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Como evitar o golpe do falso leilão online

Ramon de Souza
·5 minuto de leitura

Quem não ficaria feliz ao começar 2021 com um carro novo — mesmo que for usado — estacionado na garagem? A crise do novo coronavírus (SARS-CoV-2) abalou o mercado de automóveis, diminuindo drasticamente o comércio de zero quilômetros e desanimando a negociação de usados. Para muitos, a forma mais barata de adquirir seu possante se tornou os leilões, que oferecem modelos interessantes por preços ainda mais acessíveis.

Contudo, justamente por conta da pandemia, os leilões (que até então eram, em sua maioria, físicos) se tornaram 100% online. Os criminosos cibernéticos não demoraram para perceber essa tendência e começaram a explorá-la, clonando páginas leiloeiras famosas ou até mesmo criando novas, tudo com o intuito de oferecer veículos que sequer existem para internautas desatentos. Virou uma moda no mundo da pilantragem online.

Em julho de 2020, conforme noticiado pelo Canaltech, os pesquisadores do dfndr lab já haviam identificado nada menos do que 819 sites maliciosos que promoviam leilões falsos; juntos, eles teriam atingindo pelo menos 52 mil brasileiros. “Os criminosos incluem ainda informações detalhadas sobre os veículos do falso leilão, como ‘IPVA 2020 pago’ e até mesmo supostas certificações”, explicou Emilio Simoni, diretor do laboratório.

“Muitas das páginas utilizam até mesmo nomes de instituições conhecidas, como o do Detran, para ganhar credibilidade e alcançar ainda mais vítimas. Os criminosos pedem cópias de documentos das vítimas e as induzem a fazer o pagamento do lance o quanto antes. Acreditando que fizeram um bom negócio, as vítimas fazem o depósito na conta bancária do atacante e nunca recebem o veículo”, comenta o especialista.

<em>Imagem: Reprodução/PSafe</em>
Imagem: Reprodução/PSafe

Com a inauguração do Pix, as coisas ficaram ainda mais fáceis para os estelionatários. Eles requisitam que o pagamento do lance seja pago nesse método, usando uma conta laranja, usufruindo do fato de que é impossível reverter (mesmo com a ajuda da instituição bancária) esse método de transferência. Segundo o jornal Extra, no Rio de Janeiro, um empresário perdeu R$ 20 mil reais após cair no golpe.

Dicas para evitar

Sabemos que comprar um carro é um momento de grandes emoções e se deparar com aquele modelo dos sonhos sendo ofertado a um valor muito abaixo da média do mercado pode empolgar qualquer um. Porém, como todo ataque de engenharia social, o golpe do falso leilão online pode ser evitado caso você preste atenção aos mínimos detalhes e aja com parcimônia, sem deixar a afobação tomar conta.

1) Itens básicos: certificados SSL, CNPJ e endereço

Encontrou alguma página qualquer que esteja leiloando veículos? O primeiro passo é respirar fundo e se atentar à algumas questões básicas de navegação segura. Certifique-se de que o site em questão possua um certificado SSL/TLS, ou seja, exiba o famoso “cadeado verde” ao lado de seu endereço na barra de navegação do seu browser. Isso significa que ele utiliza conexão criptografada e, por isso, é teoricamente mais seguro.

<em>Imagem: Reprodução/Guia Canal Japão</em>
Imagem: Reprodução/Guia Canal Japão

Também procure por informações como razão social, CNPJ e endereço do leiloeiro. A Receita Federal dispõe de uma ferramenta online e gratuita através da qual qualquer pessoa pode atestar se um CNPJ é autêntico ou não. Também recomendamos o uso do Google Maps Street View para dar uma conferida no endereço citado. Qualquer divergência de dados é motivo para ligar o pisca-alerta.

Tais verificações são importantes, mas não são o suficiente, já que criminosos estão conseguindo certificados SSL/TLS com facilidade e costumam clonar informações jurídicas de leiloeiros oficiais.

2) Faça uma pesquisa prévia

Não custa nada pesquisar o site de leilões em questão no Google para confirmar sua autenticidade. Procure antecedentes daquela página, leia comentários e reviews de outros clientes e se informe com outras pessoas que adquiriram veículos através do leiloeiro. O Reclame Aqui é um bom ponto de partida. Caso esteja prestes a cair em um golpe, logo encontrará reclamações de outros internautas que foram mais azarados do que você.

<em>Reprodução/Slon Pics (Pixabay)</em>
Reprodução/Slon Pics (Pixabay)

Além disso, por mais que estejamos falando sobre leilões, desconfie de preços baixos demais. Até mesmo nesse tipo de venda são praticados valores dentro da realidade; logo, se você encontrar um Toyota Hilux ano 2019 com lance inicial de R$ 5 mil, é meio óbvio que estamos visualizando uma armadilha.

3) Cuidado com as transferências

Solicitar o cancelamento de transferências bancárias (DOC e TED) já é um processo altamente complexo e burocrático. Com a chegada do Pix, virou uma tarefa impossível, visto que esse novo método de pagamento não permite devoluções de maneira alguma. Sendo assim, caso decida prosseguir com o leilão e realizar o pagamento pelo arremate, preste muito atenção na hora de pagar pelo seu novo veículo.

Jamais aceite transferir o valor para contas de terceiros, sejam eles “representantes comerciais” ou “parceiros” do leiloeiro. Exija que o repasse do dinheiro seja feito para o CNPJ da empresa, e, neste momento, certifique-se de que o CNPJ seja o mesmo que você encontrou no passo anterior. Caso contrário, você poderá perder suas economias para sempre e jamais receberá o automóvel arremetado.

<em>Imagem: Divulgação/Serpro</em>
Imagem: Divulgação/Serpro

Já caí no golpe! E agora ?

Muita calma! Infelizmente, não há muito o que fazer. O primeiro passo é se dirigir até a delegacia e registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) relatando a sua experiência, além de realizar a representação para que as autoridades iniciem a investigação do caso. Os responsáveis pelo golpe poderão responder por estelionato (crime previsto no artigo 171 do Código Penal e que estabelece pena de um a cinco anos de reclusão, além de multa).

Há também dois agravantes. Como o golpe está sendo aplicado em momento de calamidade pública por conta da pandemia, a pena poderá ser ainda maior (art. 61, “j”, do Código Penal) e que, caso os criminosos estejam agindo em grupos de quatro ou mais indivíduos, responderão ainda por associação criminosa. Somando todas essas possibilidades, os responsáveis poderão ficar até 13 anos na cadeia.

Fonte: Canaltech

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