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Como anda o tabuleiro de xadrez para a eleição de 2022

Ana Paula Ramos
·6 minuto de leitura
Brazilian President Jair Bolsonaro (R) and Sao Paulo's Governor Joao Doria attend a military event in Sao Paulo, Brazil, on October 11, 2019. (Photo by NELSON ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Governador de São Paulo, João Doria, se lança como candidato de oposição ao presidente Jair Bolsonaro (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

Em jantar nesta semana com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o presidente do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto, teria afirmado categoricamente que não apoiará o presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2022.

“A informação mais importante, que nós desejávamos ouvir, ouvimos do presidente do DEM, quando ele afirmou taxativamente, cabalmente, que o DEM não apoia e não apoiará o governo de Jair Bolsonaro. Nem nesse momento, nem no futuro para o programa sucessório. Foi taxativo e deu essa informação de forma cabal”, relatou Doria.

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A informação é importante porque João Doria conta com a aliança histórica entre o PSDB e o DEM para sua candidatura a presidente em 2022. Depois de um ‘Bolsodoria’ em 2018, o governador paulista apresenta agora um projeto de oposição ao governo Jair Bolsonaro. “Um governo negacionista, fracionista, extremista e incompetente”, como ele definiu.

Para vencer Jair Bolsonaro, que, apesar de todos os tropeços na condução da pandemia, continua liderando as pesquisas de intenção de voto, os políticos mais experientes defendem uma ampla aliança, capaz de reunir a direita, o centro e a esquerda.

No entanto, com a eleição da presidência da Câmara, em que a formação de um frente ampla contra o candidato do Palácio do Planalto fracassou, os líderes já admitem que será difícil.

CENTRO-DIREITA

No campo do centro e da direita, hoje, três partidos têm diálogo avançado. PSDB, DEM e Cidadania já começam a discutir nomes para 2022 e como atrair outras legendas. A disputa pelo comando da Câmara, porém, deixou fissuras e pode comprometer a formação desse bloco.

João Doria assumiu a liderança das negociações, primordialmente porque não esconde que quer ser candidato a presidente em 2022.

Seu projeto presidencial inclui assumir o comando do PSDB, que se encontra dividido entre o grupo que o apoia e o que é ligado ao deputado federal Aecio Neves. Com isso, adversários tucanos de Doria querem que Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, se assuma como postulante ao Planalto. Doria tem uma reunião nesta quinta-feira (11) com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o assunto.

O DEM, que saiu fortalecido das eleições municipais, com crescimento de cerca de 70% no número de prefeitos em todo o Brasil, já cogitava indicar o cabeça de chapa para 2022. O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, por exemplo, admitia que podia lançar seu nome na disputa. Rodrigo Maia (RJ) e o próprio ACM Neto foram cotados para compor chapas também.

Com a eleição na Câmara e a saída de Maia do partido, o DEM se alinhou a Jair Bolsonaro e corre o risco agora de sofrer uma debandada. A estimativa é que Rodrigo Maia leve 40 políticos com ele. Mandetta também ameaçou deixar a legenda diante da aproximação com o governo Bolsonaro.

Embora ACM Neto tenha defendido a independência do partido em relação ao presidente, nomes da legenda, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, não descartam aliança em 2022 com Bolsonaro.

O Cidadania, aliado histórico do bloco PSDB-DEM, espera ter um protagonismo maior em 2022. O apresentador Luciano Huck avalia se filiar à sigla, assim como Rodrigo Maia, que pode ingressar nas fileiras do partido.

Huck é a grande incógnita dentro da centro-direita. Ele já afirmou que quer disputar a Presidência, mas ainda não se filiou a partido político. Com o fim do Domingão do Faustão, o apresentador estuda adiar os planos de concorrer a presidente para comandar um programa dominical na Rede Globo.

Já o MDB mantém conversas com o grupo mas ainda não aderiu ao projeto, em partes, porque também abriga aliados de Jair Bolsonaro. A legenda é fundamental na formação de uma frente ampla, já que se manteve na última eleição como o maior partido em número de prefeituras, mas saiu enfraquecida das eleições no Congresso.

No Senado, abandonou sua candidatura própria para apoiar o preferido de Jair Bolsonaro e, na Câmara, perdeu com Baleia Rossi (SP), que é presidente do MDB. Baleia, inclusive, já afirmou que o partido tem nomes fortes e que pode ter candidato próprio em 2022. Convidado a se filiar à legenda, a chegada de Maia poderia aumentar o leque de opções.

Nesse cenário, o ex-ministro Sergio Moro aparece sem espaço. A imagem do ex-juiz ficou abalada com o vazamento de conversas com procuradores da Lava Jato e, no segundo semestre, o STF vai julgar a suspeição de Moro, o que pode anular a sentença de Lula no caso do triplex.

Além disso, o nome dele causa resistência em muitos políticos e pode dificultar a formação de alianças.

ESQUERDA

Por outro lado, a esquerda parece que não consegue se unir.

Na semana passada, causou desconforto o anúncio de que Fernando Haddad teria sido convidado por Lula para ser o candidato do PT à presidência da República em 2022. Lula se precipitou e não consultou outros partidos, nem mesmo o PT, segundo aliados.

Nesta semana, o ex-prefeito de São Paulo recuou e disse, em entrevista, que Lula continuava a ser o candidato.

Mas fato é que a insistência no nome de Lula irrita os líderes de partidos de esquerda. O ex-presidente está inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Eles criticam a falta de debate em torno de um projeto e dizem que esse discurso impede que novas lideranças cresçam no campo progressista.

Candidato a presidente em 2018 e a prefeito de São Paulo em 2020, Guilherme Boulos (PSOL) respondeu à atitude de Lula: “Defendo que a esquerda busque unidade para enfrentar Bolsonaro. Para isso, antes de lançar nomes, devemos discutir projeto”.

Também cotado como candidato após sair consagrado como uma liderança emblemática na eleição municipal do ano passado, Boulos já afirmou que pode disputar 2022, mas que a prioridade é unir a esquerda.

"Todos os partidos têm o direito de lançar candidato. Mas, com Jair Bolsonaro governando o Brasil, é preciso buscar unidade. E unidade precisa começar pela confluência de projeto, e não jogando vários nomes na sala. Se isso for feito, a pulverização fica estabelecida”, defendeu em entrevista.

O próprio PSOL ganhou um protagonismo no campo de esquerda e, junto com o PCdoB do governador do Maranhão, Flavio Dino, devem ponderar o debate sobre 2022.

Dino propõe a formação de uma frente ampla e não descarta conversar com Luciano Huck, por exemplo.

Cada vez mais isolado na esquerda, Ciro Gomes (PDT), ex-ministro e candidato em 2018, avalia uma ampla coligação partidária com a centro-direita. Ciro tem um bom diálogo com Rodrigo Maia, fez aliança com o DEM em Salvador e um projeto que una os dois partidos em 2022 não é impossível.

EXTREMA DIREITA

Concorrendo à reeleição, Jair Bolsonaro completa o jogo. Ainda sem partido, o presidente deve entrar em uma legenda do Centrão, como PTB, Patriota ou PP. Além disso, segundo aliados, as alianças para 2022 devem se resumir a partidos do centrão, sendo que o apoio do DEM seria “a menina dos olhos” de alguns articuladores, mas rechaçada pelos apoiadores ideológicos.

Os deputados bolsonaristas do PSL também devem migrar para a nova sigla, por isso, a escolha de Bolsonaro leva em conta a bancada na Câmara, além do fato de que o chefe do Executivo quer ser a grande liderança do partido.