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Como funciona o Notam, sistema cuja pane atrasou 8.000 voos nos EUA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Antes de decolar, os pilotos precisam saber o que vão encontrar pelo caminho. O sistema de comunicação chamado de Notam ajuda nisso: boletins curtos informam sobre fechamentos de pista, falhas de sinal e eventuais obstáculos no ar.

Na manhã desta quarta (11), no entanto, o Notam parou de funcionar nos Estados Unidos, o que levou a FAA (Autoridade Federal de Aviação) a suspender todas as decolagens domésticas no país por algumas horas.

Informações iniciais apontam que o sistema começou a ficar instável na noite de terça (10), o que levou a FAA a suspender todas as decolagens domésticas no começo da manhã de quarta (11). As partidas foram retomadas a partir das 9h (11h em Brasília).

Até o meio da tarde, a pane havia gerado atrasos em mais de 8.000 voos, de acordo com o site FlightAware, e cenas de caos em vários aeroportos americanos, com passageiros ansiosos e sem informação de como seguiriam viagem.

A Casa Branca disse que não há evidências de que a falha tenha sido causada por um ataque hacker, e que as causas do problema estão sendo investigadas. "A FAA está trabalhando agressivamente para chegar na raiz das causas da falha no sistema, para que isso não aconteça de novo", disse Karine Jean-Pierre, porta-voz do governo de Joe Biden.

Notam significa Notice to Air Missions (Avisos para as missões no ar). Antes, chamava Notice to Airmen (aviso aos homens do ar, em tradução livre), o que gerava queixas de exclusão às mulheres.

Mais do que um sistema em si, o Notam é um modelo de comunicação: são boletins curtos, que lembram um telegrama. Eles trazem códigos que são entendidos facilmente pelos profissionais da área, mas não dizem nada a um leigo. Um exemplo:

Q) SBRE/QNDAS/IV/BO /E /000/999/1449S03902W040

DME YLH CH87X U/S

Os alertas são emitidos pelos aeroportos e pelas autoridades de aviação. "Exemplos clássicos são reduções do comprimento de pista por obras, modificações em procedimentos operacionais de controle de tráfego aéreo, modificações no status de serviço contra incêndio disponíveis no aeroporto, modificações no abastecimento de aeronaves, etc", aponta Julio de Souza Pereira, diretor-assistente de segurança da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) no Brasil.

Os avisos também são usados para alertar sobre falhas de sistema de rádio em uma área, exercícios militares que impactem o espaço aéreo, pássaros voando em bando, presença de cinzas de vulcões e restrições adotadas por conta da presença de chefes de Estado, entre muitos outros temas.

O sistema começou a ser usado em 1947, ano em que foi realizada uma convenção internacional de aviação civil, em Chicago, que definiu muitas das regras do setor que ainda estão em vigor.

A convenção determinou que o governo de cada país é o responsável por centralizar e disponibilizar os boletins Notam. Os informes são públicos e ficam disponíveis na internet e em sistemas fechados. Os dados de todos os países podem ser acessados em redes de comunicação específicas para a aviação, como AFTN e AMHS.

No Brasil, os boletins Notam são centralizados pelo Decea (Departamento de Controle Aéreo), um órgão ligado à Força Aérea Brasileira e que tem 12 mil funcionários. Nas 24 horas antes da publicação desta reportagem, o sistema brasileiro havia emitido 22 alertas. Eles podem ser lidos aqui.

"Estes sistemas são muito robustos com diversos backups e servidores de contingência, em função do impacto causado por uma eventual inoperância, a exemplo do que aconteceu hoje nos EUA. Por isto que não se tem notícia de problemas da mesma natureza", comenta Pereira.

Nos Estados Unidos, o sistema fica sob controle da FAA, um órgão civil ligado ao Departamento de Transportes --equivalente a ministério no Brasil. O departamento é chefiado pelo secretário Pete Buttigieg, um político democrata que disputou primárias presidenciais em 2020 e que é cotado para disputar a Casa Branca no futuro.

A FAA, no entanto, está com um diretor interino desde março. Biden nomeou Phillip Washington para o cargo, mas ele precisa ser aprovado pelo Senado, que vem dificultando a confirmação de várias das nomeações do presidente. O nomeado ainda aguarda para passar por sabatina.

O indicado de Biden atualmente chefia o aeroporto de Denver e já liderou a autoridade de transporte urbano de Los Angeles. Ele é alvo de investigações por corrupção e criticado por ter pouca experiência em aviação.