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Pais de pré-adolescentes: como orientar seu filho a usar as redes sociais

Ava Freitas
·4 minutos de leitura
Redes sociais e seus males (foto: Getty Images)
Redes sociais e seus males (foto: Getty Images)

Sabe todas aquelas recomendações que você deu para seu filho pré-adolescente ao deixá-lo, pela primeira vez, sair na rua sozinho? Pois bem, elas têm de ser repetidas – ainda que de forma adaptada – quando ele começa a usar as redes sociais.

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“A recomendação que você faria em um ambiente físico – como não falar com estranhos e agir com respeito – valem para o digital. Ambos são ambientes públicos”, afirma Kelli Angelini, gerente jurídica do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade civil sem fins lucrativos que implementa decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil, comitê multissetorial formado por representantes do governo, academia e sociedade civil.

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Idade mínima

Mas antes das orientações propriamente ditas sobre como usar as redes sociais, você precisa se assegurar que ele tem a idade mínima exigida pela plataforma da qual quer fazer parte. “Em geral, é 13 anos, mas isso não significa que seu filho de 13 tenha maturidade. O que acontece é que o número deriva de uma lei americana – país de origem da maior parte das plataformas. Naquele país, antes disso, é ilegal ter os dados de uma pessoa”, explica Kelli.

Para a pediatra Gabriella Erlacher Lube, membro do Departamento de Saúde Mental da Sociedade Paulista de Pediatria, se os adultos cedem e permitem que o filho que não tem a idade mínima exigida se inscreva na rede social passam uma mensagem errada sobre o comportamento esperado dele naquele ambiente. “O que vale mesmo é a maturidade. Se os pais sentem que o filho não está preparado, o melhor é retardar ao máximo esse contato”, diz a especialista.

Diálogo sempre

Observada a idade mínima e a maturidade, o próximo passo é acompanhar como esse pré-adolescente usa as redes e com quem interage nelas. Como fazer isso? Com muita conversa no dia a dia e observando-o em ação.

“No começo, vale sentar do lado e ensinar mesmo como usar”, afirma Gabriella. Aproveitando para dar dicas como não conversar nem adicionar pessoas que não conhece fisicamente, não compartilhar informações pessoais – como endereço de casa e da escola –, não postar determinadas fotos – como as que expõem o corpo –, desconfiar do que lê por causa da existência de perfis fakes... Todas aquelas orientações que você já deu ou dá na vida real, acrescidas de outras válidas para a internet.

Uma delas é não usar do fato de estar atrás de um computador para fazer qualquer coisa. “Há registros técnicos que conseguem identificar quem praticou o quê nas redes sociais”, diz Kelli. E é importante deixar claro para o filho que há punições previstas em lei.

Estimular o pensamento crítico

“Alguns pais se sentem acanhados de instruírem os filhos, seja porque não usam as redes sociais ou usam muito pouco. Digo para não se sentirem assim. Eles têm uma coisa importante que o pré-adolescente não tem: discernimento, saber que qualquer ação tem uma consequência”, diz Kelli. O ideal é ter um perfil na mesma rede social que o pré-adolescente. Não tendo, há que se intensificar as conversas.

Os adultos podem pegar como ganchos matérias publicadas na imprensa sobre determinados acontecimentos on-line, como casos de cyberbulling ou outros mais graves como o vídeo de um suicídio que viralizou no TikTok, a rede preferida dos pré-adolescentes no momento. “Você precisa estimular seu filho a ter pensamento crítico e prepará-lo para alguns assuntos que podem chegar até ele”, diz Kelli, do NIC.br.

Pais como modelo de comportamento

Kelli alerta que os adultos também não devem esquecer que, mais do que orientar, é o comportamento deles que serve como modelo para o filho. “Se o pai ou a mãe não age com respeito nas redes sociais, não podem esperar que o pré-adolescente aja diferente deles.” O mesmo vale para regras como não usar o celular durante as refeições se os próprios adultos levam o aparelho para a mesa.

Por fim, a polêmica das senhas. Ter ou não o código de acesso à rede social é uma decisão muito particular de cada família. “Há aquelas que consideram invasão de privacidade. Há outras que têm. O que vale para todo mundo é a importância de usar senhas fortes – que envolvam letras, números e caracteres especiais – e ensinar que não se compartilha essa informação nem com melhores amigos”, fala Kelli.