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Como as mais tradicionais provas de rua estão voltando… às ruas!

·12 min de leitura

Largada em ondas é um termo conhecido por corredores acostumados a disputar provas de rua muito populares. Significa que grupos reunidos sob algum critério são autorizados a largar de tempos em tempos – e não todo mundo de uma vez. Desta vez, com a gradual retomada de atividades que ficaram impedidas durante boa parte da pandemia, a expressão ganha novos contornos e ainda mais relevância. Essa é uma das medidas adotadas para que as principais provas do calendário de corridas brasileiro possam acontecer.

Desde que a covid-19 chegou aos países ocidentais, no final do primeiro trimestre de 2020, um verdadeiro strike atingiu os planos de corrida das grandes promotoras do esporte no mundo. Na verdade, todas as provas tiveram de ser canceladas ou adiadas, sem qualquer perspectiva, naquele momento, de quando voltariam a ser organizadas.

“Nós paramos a duas semanas da Maratona Internacional de São Paulo”, lembra Thadeus Kassabian, CEO da Yescom. “Fechamos a empresa. Depois, passamos a trabalhar com eventos virtuais. Conseguimos manter a estrutura funcionando, preservando o negócio. Foi tenso, mas mantivemos a calma”, conta. Com o recente retorno da atividade, Kassabian expõe os sentimentos do mercado: uma espécie de animação nervosa, quase elétrica, após longo tempo tentando equilibrar as contas e a ansiedade. “Estamos como numa largada”, compara.

Com mais de 30 anos de mercado, a Yescom organiza diversos eventos esportivos em São Paulo e fora do Estado. Um deles é a São Silvestre. É parceira da Fundação Cásper Líbero e da TV Gazeta na realização da mais tradicional prova de rua do Brasil e a mais famosa da América Latina.

Volta da Pampulha (Crédito: Divulgação / Yescom)

Símbolo das corridas populares, ela foi cancelada em setembro de 2020 com um registro indelével: em seus 95 anos jamais deixara de acontecer. Na época, chegou a ser cogitada para julho seguinte, o que só faria sentido num mundo em que o Carnaval também ficaria postergado para o meio do ano (e o novo coronavírus quase causou tamanha bagunça). Inscrições da 96ª edição da São Silvestre começaram a ser vendidas, no entanto, em maio nova decisão adiou os planos. O cenário da pandemia no Brasil não permitia liberar a atividade. Assim, não tivemos nem Carnaval, nem São Silvestre no meio do ano.

Agora, em virtude do quadro de vacinação da população, a vida vai retomando ritmo próximo ao que era antes da pandemia. As escolas estão recebendo estudantes e os estádios, torcedores. E chegou a vez de as provas de rua voltarem.

Como no futebol, elas seguem regras estabelecidas pelos municípios para poderem acontecer sem representar risco de novos surtos de covid-19. Afinal, algumas dessas corridas reúnem multidões. Ou reuniam, já que há provas que vão permitir a participação de pouco mais do que a metade do contingente que normalmente receberiam.

Uma das mais bonitas provas do Brasil, a Maratona do Rio está fazendo um pelotão de corredores acertar o relógio dos treinos para a prova, que será em 15 de novembro. Realizada desde 1979, ela poderá receber desta feita até 23 mil participantes. Ela já registrou 44 mil corredores nos tempos pré-pandemia. “Estamos seguindo um protocolo rígido e botando a barra lá em cima”, afirma Claudio Romano, CEO da Dream Factory, que organiza a prova junto com a Spiridon Eventos.

AS NOVAS REGRAS DAS CORRIDAS

A Maratona do Rio é a primeira das grandes corridas de rua a regressar a seu formato original e funcionará como uma espécie de “prova de fogo” para a atividade. Em 2020, foi realizada uma versão virtual que teve mais de oito mil inscritos. Essa modalidade está mantida para a maratona deste ano – e para as demais distâncias que completam o evento – e acontece por meio da plataforma Running Heroes, que cria um ambiente de corrida virtual. “Mas como o presencial não tem igual”, salienta Romano.

Maratona do Rio em 2019 (Crédito: Divulgação)

Geralmente realizada no feriado de Corpus Christi, que neste ano caiu em 3 de junho, ela não poderia acontecer na data. Em 19 de junho, o Brasil chegou à marca de 500 mil mortos pela covid-19 e no último dia daquele mês o país ainda não tinha vacinado 13% da população com as duas doses. Ou seja, qualquer evento que provocasse alguma aglomeração estava impedido. Desse modo, os organizadores pensaram que a maratona pudesse acontecer talvez em setembro. Depois, outubro. Mas ficou para novembro. Calcularam que no feriado da Proclamação da República conseguiriam ter as condições necessárias para a prova. “Novembro no Rio já é quente, mas era a data que nos permitia acompanhar o sistema vacinal. E a gente viu que era possível fazer”, explica o CEO da Dream Factory, que chama o evento de “o maior festival de corridas de rua da América Latina”.

