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Como investir de acordo com a sua faixa etária

Foto: Getty Images / Getty Creative
Foto: Getty Images / Getty Creative

Todos os dias me deparo com investidores enfrentando o velho dilema: quanto dinheiro investir? Quanto investir em ações e quanto em títulos (combinação de ativos)?

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A resposta depende de vários fatores, e o mais importante deles é a idade do investidor. Existe um ponto ideal na linha do tempo para cada tipo de investimento, sejam ações ou títulos.

Veja também

A idade define os objetivos, os tipos de riscos que a pessoa está disposta a assumir e o tipo de resultado (retorno) esperado.

Investimento aos 20 anos: o segredo nessa idade é reconhecer o valor do tempo e aproveitá-lo

Objetivos financeiros comuns da idade: viajar, economizar para comprar uma casa, para o casamento, etc.

Nessa idade, as pessoas costumam ter menos responsabilidades e, para quem não tem dependentes nem dívidas, é um ótimo momento para economizar e investir.

Além disso, o tempo e o poder de capitalização podem multiplicar a renda do investidor ainda mais rápido.

Vejamos um exemplo:

É muito mais fácil aumentar a riqueza com mais tempo disponível.

Infelizmente, pouca gente aproveita essa oportunidade. Os jovens costumam viver uma indecisão constante entre gastar e economizar.

Nessa idade, é preciso aprender a diferenciar as necessidades e os desejos (por exemplo, querer comprar o smartphone da moda, mas precisar apenas de um celular simples). Identificar essa diferença ajuda a aumentar as economias mais rápido e incentiva a redução de gastos, o que é ótimo para economizar mais.

Depois de economizar, é hora de começar a investir.

Combinação de ativos recomendada: investir a maior parte das economias no mercado de ações e o restante em investimentos líquidos seguros.

O mercado de ações é considerado um investimento "arriscado", e a melhor maneira de superar esse risco é investir em longo prazo. Essa é a maior vantagem das pessoas na casa dos 20 anos: tempo para investir em longo prazo. É o momento ideal para encarar os altos e baixos do mercado de ações e esperar que os investimentos atinjam todo o potencial que têm.

Investimento aos 30 anos: equilíbrio entre as gastos grandes e investimentos de longo prazo

Objetivos financeiros comuns da idade: economizar para comprar uma casa ou um carro, para a educação dos filhos e a aposentadoria.

As pessoas na casa dos 30 anos vivem o dilema entre gastar no momento ou investir para ter um futuro melhor. Geralmente, a principal decisão é comprar uma casa pagando prestações mensais em longo prazo ou economizar para a aposentadoria e a educação dos filhos.

Infelizmente, muita gente ignora o planejamento para a aposentadoria, que é essencial aos 30 anos. Nessa idade, as pessoas ainda têm tempo suficiente para aproveitar as vantagens da capitalização.

Por outro lado, economizar pode ser o último item da lista de quem tem muitas dívidas para pagar. No entanto, se os juros forem baixos e administráveis, é possível tentar alcançar as duas metas ao mesmo tempo, separando um pouco de dinheiro para pagar as prestações sem deixar de economizar todos os meses.

Combinação de ativos recomendada: como a aposentadoria e outras metas ainda estão distantes, a capacidade de risco é alta. Assim como um investidor na casa dos 20 anos, as pessoas na casa dos 30 podem investir em ativos de maior retorno e mais voláteis, como ações.

Para quem tem o objetivo de mandar os filhos para estudar no exterior, também é uma boa ideia investir em ações e fundos internacionais.

Ter uma carteira bem diversificada de ações nacionais e internacionais de acordo com os objetivos financeiros do investidor é sempre o caminho certo.

Tomar boas decisões de investimento pode ser difícil nessa idade, mas levar esse desafio a sério tem suas vantagens. A melhor maneira de manter a tranquilidade é pensar em viver dentro das suas possibilidades e priorizar o futuro.

Investimento aos 40 anos: hora de conferir se os planos estabelecidos anteriormente estão dando certo.

Objetivos financeiros comuns da idade: os mesmos das pessoas na casa dos 30 anos. Para quem vai bem na carreira, esses objetivos devem estar mais próximos.

Combinação de ativos recomendada: aos 40, a ideia é garantir que os planos continuem no caminho certo. Parece fácil, mas não é. Não dá para relaxar, pois monitorar os investimentos é tão importante quanto dar os primeiros passos.

