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Como o Soldado Invernal nasceu nas HQs e por que seu criador está descontente?

Claudio Yuge
·13 minuto de leitura

Estamos na segunda semana de exibição de Falcão e o Soldado Invernal e, embora o Bucky Barnes tenha os principais pontos de sua trajetória amplamente conhecidos pelos fãs do Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês), muita gente não sabe exatamente como foi seu tortuoso caminho pelos quadrinhos. O personagem é um “filho querido” de um talentoso roteirista Ed Brubaker, que não anda muito contente com o que a Marvel Studios vem fazendo com o personagem na série do Disney+.

Além disso, a criação do Soldado Invernal tem bastante a ver com o período de retomada dos quadrinhos de super-heróis nos anos 2000, após uma década de decadência nos anos 1990, que levou a Marvel Comics à falência. E o crescimento do personagem na editora conectou-o a sagas importantes e a um papel que até então era do Nick Fury original — bem, o Nick Fury atual das revistas, assim com o das telonas, é bem diferente do espião criado nos anos 1950.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Mas como o Bucky deixou de ser um garoto que servia apenas como suporte nas histórias do Capitão América nos anos 1940 para se tornar um assassino treinado, que inicialmente era um vilão? E como foi o processo de gestação e desenvolvimento desse personagem? Como ele se tornou importante para a integridade do Universo Marvel nos quadrinhos? E por que ele tem esse nome?

Bem, fiquem tranquilos, o Canaltech responde a todas essas questões logo abaixo. Sempre lembrando que o texto abaixo pode trazer spoilers sobre algumas tramas dos quadrinhos da Marvel Comics e das produções dos filmes e séries da Marvel Studios.

Vida e morte do parceiro mirim do Capitão América

Entre os anos 1930 e 1950, durante a Era de Ouro de Quadrinhos, o “boom” de publicações do gênero ampliou a leitura das tiras de jornais para as revistas, que passaram a se multiplicar nas bancas de revistas. As publicações encantaram os leitores infantojuvenis e, como forma de atrair mais crianças e adolescentes, as editoras começaram a incluir “heróis mirins”, os famosos sidekicks, para fazer companhia às criações mais populares — bem, é mais fácil seduzir fãs quando eles podem se ver nas histórias, certo?

Então, logo na primeira edição de Captain America Comics, em março de 1941, James Buchanan Barnes, ou Bucky, já surgia como um aliado de Steve Rogers no combate ao crime e aos nazistas, pelas mãos da lendária dupla Joe Simon e Jack Kirby. E como o garoto se tornou um lutador tão ágil, mesmo ainda com tão pouca idade? Bem sua origem conta que ele sempre foi uma criança “difícil”, que passou boa parte de seu crescimento em bases do exército — vale destacar que, na época, ninguém ligava muito para “explicar” esse processo com detalhes. Mas, afinal, não haviam adolescente sendo alistados também para a guerra?

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Bucky fez bastante sucesso e esteve em muitas edições ao lado do Capitão América. Ele até mesmo fez parte de um time de “sidekicks” na revista Young Allies, quando a Marvel Comics ainda se chamava Timely Comics. Mas, conforme a onda dos parceiros mirins ia diminuindo, a editora passava a usar menos o personagem, como quando ele foi gravemente ferido em Captain America Comics #66, de 1948. Já nos anos 1950, tanto o Capitão América quanto Bucky caíram no esquecimento, devido à queda das publicações do gênero, impiedosamente caçadas pela censura do infame Comics Code Authority.

Bem, já em meados de 1960, os quadrinhos de super-heróis voltavam a fazer sucesso e a Marvel Comics reviveu um personagem que era um ícone dos tempos de guerra, justamente para liderar uma equipe — os Vingadores. Assim, o Capitão América retornava à vida, após passar um tempo em coma no gelo. Mas, e o que teria acontecido com Bucky?

