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Como cientistas identificaram a variante Ômicron pela primeira vez?

·2 min de leitura

Estranhando um aumento rápido nos casos de covid-19 na África do Sul, uma cientista da região que sequenciou os primeiros genomas da variante Ômicron (B.1.1.529), em 19 de novembro, disse que ficou bastante chocada com o que estava vendo. “Eu questionei se algo deu errado no processo", disse Raquel Viana, diretora científica de um dos maiores laboratórios de análises clínicas da África do Sul.

Foi Alicia Vermeulen, cientista na rede privada de laboratórios, que desconfiou da ausência do gene da proteína Spike em algumas amostras de pacientes. Os sequenciamentos genéticos comuns não sequenciam o genoma inteiro do vírus — existem algumas partes essenciais que tornam mais prática a detecção. E eram exatamente essas partes que estavam faltando.

Na análise completa, feitas em um laboratório da Lancet, as amostras incomuns encontradas por Vermeulen tinham uma coisa semelhante: a perda de um gene da proteína S, uma das mutações confirmadas que agora distinguem a nova variante Ômicron do coronavírus da Delta, por exemplo, como explicou Viana em entrevista à Reuters.

Prontamente ela alertou o Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis (NICD) em Joanesburgo, que começou a analisar mais amostras durante o fim de semana de 20 a 21 de novembro. Surpresos com a quantidade de mutações, os cientistas do NICD começaram a suspeitar que se tratava de uma nova cepa do coronavírus — o que se confirmou posteriormente.

E aí, uma coisa levou à outra: naquele mesmo dia, os pesquisadores do NICD sinalizaram a descoberta para o departamento de saúde. Depois, os achados foram inseridos no banco de dados científico global GISAID, e o NICD descobriu que Botswana e Hong Kong também relataram casos com a mesma sequência genética. Assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi notificada.

Falta do gene do coronavírs foi o que levou a detecção da variante Ômicron (Foto: Freepik)
Falta do gene do coronavírs foi o que levou a detecção da variante Ômicron (Foto: Freepik)

Preocupação Global com a Ômicron

Mesmo sem informações sobre transmissibilidade, letalidade ou quais consequências a nova cepa poderia ter, a OMS tratou de classificá-la como variante de preocupação (VOC) — algo que alertou todo o mundo e fez com que com países limitasse as viagens da região, além de adotar outras medidas de restrição. Em poucos dias, a variante Ômicron se tornou dominante na província de Gauteng, África do Sul.

Salim Abdool Karim, especialista em doenças infecciosas, projeta que os casos diários de coronavírus irão quadruplicar para mais de 10 mil até o final da primeira semana de dezembro, devido à disseminação da nova variante.

Algumas questões urgentes ainda estão sem respostas. Por exemplo, a reação às vacinas, se podem ou não escapar dos imunizantes. E é isso o que tem feito algumas cidades cancelaram as festividades de fim de ano e adotarem, mais uma vez, todas as medidas de restrições indicadas desde o início da pandemia.

Fonte: Canaltech

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