Mercado fechado

Como o coronavírus afeta a urbanização de grandes cidades

Foto: Getty Images

As cidades mais populosas, como Nova York, foram as mais afetadas pelo novo coronavírus. Mas isso não significa que será o fim da urbanização, na opinião de Richard Florida, professor de economia e planejamento urbano da Universidade de Toronto e pesquisador de pandemias históricas e seu impacto sobre as cidades.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Finanças no Google News

"Estudei a história das pandemias e pragas de vários séculos, como a peste bubônica, a peste negra, a gripe espanhola e outras, e nenhuma delas prejudicou a urbanização. Nova York, Paris, Roma, etc. continuaram sendo grandes cidades”, conta Richard ao Yahoo Finanças.

Leia também

"Na verdade, acho que as cidades têm um futuro brilhante e muito interessante. Na história das crises e das pandemias, o que acaba acontecendo é que os jovens, as pessoas mais ambiciosas e os moradores de áreas rurais vão para as cidades em busca de empregos melhores."

No entanto, Richard reconhece que as áreas urbanas podem sofrer um impacto negativo a curto prazo, pois as famílias com crianças e idosos podem se mudar para áreas mais afastadas.

"Essas pessoas vão sair de lugares como Nova York, Chicago ou do centro das cidades. As famílias mais novas, os idosos e as pessoas mais vulneráveis que planejavam se mudar nos próximos dois ou três anos podem adiantar a mudança para os próximos meses", ele explica.

De acordo com uma análise feita pela Apartment List, a porcentagem de inquilinos com datas de mudança "próximas" aumentou 10% na segunda quinzena de março, em comparação com o mesmo período no ano passado. Embora o número de pesquisas tenha aumentado, as pessoas estão procurando moradia nos mesmos lugares que antes.

Por exemplo, antes da pandemia, 15,4% dos usuários em Chicago estavam procurando apartamentos fora da cidade. De acordo com a Apartment List, agora esse número aumentou para 34,9%, mas as buscas continuam concentradas em cidades menores do centro-oeste do país, como Indianápolis, Kansas City e Milwaukee.

As cidades podem ficar mais baratas

Com essa migração, algumas cidades terão um déficit na receita tributária, já que o movimento no transporte público e o volume de compras diminuirão. No entanto, Richard afirma que esse revés financeiro será temporário.

"É como um incêndio na floresta, que destrói muitas coisas, mas o processo de limpeza abre espaço para plantas novas crescerem. Já passamos por várias pandemias e pragas ao longo da história da humanidade, e as cidades nunca acabaram. Elas só ficaram mais fortes.”

A fuga para áreas mais afastadas vai provocar uma queda nos preços dos imóveis, algo positivo no caso de algumas cidades que têm preços muito elevados. Com isso, algumas pessoas que não tinham condições financeiras de morar nessas cidades podem ter uma oportunidade.

"As cidades podem voltar a ser economicamente viáveis para artistas, profissionais criativos e famílias de classe média", comenta Richard. "Temos a chance de aproveitar essa oportunidade e transformar as cidades em lugares em que essas pessoas podem morar.

No fim das contas, acredito que as cidades vão perder alguns moradores e ganhar outros, mas vão acabar se fortalecendo nos próximos anos”, ele conclui.

Sarah Paynter

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.