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Como as empresas investem em profissionais de Tecnologia mesmo sem experiência

·6 minuto de leitura

É fato consumado que a demanda por profissionais de Tecnologia por parte das empresas brasileiras (e também mundo afora) é muito maior do que a oferta dos mesmos. A briga é especialmente intensa pelos especialistas mais sêniores, com ofertas cada vez mais agressivas, o que inflaciona o mercado como um todo — e também aumenta a pressão em cima desses profissionais.

E uma das formas que diversas empresas estão encontrando para escapar desse leilão é "apostar na base". Ou seja, elas vêm criando programas internos para capacitar profissionais de TI que estão em início de carreira ou, até mesmo, aqueles que pretendem mudar de área.

Essa estratégia, aliás, já vem refletindo nos anúncios de emprego. Segundo a plataforma de recrutamento Geekhunter, houve um aumento de 344% nas oportunidades para profissionais plenos, com dois a seis anos de carreira, e 173% para júnior, com até dois anos, no primeiro semestre de 2021. Enquanto isso, as vagas para desenvolvedores mais experientes, com mais de seis anos de carreira, que eram o maior foco em 2020, tiveram um aumento menor em 2021, de 131%.

"Contratar perfis mais experientes é desafiador. Muitas vezes, os RHs não conseguem encontrar o profissional que precisam no tempo que esperam", analisa Tomás Ferrari, CEO e fundador da GeekHunter. "A consequência disso são vagas abertas por mais tempo e projetos atrasados. Por isso, cada vez mais empresas têm mudado a forma de agir, percebendo qual profissional está aberto para as oportunidades e direcionando os esforços para ajudá-lo no desenvolvimento".


Empresas apostam na "prata da casa"

Uma das empresas que usa a estratégia de capacitar os profissionais de TI menos experientes dentro de casa é a WK Sistemas, especializada no desenvolvimento de softwares de gestão empresarial (ERP). Sediada em Blumenau (SC), a companhia lançou, em maio deste ano, o programa de imersão para desenvolvedores "#Chega++". O objetivo da iniciativa foi capacitar pessoas que já tinham alguma experiência com desenvolvimento de sistemas nas linguagens e tecnologias usadas na empresa. Os selecionados foram contratados com carteira assinada e remunerados desde o primeiro dia do curso, que durou três meses.

"Encontrar profissionais qualificados nem sempre é fácil", comenta Cláudia Rutzen, diretora administrativa da WK. "Por isso, nós investimos em alguns programas internos de formação e todo mundo sai ganhando: o colaborador, que vira um especialista na área, e a empresa, que passa a contar com um quadro de pessoas muito mais qualificado”. Além do "#Chega++", a empresa também tem um programa recorrente de estágio e hoje conta com 200 funcionários.

Já a multinacional de hospedagem de sites e serviços online HostGator criou, no ano passado, o Starter, programa para colaboradores de qualquer área que querem se tornar desenvolvedores. Ao longo de seis meses, os participantes dividem o tempo entre as atividades do setor de origem e a capacitação. Se aprovados, podem migrar para a nova área.

“Com o programa, ajudamos na transição de carreira, um movimento difícil para profissionais de todas as áreas, e ainda conseguimos absorver novos talentos”, afirma Giulianna Boscardin, head de pessoas da HostGator.

A edtech Tera, por sua vez, atende a empresas de diversos portes que apostam na formação interna. A startup oferece programas com aulas 100% online, ao vivo e em formato bootcamp. Ela atua com cursos de Product Management, User Experience Design, Digital Marketing, Data Analytics e Data Science, qualificando colaboradores de mais de 200 empresas, entre elas Itaú e IFood. Além disso, ela já formou mais de 6 mil estudantes em busca de oportunidades na área de Tecnologia.

" A maneira como os adultos se qualificam para o mercado de trabalho está em processo acelerado de disrupção e a tendência é que cada vez mais as empresas tomem a frente da capacitação", analisa Leandro Herrera, fundador e CEO da Tera. “As pessoas irão procurar transicionar de carreira ou se desenvolver para avançar profissionalmente e os métodos tradicionais de educação não darão conta".

Mais paciência com os "novatos"

Ainda que não tenham um programa mais avançado de capacitação externa, outras empresas apostam na paciência com os novatos, para eles entenderem não apenas as tecnologias que serão utilizadas, mas também a área de atuação em que seu novo empregador atua.

Uma delas é o badalado Nubank. Para pessoas que estão começando suas carreiras agora, a fintech oferece um período de integração mais longo aos menos experientes. "Nessa integração eles podem aprender mais sobre o mercado que o Nubank atua, os produtos e tecnologia, bem como treinar e conseguir se preparar para atuar dentro das áreas", afirmou Silvia Kihara, Líder Global de Recrutamento de Tecnologia do Nubank, em entrevista recente ao Canaltech. "É importante lembrar que, independentemente do nível de senioridade, o Nubank não exige que as pessoas já saibam programar com as tecnologias utilizadas no dia a dia da empresa, já há muito espaço para aprendizado e estruturas que apoiam Nubankers nessa jornada.

Silvia Kihara, Líder Global de Recrutamento de Tecnologia do Nubank: período de integração mais longo aos "novatos" (Imagem: divulgação)
Silvia Kihara, Líder Global de Recrutamento de Tecnologia do Nubank: período de integração mais longo aos "novatos" (Imagem: divulgação)


Já a RD Station, companhia especializada no desenvolvimento de soluções de Software as a Service (SaaS) voltado para o crescimento de médias e pequenas empresas, também aposta forte na capacitação interna. Inclusive, para muitos das posições abertas na área de Tecnologia ela nem exige diploma universitário.

"Temos um programa de mentoria técnica, onde capacitamos pessoas do time com potencial para serem mentores e as conectamos com outras pessoas da RD que buscam por capacitação técnica", explicou Paula Hameister, Tech Talent Acquisition Team Leader da RD Station. "Outra iniciativa que temos o maior orgulho foi o nosso programa de estágio de 2019, o Vale do Início Tech. Ele foi 100% focado em pessoas que estavam iniciando na carreira de tecnologia e contou com uma grade de treinamentos intensivos, conciliados com o trabalho dentro das áreas e mentorias 1:1 com pessoas seniores do time (hoje essas pessoas são top performers dentro de suas áreas).

A união faz a força... ou melhor, os devs

Quem tem vem "apostando na base" para suprir a demanda por profissionais de TI são as empresas de Santa Catarina. Segundo levantamento da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), as companhias de base tecnológica do estado estimam abrir mais de 16 mil novas vagas até 2023 — mais da metade delas para desenvolvedores.

E para fortalecer a matriz de formação de profissionais, a entidade lançou, em parceria com o SENAI, o DEVinHouse, um programa para formação de desenvolvedores em nove meses e com bolsas de estudo integrais. Empresas parceiras participam do projeto como patrocinadoras, ajudam a definir os conteúdos das aulas e se comprometem a contratar parte dos formados. Na primeira turma, a parceira foi a Softplan, uma das maiores desenvolvedoras de softwares do Brasil, que, mesmo antes da conclusão do curso, já contratou 12 alunos.

"A expectativa do DEVinHouse é iniciar a formação de 225 desenvolvedores neste ano", explica o presidente da ACATE, Iomani Engelmann. “Assim, podemos abastecer as empresas com pessoas qualificadas, gerando renda e emprego, além de fornecer talentos para organizações em qualquer lugar do mundo, por meio do trabalho remoto”.

Fonte: Canaltech

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