja um mecanismo biológico que interrompa uma gravidez.

Ele também está aberto à possibilidade, como outros cientistas sugeriram, de que os fatores de estresse distorcem a sobrevivência dos gametas (as células que se unem para formar um embrião) de um sexo mais do que de outro. Nesse caso, os efeitos ambientais estariam acontecendo antes mesmo da gestação. Mas, como a formação do par de cromossomos é aleatória, Rzhetsky acredita que a teoria do aborto espontâneo é a mais plausível. Para apurar mais explicações, e para que elas sejam mais concretas, ele recomenda o prosseguimento dos trabalhos, provavelmente com ratos de laboratório, ou experimentos com tecidos de células humanas — embriões e gametas.

Uma descoberta notável, e talvez surpreendente, do estudo foi que alguns fatores que os cientistas pensaram por muito tempo que seriam os principais impulsionadores da mudança na proporção de sexos, como mudanças nas estações e na temperatura ambiente, não estavam associados a esse tipo de mudança. Tampouco foram encontradas relações com outros fatores estressantes, como crime violento ou desemprego. Ainda assim, vale lembrar que a “ausência de provas não é prova da ausência”, diz Rzhetsky, recomendando, mais uma vez, a realização de estudos mais aprofundados.

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