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'Como pode uma mãe apoiar um negócio desses?', diz pai do menino Henry após prisões

Rafael Nascimento de Souza
·3 minuto de leitura

RIO — Pai do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, Leniel Borel falou sobre as prisões da da ex-esposa, Monique Medeiros da Costa e Silva, e do namorado dela, o vereador do Rio Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), ocorridas nesta quinta-feira.Chorando muito, ele contou estar "perplexo" com o que aconteceu e acusou Monique de ter mentido.

— Como pode uma mãe apoiar um negócio desses? Meu filho falou (que estava sendo agredido) e ela disse que era mentira. Como ela apoiou isso? — disse Leniel.

Em seu perfil no Instagram, ele horas antes de saber das prisões, ele fez uma publicação em que fala dos 30 dias passados após a morte do filho: “Henry, 30 dias desde que te dei o último abraço. Nunca vou esquecer de cada minuto do nosso último final de semana juntos. Deixar você bem, cheio de vida, com todos os sonhos e vontades de uma criança inocente”, diz um trecho da mensagem.

"Desculpe o papai por não ter feito mais, lutado mais e protegido você muito mais”, diz a mensagem. Por fim, o pai do garoto de 4 anos colocou frase de um Salmo: “Confiamos que Deus fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia”.

Monique e Jairinho foram presos em Bangu, na Zona Oeste do Rio.Após um mês de investigação, a polícia concluiu que o vereador agredia o enteado, e que a mãe da criança sabia disso — pelo menos desde o dia 12 de fevereiro. De acordo com as investigações, Jairinho dava bandas, chutes e pancadas na cabeça do menino. Ele, Monique e a babá do menino teriam mentido quando disseram que a relação da família era harmoniosa. Jairinho e Monique foram encontrados na casa de uma assessora do vereador.

O laudo de necropsia aponta que o menino teve hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente, e que o corpo da criança apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões. Peritos ouvidos pelo GLOBO afirmam que os ferimentos não são compatíveis com um acidente doméstico. Um alto executivo da área de saúde afirmou ter sido contactado por Jairinho para agilizar a liberação do corpo sem o encaminhamento para o Instituto Médico Legal (IML), no Centro da cidade.

Contra o casal foram cumpridos mandados de prisão temporária por 30 dias, expedidos pela juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri da capital. A polícia monitorava a casa onde o casal estava desde a última segunda-feira. Nesta quinta-feira, os agentes descobriram que eles não dormiram na residência. Dr. Jairinho e Monique foram levados para a 16ª DAo longo das investigações, o delegado Henrique Damasceno ouviu outras 16 testemunhas no inquérito, entre familiares, vizinhos e funcionários da família. Uma ex-namorada de Jairinho relatou que ela e a filha, de 3 anos à época, sofreram agressões do parlamentar. A ex-esposa, a dentista Ana Carolina, chegou a registrar ocorrência contra ele por lesão corporal, mas dias depois desistiu.