Ele eventualmente apareceu, mas somente em flashbacks, em “aventuras perdidas” do passado com o Capitão América. A explicação dada na época foi que Steve Rogers e Bucky foram substituídos pelo governo dos Estados Unidos por pessoas parecidas, enquanto eles realizavam “missões secretas”, por assim dizer. E a despedida de Bucky, que não se encaixava mais em um cenário em que os parceiros mirins não faziam mais tanto sucesso, foi em uma aparecente morte na Segunda Guerra Mundial, mostrada em The Avengers #56, de 1968.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Bucky permaneceu morto nos 40 anos seguintes e, vez ou outra, esse fato funcionava como um recurso narrativo para as tramas de Steve Rogers, na forma de um trauma semelhante ao de Bruce Wayne com o assassinato de seus pais. Até que, em meados de 2000, tudo mudou com a chegada do misterioso Soldado Invernal.

A paixão de Ed Brubaker por Bucky

É impossível falar do Soldado Invernal sem citar o nome do roteirista Ed Brubaker, nascido em 1966. Quando era criança, o aspirante a escritor era grande fã da Marvel e de Bucky. Assim como o herói mirim, Brubaker havia crescido em uma base do exército, já que é filho de um ex-oficial da inteligência da Marinha norte-americana. Uma de suas diversões da difícil infância na Baía de Guantánamo era ler quadrinhos, principalmente os do Capitão América — e em especial as aventuras de Bucky.

“Eu era um pirralho da Marinha e ele um pirralho do Exército”, disse Brubaker, em entrevista à Vulture, em 2016, quando o personagem já fazia sucesso, após aparecer em Capitão América: O Soldado Invernal e de estar em evidência na trama de Capitão América: Guerra Civil. O escritor disse que a morte de Bucky, que foi representada em apenas alguns quadros, sem nem mesmo uma explicação mais detalhada, deixou-o chocado. “Eu era um garoto de 9 anos e fiquei horrorizado.”

“Desde que eu tinha provavelmente 9 ou 10 anos de idade, já planejava maneiras de trazer Bucky de volta nos meus cadernos de desenho. Acho que a ideia de que Bucky foi capturado pelos russos e usado como inimigo contra os Estados Unidos foi algo que tive durante a Guerra Fria, ainda criança, em meados dos anos 1970. Mesmo quando criança, eu tinha um bom senso de estrutura dramática, aparentemente”, comentou. Ele sabia que, para tirar a maior tragédia da vida do Capitão América, seria preciso substituí-la por outra.

Ed Brubaker (Imagem: Reprodução/Luigi Novi - Wikimedia Creative Commons)
Ed Brubaker (Imagem: Reprodução/Luigi Novi - Wikimedia Creative Commons)

Então, quando a Marvel Comics passava por uma fase de reestruturação, no início dos anos 2000, Brubaker encontrou a oportunidade perfeita de trazer aquelas ideias à vida. Já famoso por escrever histórias criminais, o roteirista foi recrutado em um período que a editora procurava por novos talentos. A ideia seria a de revitalizar a linha mensal do Capitão América, ao lado do desenhista Steve Epting.

Nessa época, trazer Bucky de volta já tinha sido discutido nos corredores da Marvel Comics pelo editor da revista do Capitão América, Tom Brevoort, e o então editor-chefe Joe Quesada. Só que a conversa morreu, até que Quesada compreendeu a paixão de Brubaker pelo personagem e retomou essa ideia. Mas, para ser aprovada, a história precisava encaixar seu retorno de maneira verossímil e convincente: como ele sobreviveu à explosão? Por que Bucky não consegue se lembrar do que aconteceu? E o que o deixou vivo por tanto tempo?

Por que Bucky se chama “Soldado Invernal”?

Antes de responder às questões anteriores, é preciso explicar uma mais óbvia, sobre seu nome, que gira em torno dos sentimentos de abandono que muitos veteranos de guerra têm com o governo dos Estados Unidos. Mas, antes de falar sobre essa “mágoa”, é preciso voltar uns séculos, até 1776, quando o político Thomas Paine, um dos cérebros na fundação do país, publicou uma série de panfletos chamada The American Crisis.