Para esta edição, os organizadores decidiram não realizar a prova feita no passado para crianças. Mantiveram as distâncias de 5k, 10k e meia maratona, que ocorre no domingo 14, enquanto as demais acontecem no dia seguinte. Isso diminui a quantidade de corredores concentrados nos arredores da largada e da chegada da Maratona do Rio, que tem o patrocínio master de Cosan, Claro e Ortobom, e mais Olympikus, Gatorade e Michelob.

Na área de onde sairão os participantes, serão colocadas marcas de distanciamento no chão. As filas de grupos que serão liberados a cada 15 minutos para correr serão longas. “Não vai ter largada aglomerada”, assegura Romano. E nem público no entorno. Serão instaladas grades nas cercanias da chegada para evitar que junte mais gente do que os próprios participantes para celebrar a conclusão do percurso.

Corredores deverão estar imunizados. O comprovante de vacinação (com as duas doses ou dose única) é obrigatório, regra que vale para outras competições, como as maratonas de Boston e Nova York, ou em provas nacionais, caso da Volta da Pampulha, em Belo Horizonte. Se alguém não conseguir a segunda dose a tempo (até 1º de novembro), poderá apresentar um teste de PCR, feito até 48h antes da prova. O exame não será disponibilizado no local. Não tomou vacina e não pretende tomar? Não corre.

Maratona do Rio em 2019 (Crédito: Divulgação)

Na largada, a máscara é obrigatória. O corredor poderá tirá-la durante o trajeto, embora a organização a recomende. Na chegada, no entanto, o participante deverá estar com ela de volta ao rosto, cobrindo boca e nariz. Como no local não haverá guarda-volume – para diminuir aglomerações –, ele deve ter onde guardar sua máscara e eventuais acessórios. Aliás, os corredores deverão estar prontos para largar já que não terão onde guardar roupas e nem terão com quem deixá-las.

Quem optar por máscaras descartáveis, terá de desfazer-se da sua nos lixos colocados no percurso. Na chegada, o staff entregará uma caso alguém a perca. Todos os profissionais envolvidos na organização irão respeitar o distanciamento social e deverão estar com a vacina em dia. A organização dobrou o tamanho do corpo médico. Quem atua na produção deverá respeitar o distanciamento e usar os acessórios de proteção. Eles não poderão entregar, por exemplo, copos d’água para os corredores. Estes serão dispostos em balcões extensos para que cada participante pegue o seu. Orienta-se também que os corredores levem sua garrafa.

Tais regras devem valer para a maioria das provas que vão acontecer nesta retomada. As medidas para evitar a covid-19 são acordadas com as autoridades sanitárias de cada cidade, porém os organizadores podem incluir um ou outro item para aumentar a segurança da prova. “O Rio até liberou as máscaras, mas nós vamos manter o protocolo. Estamos muito atentos aos cuidados”, comenta Romano.

Jean Woolmay Pierre, modelo e corredor da Meia Maratona do Rio (Crédito: Arquivo Pessoal)

O modelo haitiano Jean Woolmay Pierre, 25 anos, que mora em São Paulo desde 2015, já fez um pequeno teste do percurso da prova em outubro. No mundo da corrida desde 2016, ele recebeu um convite para uma espécie de prova-teste. Foram apenas 5k. Estavam todos testados e vacinados. “Esse é o novo normal”, observa Jean, que vai participar da Meia Maratona, no dia 14.

Durante os piores dias da pandemia, o modelo utilizou um aplicativo para se manter em atividade. Também viu vídeos de gente fazendo exercícios em casa. E aderiu à subida e descida de escadas para se manter em forma. Quando pode voltar à academia, retornou seguindo protocolos sanitários. “Corro com máscara, mas ela é meio claustrofóbica para mim”, confidencia. Ainda assim, não deixou de se proteger. Não pegou covid. E irá largar e cruzar a linha de chegada usando a sua, seguindo as orientações.

VOLTA DA PAMPULHA

Marcada para 12 de dezembro, a Volta Internacional da Pampulha também deverá acontecer sob critérios rígidos. A Yescom, que a organiza, informa que é preciso estar com a imunização plena (quem não conseguiu a segunda dose a tempo, poderá apresentar o teste de PCR feito 72 horas antes da prova) e é necessário largar com máscara, acessório que deverá estar no rosto na chegada. Os organizadores não a obrigam durante o trajeto, mas destacam que preferencialmente os corredores a utilizem ao longo da prova.

E se a pessoa não quiser usá-la nos pontos obrigatórios? “Ela será orientada por um integrante do staff a colocar e, se insistir na recusa, um monitor será acionado. É questão de bom senso. Tem um corredor que nos escreveu dizendo que não se vacinou e perguntou se pode disputar a Volta. Se não tomou nenhuma dose, não corre”, avisa Kassabian.

