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Como a alta do entretenimento digital impulsiona a produção de conteúdo em 8K?

Colaborador externo
·5 minutos de leitura

Por Celso Barros*

Nos últimos meses, as ofertas de entretenimento vêm passando por uma transformação jamais vista. Se, por um lado, o isolamento social nos privou de uma série de atividades rotineiras, por outro fez com que o streaming e o consumo de conteúdo digital explodissem sem aviso prévio, resultando em um aumento imediato de 25% a 35% no tráfego da Internet no mundo entre meados de março e de abril, segundo pesquisa da Netscout1.

Análise do tráfego de 20 ISPs (provedor de serviços de internet) da América Latina mostra números mais surpreendentes: o México teve o maior crescimento, de 73%, seguido por Argentina, de 60%, Brasil, de 35%; Chile, de 20%, e Colômbia, com um aumento de 13% no tráfego.

Com o maior consumo de conteúdo online, as pessoas também passaram a levar para suas TVs imagens das mais variadas fontes. Mais de 25% dos consumidores afirmaram ter adicionado pelo menos um serviço de streaming ao cardápio de entretenimento doméstico durante a pandemia. Relatório da Kantar aponta outra tendência do período: o fenômeno das lives. Dos 216 eventos desse tipo analisados nos finais de semana entre 25 de abril e 31 de maio, o estudo constatou que as lives que tiveram seu conteúdo transmitido em outros meios, que não somente o digital, tiveram repercussão 2,6 vezes maior.

Nesse contexto, em que a necessidade de interação social pelo meio digital impulsionou o uso da tecnologia para o lazer, o conteúdo em 8K, ao proporcionar uma experiência verdadeiramente imersiva, ganha relevância. Plataformas que ganharam audiência nesse período, como YouTube e Vimeo, já exibem vídeos nessa resolução — que devem se tornar ainda mais frequentes com os novos recursos disponíveis e a maior demanda por altíssima qualidade de imagem.

A necessidade de maior interação social por canais digitais provocou outras mudanças no entretenimento, como no segmento de games, em que plataformas como Twitch, Mixer e jogos do YouTube receberam o dobro do tráfego desde o início do ano. Em maio, a consultoria em games Newzoo divulgou um relatório mostrando que o isolamento social trouxe ganhos de curto prazo para a indústria de games como um todo. As vendas de jogos de console devem crescer 6,8%, para 45 bilhões de dólares em receita este ano, atingindo 729 milhões de jogadores.

E, graças à demanda por uma experiência cada vez mais imersiva, a próxima geração de consoles de videogames deve impulsionar ainda mais a produção de materiais em 8K. A Sony e a Microsoft já confirmaram que seus novos lançamentos, o PlayStation55 e o Xbox Series 106, terão suporte a gráficos em 8K. Com isso, toda a cadeia de produção de jogos passará pelo “update” de resolução. E a mesma inteligência artificial que hoje é usada em TVs 8K para aprimorar o conteúdo e preencher os 33 milhões de pixels, deixando as imagens em menor resolução o mais próximo possível do 8K, poderá ser usada para deixar mais fluída a experiência em jogos.

Se os fabricantes de equipamentos de captura e transmissão de imagens já contam com diversas soluções específicas, os consumidores também já dispõem de câmeras de diversas marcas e até smartphones que gravam vídeos em 8K, a exemplo do Galaxy S20 e do Galaxy Note20, lançados neste ano pela Samsung. A marca, aliás, foi a primeira a trazer uma TV 8K para a América Latina, e recentemente participou de mais uma exibição de seu ecossistema 8K ao ter se tornado parceira oficial do primeiro Carnaval 'virtual' de Notting Hill. Foram criados curtas-metragens utilizando os recursos do Galaxy S20 e da linha de TVs QLED 8K, que lançaram o Carnaval e direcionaram os espectadores a sintonizarem no site oficial do evento.

Vale destacar que, mesmo antes do isolamento social, competições esportivas, shows e grandes eventos já buscavam transmissões em alta resolução. No ano passado, a transmissão de conteúdo em 8K ao vivo passou por um teste notável: a France Télévisions, emissora de serviço público francesa, exibiu o torneio de tênis Rolland Garros nessa resolução, utilizando a rede 5G. A bem-sucedida demonstração comprovou que a rede de quinta geração pode ser usada para oferecer qualidade de vídeo excepcional.

Fato é que a vantagem comprovada da distribuição digital de conteúdo, não importa a plataforma, funciona como um grande impulso ao 8K. Com as pessoas cada vez mais acostumadas a ver o mundo reproduzido em altíssima qualidade, oferecer conteúdo nessa resolução é imperativo, não só para os produtores de filmes e jogos, bem como para toda a indústria do entretenimento. E se alguém ainda avalia que assistir conteúdos em 8K é um privilégio para poucos, vale lembrar que o 4K passou por esta mesma evolução antes de se popularizar. E, ao que tudo indica, a evolução para o 8K será ainda mais acelerada.

*Celso Barros é Product Manager de Visual Display da Samsung para a América Latina

Fonte: Canaltech

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