Paine condenava os “soldados de verão” que se “esquivavam do serviço de seu país”. Saltamos no tempo de novo, desta vez para o período da Guerra do Vietnã. Um grupo de veteranos de guerra, que criticava a ação dos Estados Unidos no Sudeste Asiático, organizou um evento em 1971, batizado de Investigação do Soldado Invernal — uma provocação à publicação original de Paine. John Kerry, que ainda era muito jovem emitiu um discurso inflamado, dizendo que “o país ainda não sabe, mas criou um monstro”. “Um monstro na forma de milhões de homens que aprenderam a lidar e a negociar com a violência... homens que voltaram com um sentimento de raiva e de traição que ninguém ainda percebeu”, complementou.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Isso tudo ecoou nas mãos de Brubaker durante o processo de criação do Soldado Invernal, que seria justamente um homem bom transformado em um monstro pela guerra. Para justificar seu retorno, o roteirista explicou que, quando seu avião explodiu no evento presenciado pelos Vingadores em The Avengers #56, ele caiu na água e ficou gravemente ferido, sem seu braço esquerdo e com amnésia.

Bucky foi resgatado por um oficial russo, que o colocou em um programa para se tornar um soldado. Toda vez que ele começava a se lembrar do que havia acontecido, era colocado em animação suspensa — daí a razão para ele não ter envelhecido e estar com a idade semelhante a do Capitão América quando ressurgiu como o Soldado Invernal.

A revelação do Soldado Invernal

A chegada do Soldado Invernal transformou a revista do Capitão América em uma grande trama política de espionagem, mais crua e “pé no chão” do que estávamos acostumados a ver. Para começar, vemos Steve Rogers se lembrando de como Bucky era enviado em missões secretas para assassinar inimigos — isso mesmo, um adolescente que, assim como os soldados reais, tinha que matar outras pessoas. Essa foi uma grande mudança no estilo de narrativa da Marvel, que evitava esse assunto e nem mesmo admitia que o Capitão América tinha tirado a vida de seus oponentes na Segunda Guerra Mundial.

A trama se desenrolou de forma espetacular com um mistério crescente que chegou à revelação de que o responsável por uma série de assassinatos era justamente o parceiro mirim original do Capitão América. De certa forma, o filme Capitão América: O Soldado Invernal, foi bastante fiel a essa origem, inclusive destacando o conflito político nos bastidores da SHIELD, contaminada pelos vilões da Hydra.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A edição com a revelação de Bucky foi um sucesso e teve que ir para uma segunda impressão, e as vendas das edições seguintes foram robustas. E isso também deu um novo fôlego para o Capitão América, que deixou para trás as tragédias do passado e começou a sofrer, lutar e se motivar por questões mais atuais. Aliás, o próprio Soldado Invernal se tornou o novo Sentinela da Liberdade, após a aparente morte de Steve Rogers no final da saga Guerra Civil, em 2007.

O Soldado Invernal trouxe enredos mais políticos e realistas e começou, por exemplo, a abordar assuntos como estresse pós-traumático (PSTD, na sigla em inglês), uma condição que muitos veteranos de guerra sofrem. E, para valorizar sua importância, a Marvel Comics decidiu posicioná-lo no lugar do antigo Nick Fury, o que resolveria duas questões de uma só vez.

Soldado Invernal reposicionado pela Marvel

Como todos sabemos, o Nick Fury do MCU é interpretado por Samuel L. Jackson, que, por sua vez, foi escalado devido a uma referência visual usada nas histórias de Os Supremos. Esse título, lançado pela Marvel no começo dos anos 2000, retratava os Vingadores de uma maneira muito mais realista e serviu como inspiração para a Marvel Studios na construção de uma equipe atualizada às narrativas modernas. Mas o Nick Fury original é bastante diferente de Jackson e tinha uma carreira de sucesso nas HQs.

