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Como o Flamengo de 'outro patamar' deve terminar temporada sem título de peso

·4 min de leitura

A caminho de romper a barreira de R$ 1 bilhão em faturamento, o Flamengo ostenta, sem margem para muita dúvida, o melhor elenco da América do Sul. Goza desse privilégio com méritos: sabe identificar talentos no mercado; pode oferecer a eles projetos esportivos e financeiro atraentes; e tem habilidade para negociar. Por isso, mantém Arrascaeta e Gabigol no auge e atrai veteranos que passaram a vida na Europa, como David Luiz e Filipe Luís, e, portanto, não se metem em furadas. Esse furor para acumular medalhões, porém, não se repete em outras áreas, cuja importância dispara no mundo todo à medida que o futebol se sofistica. E ajuda a explicar como o time de outro patamar, arrasador em 2019, passou a atual temporada sem levantar uma taça de peso.

A esta altura, já se sabe do tamanho que Jorge Jesus, ao centralizar as decisões importantes em sua comissão técnica, teve nas conquistas de dois anos atrás. Também é de conhecimento geral que o português não tinha interesse em deixar um legado de clube, oportunidade desperdiçada pelo rubro-negro. Mas se não podia manter Jesus — ou ao menos parte de seu know how — permanentemente no Ninho do Urubu, a diretoria do Flamengo deveria ter aprendido outra lição: a de que investir em uma comissão técnica de alto nível e em especialistas em ciência do esporte é tão importante quanto rechear o elenco de craques. Por melhores que sejam os carros da Mercedes, é preciso entregá-los a um Lewis Hamilton.

A troca frenética de técnicos após a passagem do português é um dado objetivo o suficiente para evidenciar que algo não caminha bem — e já há algum tempo — no rubro-negro. Domènec Torrent, o sucessor de Jesus, durou pouco mais de três meses. Embora as fragilidades do trabalho dificultem a defesa do catalão, é preciso questionar a competência de quem aponta e ejeta um profissional buscado no exterior em janela tão curta. Depois, veio Rogério Ceni, que se sustentou no cargo por oito meses, respaldado pelo título brasileiro conquistado no impedimento do colorado Edenilson. Em nenhum momento, houve a segurança de que o ex-goleiro navegava mar tranquilo.

Para sair da inércia

Quando o calendário estrangulou o trabalho de Ceni, sobre quem também havia queixas em relação à condução do dia a dia no Ninho do Urubu e ao relacionamento com outras figuras do clube, a “solução” foi Renato Gaúcho — o mesmo que levara 5 a 0 de Jesus no tal 2019. Num primeiro momento, pareceu funcionar como mágica: os sorrisos nos jogadores e uma série de goleadas, nem todas coerentes com as partidas que as sediaram, chancelaram o bom gestor de vestiário.

Mas o trabalho ruiu impiedosamente numa assustadora regressão. O torcedor, que em 1980 aprendeu e em 2019 relembrou o prazer do jogo envolvente, passou a se sentir insatisfeito mesmo diante resultados positivos.

No momento mais crítico da temporada, seguinte à eliminação para o Athletico na Copa do Brasil, uma segunda crise foi deflagrada. Como uma reportagem do GLOBO mostrou, o rubro-negro, apesar da receita bilionária, perdera seus principais profissionais de ciência do esporte para rivais no Brasil e no exterior. E os repôs com substitutos de menor nível, a quem são pagos salários defasados, alguns deles abraçados pelo vínculo que possuem com jogadores ou dirigentes.

Numa decisão em jogo único, marcada por tensão e disputada em solo estrangeiro, a bola pode fazer um favor a cada um dos lados. Se tivesse sido campeão, o Flamengo não teria se redimido das escolhas ruins e de tantas atuações abaixo do mínimo. Mas o revés contra o Palmeiras, seu rival mais forte no plano econômico-administrativo já há alguns anos, aliados àqueles diante do Athletico na Copa do Brasil e do Atlético-MG no Brasileiro, facilitam o diagnóstico. É improvável que Renato Gaúcho continue no cargo, pois a torcida também já o execra. Mas este não é o movimento difícil, e sim os que virão depois.

O principal deles talvez seja reconhecer que o outro patamar não é um lugar onde se fica por inércia. A concorrência está aumentando: além do Palmeiras, agora o próprio Galo, com seus mecenas, parece pujante o suficiente para duelar a longo prazo no topo. De nada adianta o rubro-negro arrematar astros de salários milionários se toda a estrutura para ajambrá-los não acompanha as exigências do futebol jogado em alto nível.

Papel da diretoria

A diretoria do Flamengo também precisará liderar uma briga, que não é só dela, por um calendário mais razoável para o futebol brasileiro. O que inclui a paralisação dos campeonatos nacionais em todas as Datas Fifas, porque não é cabível que o clube invista dezenas de milhões em salários para disputar um terço do campeonato enquanto seus principais talentos servem às seleções — de onde por vezes retornam lesionados.

A boa notícia para o rubro-negro é que o dinheiro será cada vez mais preponderante para o sucesso esportivo. E, nessa seara, o clube nada de braçadas, o que deve colocá-lo recorrentemente na briga por títulos. O Fla também parece ambicioso o suficiente para seguir crescendo, como sugere o projeto de expansão para a Europa. Mas Rodolfo Landim, que no próximo fim de semana deve ser reconduzido para um segundo mandato na presidência, precisa equipar a estrutura do futebol de maneira mais profissional, rumo ao outro patamar de maneira definitiva.

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