Mercado abrirá em 6 h 21 min

Como aconteceu o incêndio na usina nuclear de Fukushima?

Em 11 de março de 2011, o Japão experimentou o que ficou marcado como o terremoto mais forte já registrado em sua história. O tremor chegou à magnitude 9 na escala Richter e ocorreu no nordeste do país, desencadeando um forte tsunami. A onda afetou também o sistema de resfriamento da usina nuclear da cidade de Okuma, e no dia 15 daquele mês, houve explosões e um incêndio na Usina Nuclear de Fukushima Daiichi.

O terremoto aconteceu numa sexta-feira, às 14h46 no horário local, num ponto a 24 km de profundidade e 130 km a leste de Sendai, a maior cidade da região de Tohoku, na ilha de Honshu. O tremor causou um tsunami que chegou à altura máxima de 40 m e devastou a ilha de Honshu, matando quase 18 mil pessoas e aniquilando cidades inteiras.

Mapa da intensidade do terremoto; quanto mais escuros os círculos, maior a intensidae dos tremores (Imagem: Reprodução/NASA Earth Observatory)
Mapa da intensidade do terremoto; quanto mais escuros os círculos, maior a intensidae dos tremores (Imagem: Reprodução/NASA Earth Observatory)

A onda causou falhas no fornecimento de energia e nos sistemas de resfriamento de três dos reatores da Usina Nuclear Fukushima Daiichi; o resultado foi um acidente nuclear de nível 7, o mais grave na Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos da Agência Internacional de Energia Atômica.

O que causou o incêndio na usina nuclear de Fukushima

A usina Usina Nuclear Fukushima Daiichi fica na cidade de Okuma, na prefeitura de Fukushima; o local fica a cerca de 220 km de Tóquio. Na época do acidente a usina contava com seis reatores, mas somente o 1º, 2º e 3º estavam funcionando. O 4º servia para armazenar o combustível nuclear já gasto. O terremoto ocorreu a quase 100 km das instalações da usina, equipada com sistemas que detectaram o tremor e desativaram automaticamente os reatores nucleares.

Como os reatores continuam a altas temperaturas mesmo depois do fim das reações, foi necessário acionar geradores de emergência para manter o sistema de resfriamento ativo. O problema é que não demorou muito e uma onda de mais de 14 m de altura invadiu o muro protetor do complexo e inundou a usina, desativando os geradores.

Central Nuclear de Fukushima 1 fotografada um dia após o acidente (Imagem: Reprodução/NNSA)
Central Nuclear de Fukushima 1 fotografada um dia após o acidente (Imagem: Reprodução/NNSA)

Vários funcionários tentaram restaurar a energia, mas nos dias logo após o desastre o combustível nuclear de três reatores havia superaquecido; as temperaturas eram tão altas que acabaram derretendo parcialmente seus núcleos, liberando radiação no ambiente. O acúmulo de hidrogênio gasoso pressurizado fez com que os reatores 1 e 3 da usina explodissem nos dias 12 e 14 de março, respectivamente.

Já no dia 15, uma nova explosão aconteceu no prédio do reator 2, acompanhada de um incêndio desencadeado pelo aumento da temperatura dos combustíveis armazenados no reator 4. Os danos nas instalações fizeram com que o material radioativo vazasse, exigindo evacuações imediatas e o estabelecimento de uma zona de exclusão

Com os danos sérios nos prédios da usina causados pelas explosões, o material radioativo foi liberado na atmosfera e no oceano Pacífico. As autoridades criaram uma zona de exclusão de 20 km na região, mas que foi ampliada conforme o vazamento de radiação seguiu. Mais de 150 mil pessoas foram evacuadas da área.

Após o desastre de Fukushima

Embora não haja registros de mortes causadas imediatamente pelo acidente, as explosões feriram pelo menos 16 funcionários, e vários dos que trabalhavam para resfriar os reatores e estabilizar a usina foram expostos a altos níveis de radiação. Até 2021, o Ministério Japonês da Saúde, Trabalho e Bem-Estar reconhecia apenas uma morte relacionada à radiação liberada após o acidente.

Ruas da cidade de Okuma desertas após a evacuação (Imagem: Reprodução/Uma Sharma)
Ruas da cidade de Okuma desertas após a evacuação (Imagem: Reprodução/Uma Sharma)

Estimativas iniciais indicam que o acidente liberou radioisótopos variados, como iodo-131, e césio-134 — contudo, o mais preocupante era o césio-137, que merece destaque por ser capaz de permanecer no ambiente por décadas, o que o torna o maior responsável pela contaminação de longo prazo. Pesquisas independentes publicadas em 2012 mostraram que a quantidade de césio-137 liberada foi o dobro do que o governo do Japão considerou.

Originalmente as autoridades estimavam que 164 mil pessoas haviam deixado suas casas — com o tempo este número foi revisado para 43 mil, o que representa 2,3% da população da prefeitura de Fukushima. Mais de dez anos após o acidente, o governo japonês ainda não abriu completamente os vilarejos e as cidades dentro da zona de exclusão que cercava a usina, e há áreas que seguem com níveis de radiação no solo mais altos do que aqueles nos arredores da antiga Usina Nuclear de Chernobyl.

Nos anos após o acidente, o Japão realizou grandes operações de limpeza e descontaminação, que permitiram que alguns dos moradores voltassem para suas casas na região. O vilarejo de Noyuki, por exemplo, fica no distrito Katsurao, na prefeitura de Fukushima, e faz parte de uma das áreas reabertas para os moradores neste ano.

Na época, o primeiro ministro Fumio Kishida descreveu que a reabertura representava a “primeira vez que os moradores teriam permissão para viver novamente no distrito”, considerado uma zona de retorno difícil em função da radiação: ali há áreas em que a radiação chega a 50 milisieverts, sendo que as autoridades reguladoras internacionais recomendam que as doses anuais de radiação não passem de 20 milisieverts.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: