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Como lidar com a inveja no trabalho (sua e a dos outros)

Foto: Getty

Por Eliete Oliveira*

É muito fácil identificar a inveja. Geralmente acontece naquela pessoa que, quando você compra um carro, por exemplo, seu comentário é: “ah, mas é popular, não é?”. Provavelmente, o que esta pessoa desmerece é algo que ela não tem. E como não consegue ter, tenta desvalorizar a conquista do outro.

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Lembro do filme “Amadeus”, um clássico do cinema, no qual Salieri, inimigo mortal de Mozart, narra detalhes da genialidade do seu concorrente, sua frustração e a incapacidade de jamais conseguir se equiparar a ele. Sem dúvida, um filme impecável, que desnuda este traço da personalidade humana.

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Dificilmente alguém admite ter inveja. Este é um dos piores sentimentos que podemos admitir e sempre é motivo de vergonha. Mas atire a primeira pedra quem nunca a sentiu. A inveja é uma dor psicológica que acontece quando nos comparamos às outras pessoas e nos sentimos inferiores em nosso valor e autoestima.

Carlos Byington, em seu livro “Inveja criativa – o resgate de uma força transformadora da civilização”, traz um novo olhar, reforçando o potencial criativo da inveja como uma das funções da estrutura da psique. Para Byington, conseguimos através deste sentimento propiciar não só o desenvolvimento saudável da personalidade, como também, ao contrário, torná-la fixa, atuando na sombra, de forma inadequada, com características que se repetem e que são destrutivas.

Para a teoria evolucionista de Darwin, a comparação social é um instrumento de sobrevivência e a inveja um sentimento que nos faz competir para sobreviver. Sociologicamente falando, o direito à igualdade também é uma válvula motora para a inveja, pois, sem perceber, temos a sensação de que, se somos iguais, devemos sempre ter as mesmas coisas que os outros têm.

Este pensamento gera um sentimento de injustiça que experimentamos durante toda nossa existência. Afinal, nem sempre conseguimos atingir os mesmos resultados que os outros, principalmente em uma sociedade em que muitos não nascem com as mesmas oportunidades. Isso é bastante intensificado nas empresas e pode ser reforçado em lugares onde a pessoalidade e o pouco profissionalismo imperam.

Ambientes onde pessoas são beneficiadas por suas relações de amizade e a comparação é reforçada pelos próprios líderes tendem a ter conflitos maiores.

Já trabalhei em empresas nas quais a competição excessiva acabava gerando conflitos, principalmente em áreas onde a exposição de resultados dentro das equipes resultavam em um sentimento em que muitos se sentiam inferiores.

Por fim, a inveja é um fenômeno que faz parte do psiquismo humano e está intrinsecamente ligada à organização social - e não temos como evitá-la. Mas no ambiente de trabalho é possível minimizá-la. Temos que ter a consciência de que também podemos produzí-la e reforçá-la quando expomos em excesso nossas conquistas.

Neste sentido, podemos diminuir este sentimento, valorizando a conquista dos colegas, mostrando suas potencialidades e promovendo o espírito e cooperação, deixando claro que todos somos importantes dentro de uma equipe.

Às vezes, sofremos perseguições no trabalho, nas quais todas as possibilidades de resolver o problema foram esgotadas e a única alternativa é se afastar da pessoa em questão. O importante é não entrar no mesmo nível de energia que estas pessoas.

Algumas vezes nossa própria existência é um problema e neste caso não há o que possa resolver.

Lembre-se: só podemos mudar aquilo que está ao nosso controle.

*Eliete Oliveira é consultora de recolocação profissional e Top Voice do LinkedIn. No Yahoo! Finanças, ela fala sobre carreira e os dilemas do mundo corporativo.