Para explicar a substituição do Nick Fury tradicional, que já vinha sendo substituído pelo seu filho negro e muito parecido com Jackson, a Marvel lançou então a saga Pecado Original. Nela, vemos os heróis envolvidos na morte da entidade conhecida como Vigia: alguém havia assassinado a criatura e roubado seus olhos, que conseguem enxergar tudo o que acontece em várias realidades, linhas temporais e galáxias.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

No final da trama, o Soldado Invernal, que tem grande participação na trama, consegue descobrir que o verdadeiro Nick Fury está muito velho e que tudo o que vimos dele desde os anos 1940 foram versões robóticas muito parecidas com a original. Fury esteve o tempo todo em uma base na Lua, cuidando de ameaças interdimensionais e, como ele estava prestes a “aposentar-se”, precisava de um substituto. Então, ele matou o Vigia e criou um “rastro” para que alguém esperto o suficiente pudesse descobrir.

O Nick Fury original envelhecido em Pecado Original (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)
O Nick Fury original envelhecido em Pecado Original (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Pecado Original foi uma saga um tanto diferente na Marvel e trouxe a divertida e improvável parceira do Justiceiro com o Doutor Estranho, além de ter trazido o momento em que Thor se torna indigno de levantar o Mjolnir por um bom tempo. E, no final, o Soldado Invernal ficou no lugar do Nick Fury original, monitorando ameaças interdimensionais, enquanto Nick Fury Jr., mais parecido com a versão de Samuel L. Jackson, passou a ser a referência oficial nos conflitos envolvendo a SHIELD.

A mágoa de Brubaker e a atual fase ao lado do Falcão

E aí chegamos aos dias atuais, em que o Soldado Invernal se tornou um personagem tão querido e importante, capaz de protagonizar sua própria série no Disney+, ao lado do Falcão. Mas o que será que Brubaker, o criador dele, tem a dizer sobre isso? Bem, o roteirista já não tinha gostado muito de sua introdução em Capitão América: O Soldado Invernal, porque, na sua visão original, “não era uma história de vingança, mas sim de redenção”.

“Estou muito feliz por Sebastian Stan, que eu acho que é um cara ótimo para o Bucky/Soldado Invernal perfeito; e estou feliz em vê-lo finalmente conseguindo mais tempo na tela. Além disso, Anthony Mackie é incrível como o Falcão, e todos na Marvel Studios que eu já conheci (até Kevin Feige) foram nada além de gentis comigo”, disse recentemente, em seu próprio blog, um pouco após a estreia da série Falcão e o Soldado Invernal no Disney+.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics
Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Mas Brubaker se sente “deixado de lado” pela Marvel, pelo fato de ele e o desenhista Steve Epting não serem compensados financeiramente com o sucesso do personagem que criaram. “Tenho uma ótima vida como escritor e muito disso se deve ao fato de Cap e o Soldado Invernal trazer tantos leitores para meus outros trabalhos. Mas também não posso negar que às vezes fico um pouco enjoado quando minha caixa de entrada fica cheia de pessoas querendo comentários sobre o programa.”

Por isso, ele ainda não viu a atração. “Então... tenho certeza que vou assistir, e você também deveria, se for um fã do universo dos filmes da Marvel; mas provavelmente vou esperar um pouco para conferir. Então, por favor, não me envie spoilers por e-mail, mas dê muito amor a Sebastian Stan onde quer que ele esteja online”, complementou.

E, assim como acontece atualmente nas telinhas, a Marvel Comics decidiu “esquecer” um pouco a função do Soldado Invernal no papel de “monitor de ameaças interdimensionais” para se tornar o parceiro do Falcão em missões mais mundanas, após um tempo com o grupo chamado Thunderbolts. O resto, vamos acompanhando juntos, tanto no MCU quanto nas revistas da Casa das Ideias.

Fonte: Canaltech

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