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Como a educação pública municipal do Brasil foi devastada pelo coronavírus

Anita Efraim
·3 minutos de leitura
Classroom desks lined up ready to start classes at a school in Brazil.
Sem aulas presenciais, alunos encararam dificuldades como falta de internet e estrutura para terem educação remota (Foto: Getty Images)

Entre os gestores municipais, 39% acreditam que a educação foi a área mais impactada pela pandemia do novo coronavírus. O índice chega a 54% nas regiões Norte e Centro-Oeste. Sem aulas presenciais durante meses e com a restrição de acesso à internet por grande parte dos alunos, os municípios estão preocupados com a retomada da educação nas cidades.

O levantamento é do Programa Cidades Sustentáveis em parceria com o Ibope Inteligência. Foram ouvidos prefeitos e prefeitura ou porta-vozes de 302 municípios brasileiros, entre os dias 27 de julho e 14 de setembro, por meio de entrevistas telefônicas ou online. A margem de erro é de seis pontos percentuais.

Jorge Abrahão, coordenador-geral do Programa Cidades Sustentáveis, acredita que a educação é área mais afetada pela pandemia porque, atualmente, 80% da educação é pública no Brasil. “Somos um país entre os dez mais desiguais do mundo, e isso acaba batendo efetivamente na questão da educação”, pondera.

“Nós não conseguimos fazer uma educação remota de qualidade porque os alunos não têm condições efetivamente nas suas vidas e atender as demandas. Não tem computador, não em banda larga, não tem condições mínimas, nem mesmo espaço para conseguir se concentrar, porque vivem em habitações precárias”, descreve Abrahão.

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Apesar da grande preocupação, a esperança de Abrahão está na grande preocupação expressada pelos gestores. “Há uma consciência cada vez mais no investimento da redução das desigualdades”, acredita.

Sobre a volta às aulas, Jorge Abrahão pontua que, atualmente, o mais importante é manter a atenção para a questão da saúde e, quando houver condições, retomar as aulas presenciais da maneira mais segura possível.

Jorge Abrahão acredita que a mudança na educação deve ser estruturante. “O desafio da educação é um dos maiores que temos no Brasil. Sabemos que essa educação tem o desafio de melhorar em qualidade. O grande desafio da educação do Brasil não é mais a universalização, isso já foi feito e foi uma grande conquista. A questão agora é como a gente melhora a qualidade, o Brasil sempre está nos piores lugares dos rankings dos alunos, como compreensão de texto, problemas matemáticos”, opina. O principal caminho, para ele, seria capacitar mais e melhor os professores.

COMO MUDAR

Pensando na eleição municipal e nas mudanças que deverão ser feitas em 2021, o Todos Pela Educação lançou o documento Educação Já nos Municípios com diretrizes para que as cidades consigam melhorar a educação que oferecem.

O texto apresente duas frentes: enfrentamentos efeitos imediatos, decorrentes da pandemia, e o fortalecimento de um sistema educacional de qualidade.

Ivan Gontijo, coordenador de projetos do Todos pela Educação, coloca esse momento como o mais desafiador da história da educação básica brasileira. “Temos as escolas fechadas por quase 200 dias, um recordo quando comparamos com outros países do mundo. Na Europa, por exemplo, as escolas ficaram fechadas por 90 dias”, lembra.

Os três pontos mais importante, para Gontijo, são: queda na aprendizagem, aumento na desigualdade e o risco de evasão. O documento, explica, visa mitigar os efeitos da pandemia na educação.

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Algumas das sugestões dadas pelo Todos Pela Educação são aumentar a carga de aulas presenciais e, ao mesmo tempo, manter o ensino remoto. “Alguns professores, que são de grupo de risco, não vão poder ir para as escolas, então teriam que contratar outros professores. Tudo isso eleva o preço do ensino educacional, mas a gente vive uma crise financeira também. Os gestores terão um grande desafio de fazer mais com menos.”

“Mas um ponto muito importante é que as gestões municipais não podem achar que o desafio da pandemia será o único que enfrentarão durante o mandato. Assim como eles não podem usar a pandemia como desculpa para justificar maus resultados”, pondera Ivan Gontijo.