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Como aplicativos podem ajudar na alfabetização de crianças

Redação Notícias
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Getty Images
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Por Milena Buarque (@mibuarque) e Ruam Oliveira (@oliveiraruam)

Quando o assunto é aprendizagem, uma coisa é certa: a tecnologia veio para ficar. Na rotina de salas de aula e ambientes educacionais, é cada vez mais comum que um professor utilize de meios virtuais para complementar o plano de estudos.

Como em todos os níveis e fases do ensino, a etapa da alfabetização também vivenciou os limites impostos pela necessidade de distanciamento e isolamento sociais. Ainda que o uso excessivo de telas não seja recomendado por especialistas, crianças hoje em dia têm vasto acesso a tablets e smartphones e em sua rotina escolar isso acaba não sendo tão diferente. É neste ponto que os aplicativos podem aparecer.

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Na visão da pedagoga Clarissa Pereira, embora seja apenas mais um recurso, a tecnologia é uma ferramenta da qual não se é possível fugir no ensino. “Como qualquer recurso, a gente tem que saber muito bem como usá-lo, porque ele pode ser bom ou pode ser ruim. Nenhum aplicativo, por exemplo, vai dar conta de todos os processos didáticos. Quando estamos falando em didática, estamos falando naquilo que o professor usa para ensinar”, afirma.

Mestre em educação e especialista em alfabetização e letramento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pereira acredita que a pandemia fez com que educadores antes resistentes ao uso de tecnologia em sala de aula – e com crianças – se aproximassem das possibilidades de interação complementares desses recursos.

“Quanto tempo uma criança sustenta a atenção diante de algo? A tecnologia pode ser, sim, benéfica no desenvolvimento se a gente tiver olhar, intencionalidade, objetivo e se a gente conseguir ver bem para que didática ela vai servir.”

Metodologias ativas, que têm como princípio colocar o aluno no centro de todo o processo de aprendizagem, intensificaram o uso de ferramentas digitais como parte da forma de aprendizado. Em se tratando da alfabetização, aplicativos que auxiliem as crianças a desenvolver habilidades cognitivas são, para a professora Renata Capovilla, coordenadora de projetos e formadora na Foreducation, bem aceitos e devem ser utilizados.

A questão da interação, em contraponto ao mero caráter expositivo de um filme, por exemplo, pode ser a chave para o educador entender esse recursos como adicionais ao ensino. Sendo um processo contínuo, a aprendizagem não acontece de forma solitária, apenas com o auxílio de uma tela.

A tecnologia bem formulada, segundo Pereira, deve refletir essas características e dinâmicas de cada momento do aprendizado. “A aprendizagem acontece em relação, na troca. Aprender com com a professora e com o colega coisas novas. Ver que ele erra. E que é possível ajudar esse colega”, diz.

Capovilla ressalta que é importante que o professor conheça o aplicativo e que a intencionalidade educativa esteja clara. "Não dá para pegar qualquer aplicativo e falar 'vou colocar esse aqui e vai ser ótimo para todo mundo'. Tem que saber qual é seu objetivo pedagógico. Qual habilidade que quer desenvolver."

É necessário, portanto, que o movimento inverso seja feito, ou seja, identificar os objetivos e a partir deles descobrir quais as ferramentas mais adequadas e que melhor se encaixam para cada situação.

Vocabulário totalmente em português, uso de fonte bastão (e não cursiva), emprego de sons, cores e rimas são algumas das dicas para saber identificar um aplicativo apropriado para o letramento. Por outro lado, recursos pautados na memorização, por meio de atos repetitivos, e na intuição devem ser descartados nessa etapa do ensino. De acordo com a pedagoga, ainda que a memorização faça parte da aprendizagem, ela não é vista como um pré-requisito oficial.

“Desde os dois anos de idade, crianças já sabem clicar em 'fechar' no YouTube. E isso não significa que ela está lendo. Ela está fazendo algo muito intuitivo, que ela já viu um adulto fazer. Aprender e se alfabetizar não pode ser intuitivo. Como completar uma palavra, por exemplo. Se para formarmos a palavra 'bala', o primeiro tracinho está em rosa e a letra 'B' é rosa, isso é associação de cor. Não são associações de consciência fonológica. Vira intuição. Não vira aprendizagem.”

Na visão de Capovilla, no entanto, as crianças gostam também de um modelo gamificado, que envolva ganhar pontos e recompensas. Diferenciar aplicativos educativos de games é essencial para identificar quais habilidades determinado recurso pode desenvolver na criança. Jogos constituem parte do processo de alfabetização, mas até eles devem ser bem pensados e formulados.

Para Pereira, mesmo que jogos auxiliem no processo formativo, é importante que famílias e escolas estabeleçam um tempo máximo de uso das telas. Em fase de alfabetização, a pedagoga recomenda não exceder 30 minutos em tarefas de casa – envolvendo elas tecnologia ou não.

“Não é porque um aplicativo parece ser de brincadeira que elas não estão envolvendo ali processos mentais. Essa energia tem que ser gasta no brincar por brincar também, que é muito pedagógico. Às vezes, fazer uma massinha de modelar ou ajudar a preparar um brigadeiro é muito mais produtivo do que ficar fazendo as crianças desenharem os alinhavos dos aplicativos com os dedinhos.”

Uma solução possível apontada por Capovilla é proporcionar que escolas capacitem seus professores no uso dessas tecnologias.

"Até antes da pandemia, esse era um assunto que poucas pessoas gostavam de falar ou até mesmo ignoravam. Mas, com o advento da doença, os professores foram obrigados a inserir esse tipo de recurso em suas aulas", diz.

Essa preparação também possui um caráter social. Mesmo que a necessidade do uso de tecnologia tenha se acentuado durante a pandemia, Capovilla aponta que o país ainda está em um processo de adaptação. "Não estamos preparados 100%, mas estamos num caminho."

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