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Como equilibrar os gastos de Natal com as despesas de início de ano?

Muita gente se empolga com as compras de fim de ano, mas é preciso tomar cuidado para não gastar mais dinheiro do que o orçamento permite (Pixabay)

Por Amauri Eugênio Jr. 

Com a chegada do fim de ano, a empolgação com as compras de presentes, peças de vestuário e demais produtos relacionados às comemorações de Natal e de Réveillon vem à tona e, não raras vezes, fala mais alto do que as despesas de início de ano. Sim, a aquisição desenfreada de presentes distribuídos aos parentes e amigos pode ser revertida em dores de cabeça após as chegadas do IPTU, IPVA e das listas de materiais escolares das escolas dos filhos.

Para não correr o risco de gastar mais dinheiro do que o orçamento permite, a primeira saída para conseguir conciliar os dois cenários é planejar-se: estabelecer um teto de valores disponibilizados para aquisições de presentes e evitar ao máximo gastar por impulso são medidas importantes.

Outro aspecto a ser considerado com o estabelecimento de gastos é fazer as contas ao priorizar as contas de janeiro para, aí sim, realizar as compras de fim de ano. “Aconselho a calcular quais são as dívidas de início de ano ou aquelas que estejam em aberto. O que sobrar do 13º pode ser usado para fazer compras ou para viajar, mas as prioridades são as contas de início do ano [seguinte]. O que pode acontecer é as pessoas se esquecem dessas dívidas, fazerem compras descontroladas e, quando chegam no início do ano, não terem mais dinheiro para honrá-las e acabam fazendo empréstimos, entrando no cheque especial e tudo o mais”, destaca Mauro Fontes, consultor financeiro e CEO da Contabilivre.

Adriano Gomes, sócio-diretor da Methode Consultoria e professor de Administração da ESPM, enfatiza também como a falsa sensação de poder de compra e de folga no orçamento pode levar o consumidor a tomar decisões erradas, sem medir as consequências dos atos, assim como a necessidade de mudar a perspectiva do planejamento do orçamento. “Ter dois salários dá a falsa impressão de haver sobra de caixa, com a qual é possível pagar contas e fazer uma festa e dar presentes, ou fazer um passeio. Quando colocamos 60 dias em vez de 30 dias no orçamento, isso modifica bastante o fluxo de caixa.”

Vale a pena comprar à vista?

Sim. Além de possibilitar haver descontos durante as compras, fazer negócios à vista pode também ser importante para evitar começar o ano seguinte com dívidas resultantes de transações parceladas. “Fazer compras à vista é importante para começar o ano com bons hábitos e para não levar dívidas [adiante], assim como trazer a tendência de não fazê-las ao longo do ano”, recomenda Fernanda Fonseca, economista do aplicativo Renda Fixa.

A profissional faz também outra recomendação aos consumidores, ao enfatizar a moderação no uso do recurso a seguir. “Caso não seja possível comprar à vista, usar o cartão de crédito com consciência não é prejudicial ou ruim – o problema é que as pessoas se atolam muito por causa de dívidas com essa modalidade. Sendo bem utilizado, o cartão de crédito pode ajudar também.”

Olhando no retrovisor

Caso ainda haja dúvidas sobre como agir quando a vontade de comprar fala alto, relembrar experiências de anos anteriores pode ser uma saída importante. Sim, os erros dos anos anteriores podem ensinar boas lições para não repeti-los hoje.

“É necessário lembrar-se de como foi o ano anterior e o que foi feito de errado para corrigir essa parte. A gente não aprende educação financeira na escola, mas com a experiência. Confira as contas e as suas anotações no anterior, veja se você se apertou em virtude de alguma extravagância cometida no fim do ano e não repita os mesmos erros”, aconselha Mauro Fontes.

Presente para o futuro

No início deste texto, um dos pontos abordados dizia respeito a estabelecer um teto de gastos para as compras de presentes. Além dessa medida, é necessário relacionar em uma planilha o valor pretendido para realizar tais operações e verificar se o planejamento bate com a realidade financeira.

Outras medidas interessantes são, é claro, fazer pesquisas online para encontrar preços mais vantajosos e fazer compras com antecedência – o tempo pode refletir na tomada de decisões para o bem e para o mal. “ Conforme a data fica mais próxima, mais a pessoa se sentirá pressionada – e a pressa é inimiga das boas escolhas. Fazer compras na correria pode impactar demais o nosso processo de tomada de decisões. Por exemplo, ir ao shopping para comprar algo com urgência, no fim do dia, nos induz a levar algo sem pensarmos muito no orçamento, pois queremos ir embora logo por causa do cansaço”, recomenda Fernanda Fonseca.

Por fim, independentemente do contexto, repensar os hábitos de consumo agora é fundamental para começar o ano seguinte com mais tranquilidade. “As pessoas precisam entender, em definitivo, que precisam reduzir o nível de gasto das famílias, o qual está muito alto. É provável que grande parte das famílias está com caixa bastante apertado, enquanto outro grande número está na inadimplência. É hora de mais cautela para começar 2019 diferente”, finaliza Adriano Gomes.