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Como o streaming instaurou sua era na última década

Natalie Rosa

Uma das evoluções tecnológicas mais marcantes dos últimos 10 anos vem acontecendo no mundo do streaming. Em poucos anos, vimos as locadoras de VHS e DVDs se dissolvendo, as lojas de CDs não sendo tão visitadas assim e cada vez mais pessoas consumindo entretenimento de maneira mais acessível.

A era do streaming, sem dúvida alguma, se instaurou na década que chegou ao fim e a tendência para os próximos 10 anos é de uma aceleração nessa evolução, que ano após ano se mostra mais forte e constante.

Graças a sua acessibilidade, o streaming também chegou para combater a pirataria, oferecendo uma plataforma que, mesmo sendo paga, traz ao assinante uma vasta de biblioteca de filmes, séries e documentários. Ao contrário do ato de fazer download desses títulos, não é preciso se preocupar com buscas do arquivo em si e legenda, no caso de conteúdos visuais, economizando um bom tempo do usuário no total.

Imagem: Reprodução

Da Netflix até o infinito

A Netflix, que no início de suas atividades funcionava como um serviço que enviava filmes alugados em DVD para a casa das pessoas pode ser considerada o marco inicial do mundo do streaming de filmes e séries que conhecemos hoje.

A plataforma começou a disponibilizar títulos por streaming ainda em 2007 e hoje é uma gigante da tecnologia e do entretenimento que já conta com mais de 158 milhões de assinantes em todo o mundo. Não satisfeita em apenas distribuir conteúdos de terceiros, a empresa também começou a investir fortemente em produções próprias. Somente em 2019 mais de US$ 12 bilhões foram aplicados nesse mercado. Essa decisão vem atraindo roteiristas, produtores e diretores de sucesso, que estão apostando fortemente nessa mudança.

No Brasil, já contamos com várias plataformas de streaming e vídeo sob demanda além da Netflix, como o HBO GO, Telecine, Crackle, Google Play Store, iTunes, Amazon Prime Video, entre outros. Essa diversidade é ainda maior na gringa e logo vai ser difícil acompanhar tudo o que queremos.

Em 2019, duas grandes novas plataformas surgiram no mercado: a Apple TV+ e o Disney+. O serviço de streaming de filmes e séries da Apple chegou por aqui com um preço competitivo, custando apenas R$ 9,90 mensais, mas trazendo poucas opções de conteúdo, ao menos por enquanto.

Já o Disney+ ainda não desembarcou no Brasil, mas já é um grande reflexo da dominação dessa era. Além de disponibilizar ao assinante conteúdos originais da própria Disney, ele conta com títulos de empresas adquiridas pela companhia no catálogo. São filmes e séries da Pixar, da saga Star Wars, filmes da Marvel, todas as 30 temporadas de Os Simpsons, entre várias outras produções.

The Mandalorian, disponível do Disney+ (Imagem: Divulgação/Disney)

Em maio de 2020, outra opção vai chegar trazendo novas programações de sucesso: o HBO Max. A nova plataforma de streaming terá filmes, séries e documentários da Warner, como Friends e South Park; produções próprias em projetos com grandes astros de Hollywood, como Reese Whiterspoon e Greg Berlanti; e muito, mas muito mais.

Também chega em 2020, provavelmente sem desembarcar no Brasil, a plataforma de streaming Peacock, na NBCUniversal, que vai levar ao público todas as temporadas das séries The Office e Frasier, filmes como Velozes e Furiosos, Meu Malvado Favorito, uma regravação da clássica Battlestar Galactica, entre outros títulos.

Outra evolução dentro do mercado de streaming que marcou a década foi a inclusão de conteúdo próprio das plataformas nas premiações, mostrando ao mercado que essas empresas também fazem produções de qualidade e que merecem o reconhecimento.

O filme Roma, da Netflix, foi premiado com três Oscars, e o documentário Icarus, também da companhia, ganhou estatueta, enquanto vários outros títulos já receberam indicações, como Orange is the New Black, Sense8, Narcos, Stranger Things, The Crown, entre vários outros.

Roma (Imagem: Divulgação/Netflix)

Streaming também se instaurou na música

Além das plataformas de streaming de vídeos e séries, a última década também foi marcada pelo streaming de música. Em poucos anos, as pessoas pararam — parcial ou completamente — de se preocupar em fazer o download de músicas e discografias e mover esses arquivos para o smartphone ou aparelhos de reprodução, como iPods, para optar pela evolução.

Por um valor mensal, é possível ter acesso a milhões de títulos dos mais variados artistas, de todas as categorias, apenas com o download de um aplicativo. Aqui no Brasil o mercado começou com o Deezer e o Spotify, e hoje temos muitas outras opções como Apple Music, Amazon Music e TIDAL, por exemplo.

Junto com a era do streaming de música também surgiu a confusão com gravadoras e artistas que não entendiam muito bem o que estava acontecendo. Entre elas estava Taylor Swift, uma das cantoras pop mais famosas do mundo. Depois de não permitir que sua discografia fosse disponibilizada no Spotify, foi preciso muitas reuniões e acordos para atrair os artistas para as plataformas de streaming, geralmente envolvendo o pagamento de royalties melhores.

Taylor Swift (Imagem: Reprodução)

Passado um bom tempo, seja pelo acordo ou simplesmente pelo fato de que não há mais como fugir, os álbuns de Taylor Swift voltaram a ser disponibilizados em todos os serviços de streaming.

Não há como negar que o streaming rapidamente se instaurou de vez e deixou de ser uma novidade ainda em desenvolvimento para algo concreto, deixando o conteúdo quase que literalmente na palma na mão dos usuários. A porta já foi aberta e todo mundo entrou, difícil vai ser sair.

Fonte: Canaltech

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