Um erro comum cometido pelos investidores na casa dos 40 anos é não assumir riscos. No entanto, agora que as pessoas trabalham por mais tempo e a expectativa de vida é maior, é necessário manter esse componente de risco para garantir retornos mais elevados. No entanto, isso não significa entrar nas apostas especulativas que as pessoas de 20 e 30 anos estão dispostas a encarar, pois manter um certo nível de consistência nos retornos da carteira de investimentos é essencial nessa idade.

Esse também é um bom momento para consultar um especialista financeiro de confiança. Ele pode identificar possíveis falhas nos planos e ajudar a definir o caminho certo para que os objetivos sejam alcançados.

Investimento aos 50 anos: com a proximidade da aposentadoria, o segredo é garantir o pé-de-meia, otimizando os níveis de risco e retorno.

Objetivos financeiros comuns da idade: economizar para a aposentadoria e para o casamento dos filhos.

Nesta fase da vida, as pessoas provavelmente estão ganhando mais dinheiro. Isso é muito bom, mas também gera muitas dúvidas: como aplicar? Será melhor abrir uma conta de aposentadoria privada ou investir mais na educação dos filhos ou em propriedades?

Como a movimentação de dinheiro é maior nessa idade, antes de qualquer outra coisa, é bom levar em conta a eficiência tributária dos investimentos. Depois, o horizonte de planejamento dos objetivos responderá à maioria das perguntas.

Combinação de ativos recomendada: assim como em outras idades, os objetivos determinam a alocação de ativos.

Portanto, se faltarem 10 anos para a aposentadoria, é possível investir mais em ações. O mais importante é evitar riscos ocultos e proteger o capital. A ideia é ir diminuindo a concentração do investimento em ações e usar também opções com um retorno menor.

Uma combinação de ativos ideal seria 60% de ações e 40% de títulos/dívida.

Na hora de planejar a aposentadoria, é bom pensar também em gastos inesperados com saúde, que podem consumir rapidamente qualquer economia. O histórico familiar e o estilo de vida podem ajudar nesse planejamento.

Investimento aos 60 anos: as escolhas de estilo de vida durante a aposentadoria definem os investimentos nessa idade.

Antes de começar a usar o dinheiro da aposentadoria, é preciso identificar o volume de retiradas anuais. Para começar, é bom pensar que o dinheiro da aposentadoria precisa durar cerca de 20 ou 30 anos, então, quanto é possível gastar por ano para não ficar sem reservas antes da hora? Isso é muito importante. No entanto, nem mesmo o melhor dos planejamentos pode garantir que não haja erros. Um cálculo equivocado nesse momento poderia arruinar uma vida inteira de trabalho. Portanto, o ideal é buscar ajuda profissional, ao menos para revisar o planejamento.

Depois dessa revisão, é bom fazer um investimento seguro e líquido com dinheiro suficiente para viver durante 3 a 4 anos para poder manter a tranquilidade.

Combinação de ativos recomendada: a ideia é começar a vender as ações, mantendo uma pequena parte desse investimento (menos de 25%) para superar a inflação. É bom aplicar quantias mais altas em opções mais seguras, como dinheiro e prazos fixos, evitando fundos de títulos.

No fim das contas, são as escolhas de estilo de vida do aposentado que definem os requisitos e os investimentos necessários. Alguns anos depois da aposentadoria, já é possível ter uma boa ideia do seguinte:

  • Total economizado para a aposentadoria.

  • Despesas mensais.

  • Longevidade, de acordo com o histórico familiar.

Todas essas informações ajudam a planejar melhor o fluxo de caixa anual e ter uma ideia da renda residual para fazer um planejamento eficiente dos bens.

A ideia de investir de acordo com a faixa etária não é fazer fortuna com as bolsas de valores, mas sim evoluir com a idade e mudar os investimentos de acordo com os objetivos financeiros pessoais e a tolerância ao risco. Algumas regras simples podem ajudar ao longo do caminho, por exemplo:

  • Investir desde cedo para aproveitar o tempo ao máximo.

  • Reconhecer que todos os investimentos têm algum risco, mas também um grande potencial de crescimento.

  • Priorizar a economia durante a juventude para garantir a renda na velhice.

Mas o mais importante é aumentar a proteção do investimento principal quanto mais perto estiver de alcançar os objetivos financeiros.

Vale lembrar que a escolha de investimento em cada década de vida depende do progresso em relação a determinados objetivos financeiros.

Manvi Agarwal

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