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Como a Europa deve atravessar o próximo inverno sem gás russo

(Bloomberg) -- Os governos europeus elaboram medidas drásticas para reduzir a demanda de energia e sobreviver ao inverno sem o gás natural da Rússia. Vai ser um desafio enorme.

Os preços do gás caíram de níveis recordes, mas continuam altos, e o número de paralisações na indústria aumentam.

A Rússia já reduziu as exportações de gás para a Europa ao mínimo em retaliação às sanções internacionais por sua invasão da Ucrânia, e a recente medida para interromper os fluxos cruciais do gasoduto Nord Stream para a Alemanha aumentou a pressão sobre o bloco.

Segue uma análise de cinco pontos a serem observadas, que decidirão se a Europa consegue lidar com os próximos meses mais frios no hemisfério norte.

Consumo

Se a meta de corte de 15% no consumo for alcançada e o clima for favorável, há uma chance de o continente aguentar esta temporada de aquecimento, mesmo que haja um corte completo do gás russo, de acordo com a Fitch. Mas vai ser apertado para a Alemanha, a potência econômica da região, e quase não haverá margem para surpresas como frio maior que o normal. “A margem de erro vai diminuir”, disse Angelina Valavina, chefe de recursos naturais e commodities para Europa, Oriente Médio e África na Fitch.

A meta alemã de estoques 95% cheios até o início de novembro só cobre 2 meses e meio de demanda com fluxos russos a zero, disse Klaus Mueller, presidente da agência reguladora de energia do país, no mês passado.

Geração

Embora as indústrias tenham reduzido o consumo de gás, a demanda pelo combustível para geração de energia tem sido maior do que o esperado. Ondas de calor e secas prejudicaram a capacidade hidrelétrica neste verão, enquanto as águas mais quentes de rios usados para resfriar reatores e as interrupções de usians nucleares francesas reduziram a geração. “Não há muita flexibilidade para aumentar consideravelmente a geração de outras fontes”, disseram analistas da Rystad Energy em nota. Tempo muito frio e ventos fracos para geração eólica podem levar ao racionamento de energia e apagões, disseram.

Concorrência

A política Covid Zero da China, combinada com preços elevados, reduziu as importações de GNL do país asiático em cerca de 20% até agora este ano. Mas a BloombergNEF espera que a China retome parcialmente as compras até dezembro. Um aumento repentino na demanda asiática pioraria a crise de oferta global.

Surpresas

Outro grande risco são as interrupções não planejadas, especialmente um evento em uma instalação de grande porte como a planta de exportação de GNL da Freeport LNG nos EUA, que foi danificada por um incêndio em junho. O incidente reduziu visivelmente as exportações totais do país. A reaberta está prevista para novembro, mas o mercado teme que a interrupção possa ser estendida.

Clima

O clima é o fator mais imprevisível. O inverno passado foi relativamente ameno, deixando a Europa com estoques de combustível acima do esperado. E as previsões para outubro, quando começa a temporada de aquecimento, mostram temperaturas acima do normal. Mas se a Europa finalmente enfrentar algo semelhante a 2012, que foi o inverno mais frio dos últimos 10 anos, a demanda de gás da região será de cerca de 20 bilhões de metros cúbicos — ou 5% do consumo anual típico — acima das projeções atuais, de acordo com a Fitch. Isso significaria “um equilíbrio entre oferta e demanda mais desafiador para 2023”, disse.

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