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Como distribuir equitativamente as vacinas contra a covid-19 no mundo?

Ivan Couronne
·3 minutos de leitura
Seringas descartáveis na fábrica dos laboratórios Sanofi em Val de Reuil, França, em 10 de julho de 2020
Seringas descartáveis na fábrica dos laboratórios Sanofi em Val de Reuil, França, em 10 de julho de 2020

Um grupo internacional de especialistas em ética da saúde criticou nesta quinta-feira (3) a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de distribuir vacinas contra o novo coronavírus a cada país para 20% de sua população, propondo, em vez disso, um esquema de alocação que eles consideram mais justos. 

Em coluna publicada pela revista Science, o professor americano Ezekiel Emanuel e uma dezena de outros especialistas do Reino Unido, Canadá, Austrália, Noruega e Cingapura, entre outros, acreditam que a ideia de dar a mesma proporção de vacinas para cada país é uma falsa boa ideia ética, e sugere dar prioridade aos países onde a situação epidêmica é mais grave.

Primeiro, "o número de mortes prematuras deve ser minimizado", afirmou à AFP Emanuel, diretor do departamento de ética médica da Universidade da Pensilvânia e ex-arquiteto da reforma da saúde do ex-presidente Barack Obama.

O grupo também refuta a outra proposta de que as doses da vacina devam ser distribuídas de acordo com o número de trabalhadores médicos ou idosos, o que automaticamente daria uma vantagem aos países desenvolvidos. 

"Adivinha quem tem muitos médicos e pessoas com mais de 65 anos? Países ricos", ressalta Emanuel. 

Seu modelo, denominado "Modelo de Prioridade Justa", começa calculando o número de anos de vida que se ganharia em um determinado país com a aplicação de um milhão de doses da vacina, por exemplo. 

O Peru, onde a mortalidade é atualmente muito alta, mas também os Estados Unidos, onde a epidemia continua matando mil pessoas todos os dias, provavelmente estariam no topo da lista. 

"Mas dar à Nova Zelândia um milhão de doses salvaria literalmente apenas uma ou duas pessoas, de modo que o país estaria no final da lista de prioridades". 

- As enfermeiras são prioridade? - 

O grupo diverge do argumento de que essa política equivaleria a uma recompensa pela má administração da pandemia que, como nos Estados Unidos, não conteve-se o vírus por incompetência e outras causas. 

"Não se pode castigar os americanos porque Donald Trump não consegue gerenciar essa pandemia", responde o professor Emanuel.

Para combater a covid-19, "não se pode dar a mesma [quantidade] a todos; os países que estão nas piores situações devem ser tratados com prioridade", acrescenta, comparando a situação com a de um pronto-socorro, onde os ataques cardíacos são atendidos antes de um caso de amigdalite. 

Após analisar os anos de vida que poderiam ser salvos, os especialistas sugerem que se leve em consideração o critério de minimizar os danos econômicos e sociais, a pobreza, o desemprego, o fechamento de escolas, entre outros.

No esquema ético que propõem, as populações prioritárias não são necessariamente enfermeiras e médicos, mas devem vir primeiro as pessoas cuja moradia, trabalho ou idade os tornam mais vulneráveis ao vírus. 

"Muitos trabalhadores médicos não estão contaminados porque sabem usar máscaras, batas e luvas, então podem não estar no topo da lista, é preciso olhar os dados empíricos", exemplifica Emanuel sobre a ordem de prioridade a aplicar a vacina dentro um determinado país. 

Mas será que essa contribuição acadêmica para o debate sobre o intercâmbio global de futuras vacinas encontrará espaço nas discussões entre os líderes mundiais? 

Os países ricos já reservaram bilhões de doses de vacinas para suas próprias populações, e o dispositivo apoiado pela OMS para pedidos e distribuição agrupados, chamado Covax, ainda não conseguiu arrecadar os fundos que precisa para abastecer os 92 países pobres participantes. 

ico/iba/ll/mls/bn/am