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Como fazer o seu filho experimentar coisas novas em 2020

Estimular e incentivar a criança é essencial para que ela desenvolva a sua criatividade de forma saudável (Foto: Getty Creative)

Com o novo ano começando, é impossível não pensar em como incentivar as crianças a estudarem e aprenderem coisas novas. Verdade seja dita, talvez você tenha percebido que não é tão fácil assim - e os motivos para isso são muitos. 

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Há algum tempo, vimos na internet um vídeo que chamou a atenção: uma criança tentava reproduzir uma ilustração enquanto a pessoa por trás das câmeras ria - muito. Por mais que a tentativa da criança tenha ficado diferente do original - o que é bastante compreensível, aliás -, o vídeo nos fez pensar sobre a importância de estimular e incentivar crianças a tentarem coisas novas e explorarem o mundo.

"É muito importante apresentar estímulos diferentes como sons, cheiros, sabores e tudo mais que puder aguçar os sentidos da criança, despertando assim sua curiosidade", explicou a psicóloga Adriana Severine. O objetivo é apresentar à criança o máximo de possibilidades para que ela, então, escolha o que mais gosta. E isso vale tanto para atividades como aulas de natação e desenho, quanto para alimentos diferentes. 

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"Os responsáveis pelas crianças, ao estimulá-las a fazerem novas atividades, precisam estar atentos àquelas que as crianças apresentem mais facilidade e felicidade ao fazer", continua ela. "Isso pode ser um indício de que há um talento para algo específico, mas é importante não nos esquecermos de que tudo pode ser aprendido, desde que nos faça bem."

Isso significa que se uma criança não sabe tocar um instrumento musical, como o violão, tão bem, mas sente um imenso prazer em tentar, ela deve, sim, ser estimulada a continuar aprendendo. Afinal, ela pode desenvolver a habilidade, mesmo que não tenha um talento inato para isso - no fim, ela o faz porque gosta. 

Aliás, é importante manter a criança engajada em uma atividade que ela gosta, porque tirá-la desse contato pode ter um impacto negativo na sua vida mais para a frente, fazendo com que ela perca o interesse por outras coisas. Por exemplo, pais que decidem tirar o filho da patinação no gelo por causa de muitas quedas e machucados. Se a criança não é tão identificada pela prática, isso não terá um impacto na vida dela. Pelo contrário, se ela gostar muito da atividade, isso pode fazer com que ela não se interesse por outras coisas da mesma maneira. 

Conciliar agendas em família, principalmente as que têm mais filhos, costuma ser complicado. Porém, fazer o exercício de manter na rotina dos pequenos atividades que eles gostem é essencial para o seu desenvolvimento. "Por isso é tão importante os pais observarem como a criança reage quando é necessário tirá-la de uma determinada atividade. Se perceber que ela realmente gosta e sente falta, o ideal é tentar adequar dentro do possível para que a criança não fique sem realizar atividade", diz a psicóloga.

Sim, criar filhos não é uma tarefa simples e, muitas vezes, acabamos tendo reações e atitudes que parecem naturais para nós, mas são interpretadas por elas como desestímulos. Rir quando a criança tenta algo novo é um exemplo. Evitar ridicularizar os pequenos é de extrema importância para que continuem esse exercício de exploração do que gostam e quais as suas paixões. Comemorar junto e parabenizar mesmo os menores dos avanços é indispensável. 

"Mesmo que ela não tenha muita habilidade, auxilie na forma de se desenvolver e melhorar, e nunca ria ou a coloque-a em uma situação constrangedora", diz Adriana.

Aliás, a psicóloga diz que a ridicularização é uma das principais causas da inibição da criatividade de uma criança. Para ela, os pais precisam fazer parte do dia a dia dos filhos também para entender se isso tem acontecido em algum ambiente, como a escola, e fazer o necessário para tornar a sua vivência o mais confortável possível. 

"Ao ser constantemente ridicularizada, a criança pode inibir sua criatividade, interação com o grupo e espontaneidade, tornando-se mais reprimida, com dificuldade para expressar suas emoções e dificuldade de interação. Isso inibe também sua capacidade de criar, de deixar sua imaginação livre para desenvolver o que achar 'natural'", explica. 

Por fim, deixar a criança livre para buscar a melhor maneira de se expressar não significa não colocar limites. Pelo contrário, segundo a psicóloga muitas vezes o 'não' é essencial para ajudar nesse desenvolvimento de habilidades sociais e resiliência. Para ela, é preciso deixar claro que o limite de alguém vai até onde começa o do próximo, e a criança deve aprender essa lição. O ponto é lembrar-se sempre de criar um ambiente confortável e seguro para que ela se sinta livre para falar o que pensa e aprender a ouvir o outro lado.