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Como a Microsoft perdeu sua melhor chance de ser 'cool' de novo

Finanças Internacional
·5 minutos de leitura
Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Foto: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

A grande disputa pela rede social TikTok parece ter chegado ao fim com a vitória da Oracle, ou como disse a empresa, a "parceira de tecnologia escolhida" pelo aplicativo da empresa chinesa ByteDance. A Microsoft, que parecia ser a única concorrente séria a assumir a plataforma, saiu derrotada.

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A Oracle confirmou a proposta. A empresa e o TikTok esperam acalmar os temores do Presidente Trump e dos especialistas em segurança de que o aplicativo represente um risco à segurança nacional, mesmo sem o esclarecimento dos termos do negócio.

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O fracasso da Microsoft em conquistar ao menos uma parceria com o TikTok afeta a empresa de várias formas. Significa que a gigante da tecnologia não vai alcançar os milhões de adolescentes que usam essa rede social de compartilhamento de vídeos curtos, nem expandir seu reconhecimento de marca entre a geração Z, que até o momento vincula a empresa apenas ao pacote Office e ao Xbox.

A empresa também fica sem acesso aos dados gerados por esses adolescentes, que poderiam ajudar no desenvolvimento de produtos e serviços de publicidade.

O lado bom da derrota é não ter que lidar com as possíveis consequências se o negócio não prosperar em longo prazo. Além disso, a Microsoft pode evitar as investigações relacionadas ao fato de trabalhar com uma rede social voltada para o consumidor.

Reconhecimento de marca e dados valiosos

Inicialmente, a Microsoft tentou fazer um acordo para comprar o TikTok. No entanto, essa tentativa foi frustrada pela imposição de novas regulações pelo governo chinês, que restringe a exportação de algumas tecnologias de inteligência artificial, inclusive o algoritmo que apresenta os vídeos para os usuários do TikTok de acordo com seus interesses.

A Microsoft declarou que precisaria ter acesso ao algoritmo para garantir a segurança e a privacidade dos usuários norte-americanos e combater a disseminação de informações falsas.

Se a Microsoft tivesse comprado o TikTok, teria se tornado a empresa por trás da rede social que mais fez sucesso desde o Snapchat. O apelo do TikTok junto aos adolescentes permite descobrir o que motiva e atrai esses jovens usuários. Colocar o nome da Microsoft na frente do TikTok também garantiria que esses usuários vissem a empresa de 45 anos praticamente como um sinônimo dessa rede social.

Os adolescentes não precisam mais usar PCs com Windows como no passado, e se usarem, certamente não passam mais tanto tempo no computador como antes.

Eles não precisam usar o Internet Explorer ou o novo navegador Edge, porque, assim como 66% dos usuários, usam o Chrome, do Google. Eles não precisam usar o Office, porque, junto com 57% dos consumidores, preferem o Google Docs. Eles não precisam usar o Bing porque, enfim, eles têm o Google. Eles até podem usar PCs com Windows, mas as escolas estão aderindo cada vez mais ao Chromebook, do Google.

Além do mais, eles provavelmente passam a maior parte do tempo em iPhones ou em celulares Android. A Microsoft perdeu a oportunidade de se firmar no mercado de smartphones quando o sistema operacional Windows Phone não conseguiu ganhar força e foi desativado em 2019.

Na verdade, o único produto da Microsoft que os adolescentes usam com frequência é o Xbox, que mesmo assim não tem uma participação majoritária no mercado de jogos, ficando atrás do PlayStation da Sony.

No entanto, a Microsoft não perdeu apenas o reconhecimento de marca. A empresa poderia ter conseguido uma quantidade enorme de dados produzidos pelos usuários do TikTok e, com esse tipo de informação, poderia ter fortalecido sua frente de negócios de publicidade. Com acesso a esses dados, a Microsoft teria condições de concorrer com o Google e o Facebook no setor de publicidade online.

Evitar o escrutínio de uma rede social

A Microsoft evitou as investigações que empresas como Google e Facebook sofreram nos EUA e na Europa exatamente porque não está envolvida na coleta de dados de usuários como esses serviços estão. Na verdade, o presidente da Microsoft, Brad Smith, critica as empresas de tecnologia e os dados que elas acumulam.

A maior parte da receita da Microsoft vem de serviços corporativos, do Windows, das soluções de produtividade e do Xbox. Mas se a empresa entrasse no universo das redes sociais, estaria sujeita ao mesmo nível de críticas que outras gigantes da tecnologia.

A Microsoft também não vai precisar lidar com as surpresas que o TikTok poderia trazer. Afinal, a rede social não faz sucesso só entre adolescentes, mas também é usada por políticos como uma arena estratégica.

Com a perda do negócio com o TikTok, que na verdade seria uma parceria e não uma aquisição completa, a Microsoft evita os problemas que poderiam ser causados por uma "parceria de tecnologia", é um ganho que vem junto com a perda. Pode ser que a Microsoft não seja a empresa que a geração Z vai associar com a rede social mais agitada do momento, mas a empresa, com valor de mercado acima de US$ 1 trilhão, vai continuar prosperando por conta própria.

Daniel Howley

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