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Como era o Brasil da última vez que o BC lançou uma nova cédula de Real

Cédula de R$ 20 foi lançada 18 anos atrás, em 2002. (Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

Nesta quarta-feira (29), o Banco Central brasileiro anunciou o lançamento de uma nova cédula de papel na família do Real: a nota de R$ 200, que virá com a estampa de um lobo-guará. O lobo já havia aparecido anteriormente em uma pesquisa nacional, com a população, sobre quais animais deveriam ser homenageados em futuras cédulas.

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Entre os principais motivos para a novidade está a redução dos gastos do governo com a impressão de papel-moeda, em um cenário de aumento da circulação de dinheiro vivo por conta de receios da população com a crise do coronavírus, e também do pagamento de bilhões de reais do auxílio emergencial, muitas vezes efetuado em espécie. Com uma nota de valor mais alto, caem os gastos com impressão. 

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A última vez que a economia brasileira ganhou uma nova cédula foi em 2002, com a nota de R$ 20. Os motivos já eram semelhantes, economia de dinheiro, mas o Brasil era um país diferente, como mostram alguns dos indicadores e fatos históricos compilados abaixo.

Naquele ano de 2002, o dólar bateria recorde histórico, cotado a R$ 3,95, às vésperas das eleições presidenciais que dariam a vitória ao candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva. Até então, o presidente era Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, que concluía seu segundo madato (FHC governava o país desde 1995), marcado pela expansão da abertura da economia ao capital estrangeiro.

A seleção masculina de futebol acabava de se sagrar pentacampeã mundial na Copa do Mundo da FIFA, em uma final contra a Alemanha. 

Ainda que a cotação do dólar hoje esteja em cerca de  R$ 5,20, o recorde de 2002 com as correções de inflação só seria batido com uma cotação acima da casa dos R$ 10, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

O produto interno bruto (PIB) cresceu, de cerca de R$ 1,32 trilhão, 18 anos atrás, para R$ 7,3 trilhões, em 2019. Ainda que a atual “estagnação” do Brasil no nono lugar do ranking das maiores economias do mundo desaponte alguns analistas, que vêem outras economias superando a brasileira, em relação a 2002 melhorou também a posição do país nessa lista organizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Naquele ano, o Brasil ocupava a 13ª posição.

Detalhe de uma moeda de R$ 1 (Foto: YASUYOSHI CHIBA/AFP via Getty Images)

Algo que mudou drasticamente de 2002 pra cá foi a percepção do brasileiro sobre a corrupção. Um dos rankings mais respeitados e observados nessa medição é o da Transparência Internacional (TI), uma organização não governamental que organiza anualmente essa pesquisa em vários países do mundo. 

Em 2002, o Brasil ocupava a 45ª posição do ranking de percepção da corrupção da TI. No ano passado, ficou em 106º lugar, junto a países como Albânia, Argélia, Costa do Marfim, Egito, Macedônia e Mongólia.  

Mais alguns dados interessantes que comparam os “sinais vitais” da economia brasileira de 2002 com a atual: 

O salário mínimo subiu de R$ 200, naquela época, para os atuais R$ 1.045. O desemprego nacional subiu, também, acelerado no último trimestre pela crise do novo coronavírus: da média de 11,7% em 2002, segundo o IBGE, para 12,9% na última divulgação em 2020. 

Um usuário do transporte público em São Paulo, em 2002, precisava sacar apenas R$ 1,40 em uma passagem de ônibus na capital. Hoje, o valor do passe subiu para R$ 4,40.

Vale lembrar que esses números de 2020 valem para um período de grandes incertezas, de prevista retração do PIB brasileiro em 2020, por conta do impacto da crise do novo coronavírus. Até o final do ano, nos próximos trimestres, ficará mais claro o estado econômico do país, e o quão diferentes estamos em relação a 2002. 

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