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Como funciona um sistema de frenagem autônomo?

Felipe Ribeiro

Os carros estão cada vez mais seguros e isso não é nenhuma novidade. Mesmo modelos mais modestos hoje já possuem tecnologias antes imaginadas apenas para veículos premium, como controle de estabilidade, controle de tração, airbags de cortina e por aí vai. No entanto, de uns anos pará cá, atingimos outro patamar, com a indústria desenvolvendo sistemas que auxiliam o motorista nas mais diversas situações. Entre esses sistemas estão os que, talvez, chamem mais a atenção dos consumidores: a frenagem autônoma.

Evidente que os sistemas são vários e variam muito de veículo para veículo. Aqui no Canaltech, por exemplo, já tivemos a oportunidade de experimentar alguns desses recursos em carros caros, mais acessíveis, picapes, sedãs e SUVs. Basicamente, os automóveis são equipados com câmeras e sensores que detectam a distância para o carro ou obstáculo à frente. Sua instalação, geralmente, ocorre no para-choque dianteiro e no pára-brisa.

Com o intuito de minimizar acidentes e salvar vidas, o recurso conhecido também como AEB (Auto Emergency Breaking) ou Frenagem Automática de Emergência, funciona como um alerta de colisão nos freios para diminuir o tempo de reação do condutor. Se o motorista não reagir ou se acelerar, o sistema entra em ação. A quantidade de sensores e radares no veículo varia de modelo para modelo.

Trabalhando em conjunto com softwares e, em alguns casos, até com inteligência artificial, os sistemas de frenagem autônomo atuam de modo a evitar tragédias em momentos que o motorista está, por via de regra, fora do controle total do automóvel. Mas não se engane: por mais avançados que esses recursos possam ser, nada substitui um motorista atento e com os olhos na estrada.

Nos Estados Unidos, a frenagem automática se tornará obrigatória para todos os veículos a partir de 1º de setembro de 2022. No Brasil, ainda estamos atrasados quanto a isso, mas ao menos existem modelos em que podemos ter amostras de como o recurso funciona.

Veja abaixo alguns dos veículos que o Canaltech já testou e que possuem esse recurso:

HB20 Diamond Plus

Principal automóvel da Hyundai, o HB20 ganhou uma nova geração no fim de 2019. Entre as novidades, está o sistema de frenagem autônomo que a montadora sul-coreana preparou para o carro. Ele atua da seguinte maneira: em caso de distração completa do motorista, o sistema entra em ação com um alerta sonoro bem chamativo e com leves toques no freio. Isso serve, claro, para alertar o condutor.

Para o caso do motorista não reagir, aí sim o HB20 frenará sozinho, mas desde que esteja a uma velocidade inferior a 50km/h. Ou seja: ele foi pensado para situações em que o motorista, de fato, se distrai e causa pequenos acidentes. Algo positivo nesse sistema, aliás, é que ele também é capaz de identificar pessoas e animais maiores.

Toyota Corolla Hybrid e RAV4

O sistema adotado pela Toyota em dois de seus principais veículos foi o Assistente de Pré-Colisão (Pre-Crash System – PCS). Quando testamos o PCS (de modo seguro, é claro), a ferramenta também se mostrou eficiente.

A diferença é que o recurso foi projetado para casos em que de fato o motorista está mesmo sem o controle do veículo ou completamente distraído e não é ativado ao menor sinal de controle por parte do condutor.

O sistema detecta veículos à frente na estrada através da câmera e radar de onda milimétrica ajudando o carro a evitar ou reduzir os danos causados por colisões. O grau de perigo é avaliado a partir da posição, velocidade e percurso previsto do próprio veículo, bem como da velocidade e posição de outros automóveis ou caminhões.

Se o sistema determinar a possibilidade de colisão, o carro alertará o motorista com avisos visuais e sonoros. Se o motorista aplicar pressão insuficiente no freio, o sistema ajudará com uma força de frenagem adicional. Se o motorista não frear completamente, o sistema aplicará os freios automaticamente.

Ford Ranger Limited

Na Ranger, o recurso ativa todos os freios da picape eletronicamente caso o sistema identifique qualquer automóvel ou pedestre no caminho, parando o veículo caso esteja com velocidade de até 60km/h. Se o motorista estiver mais rápido, o sistema também atuará, mas com menos eficácia.

Ele pode ser desativado caso o software detecte que o condutor está sob total comando da direção e da frenagem. Durantes os testes, tivemos a oportunidade de vê-lo em ação e ele funcionou perfeitamente, com frenagens pausadas e sem que houvesse tantos solavancos dentro da cabine, por mais que estivéssemos em uma picape com centro de gravidade alto.

Fonte: Canaltech