Pampulha percurso 1, em 2019 (Crédito: Divulgação / Yescom)

Nesta edição, a 22ª, a prova – que é de 18k – irá acontecer com o máximo de 70% dos participantes da Volta anterior. Não haverá área de convidados, nem será permitida ativações por parte dos patrocinadores na arena. “Todos os possíveis pontos de contato estão sendo evitados”, explica o CEO da Yescom.

Como as grandes provas ainda estão para acontecer nas ruas, fica difícil estabelecer números seguros de participantes nesta fase da retomada. Por isso, cada prova define seus limites. “Estabelecemos 70% na Pampulha para ter um controle melhor. Em março, dependendo do cenário, voltaremos com tudo à capacidade plena das nossas provas”, afirma. Kassabian conta que foram feitas 20 provas virtuais em 2020. Neste ano, estão na planilha 15 eventos virtuais e seis presenciais.

Na Volta da Pampulha – que tem patrocínio da Cosan, e também das marcas You, 3 Corações, Itapemirim e Adria –, os participantes preenchem um cadastro com informações médicas, com dados sobre vacinação e se contraíram covid-19. Para retirada do kit de corrida, eles passarão por exame de temperatura na entrada do local, deverão respeitar o agendamento e apresentar os comprovantes da vacina (o mesmo deverá ser feito na Maratona do Rio).

A largada em ondas terá blocos formados por grupos que representem 20% da corrida. “Se a prova tiver 10 mil pessoas, os blocos serão de, no máximo, 2 mil corredores”, diz Kassabian. Tudo para dar fluidez, sem juntar muita gente na linha. “Acredito que eles vão esperar a vez, sem aglomerar. Estamos tendo uma aceitação positiva. Há uma boa procura pela Volta da Pampulha presencial, principalmente por quem não se opõem aos protocolos sanitários contra a covid-19”.

José Luís Nepomuceno em preparação para correr na Pampulha (Crédito: Divulgação / Yescom)

Aos 53 anos, José Luís Nepomuceno, empresário do setor de TI, está se preparando para correr na Pampulha. “Sempre segui os protocolos estipulados pelo governo para as atividades outdoor”, afirma. Manteve treinos online e, quando a atividade na rua foi liberada, ele passou a correr de máscara, sob orientação de seu grupo de corrida (Find). “Temos a preocupação de nos proteger e proteger os demais”.

Com os treinos podendo ser feitos com mais regularidade nos parques e ruas, ele retomou seus exercícios de forma a alimentar a expectativa pela prova da Pampulha. “Já estou inscrito. Ela é boa. Estou com um pouco ansioso, pois será a primeira prova depois de 18 meses. Costumava fazer, no mínimo, seis provas presencias ao ano. Essa falta de corridas oficiais gera ansiedade”, admite.

Nepomuceno torce para poder correr sem máscara ao longo do trajeto, em função do quadro da pandemia. Mas sabe que o acessório é obrigatório na largada e na chegada. “Estamos chegando a mais de 70% da população vacinada com as duas doses, o que talvez possibilite correr sem máscara no percurso. Mas seguirei o que for determinado”, esclarece o empresário.

E A SÃO SILVESTRE?

Por ser tão disputada e icônica, há grandes expectativas sobre a São Silvestre, que patrocínio de Cosan, 3 Corações, NewOn, Voe Ita, Assai, Montevérgine e Dois Cunhados Hortifruti. Sendo o evento esportivo que fecha o calendário brasileiro, ela pode definir mais para a frente alguns detalhes. A largada será em ondas, o que já acontecia. Vale lembrar que em 2019 foram 35 mil os participantes.

Também já é sabido que a 96ª edição da prova não terá presença de público na avenida Paulista. O acesso ao local será controlado. Além disso, corredores e equipe do staff devem apresentar comprovante de vacinação. Um selo garantindo que o participante está plenamente imunizado será colocado ao lado do número da inscrição. Máscaras serão exigidas na largada e na chegada.

Jean Woolmay Pierre, modelo e corredor da Meia Maratona do Rio (Crédito: Arquivo Pessoal)

Sem ter ainda no currículo uma São Silvestre, Jean nutre o desejo de participar da sua primeira competição neste 31 de dezembro. “Quero fazer uma”, revela o haitiano, que correu várias provas em diferentes regiões, do Jalapão a Fernando de Noronha.

Na Meia Maratona do Rio, sua primeira experiência nas ruas disputando uma grande prova, ele não pretende correr para bater recordes pessoais. Jean está mais propenso a valorizar seus passos como os de alguém que está deixando para trás os piores dias da covid-19. “Quem não tiver vacina, não tem de correr. Não dá para a gente correr no medo. O esporte salva vidas e não pode ser o contrário”, alerta. E completa: “Eu vou para a meia maratona para mostrar que sou forte. A gente tem de correr no espírito de quem conseguiu encarar a pandemia. É mais um agradecimento”.

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