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5 motivos para não sentir saudades de 13 Reasons Why, da Netflix

Série 13 Reasons Why, da Netflix (reprodução)

13 Reasons Why chega à quarta e última temporada nesta sexta-feira (5). Alvo de críticas desde a sua estreia, a produção original da Netflix tenta se redimir nos últimos episódios de diversos erros cometidos ao lidar com temas sérios, como suicídio, estupro e bullying nas escolas dos Estados Unidos.

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Capengando na narrativa nas últimas temporadas, o enredo da série parece muito prejudicado para conseguir reparar todos os problemas vistos em outras temporadas. Abaixo, damos cinco razões que sustentam a nossa posição: não sentiremos saudades da obra adaptada do livro de Jay Asher.

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Romantização do suicídio

Um estudo produzido por universidades e hospitais dos EUA e pelo Instituto Nacional de Saúde Mental foi categórico ao dizer que a série está associada ao aumento de 28,9% nos índices de suicídio entre crianças e adolescentes nos Estados Unidos em abril de 2017. O mês em questão foi o seguinte à estreia de 13 Reasons Why na Netflix. Especialistas em saúde mental criticaram principalmente uma cena: a do suicídio de Hannah, a protagonista da trama. Segundo eles, ao mostrar, com detalhes, como ela tira a própria vida, a série desrespeitou a “Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio” e tantas outras organizações de prevenção do suicídio, que pregam que os casos aumentam quando detalhes de um caso se tornam explícitos ao público - algo sustentado também pela psicanálise com um termo chamado Efeito Werther. Dois anos após a sua exibição inicial, a Netflix excluiu a cena da série.

Exploração rasa do bullying

O grande problema de lidar com um tema sério com superficialidade em obras artísticas é que ele abre margem para muitas interpretações perigosas. Ao mostrar uma vítima de bullying ser ouvida sobre o problema apenas após o suicídio, a série abriu margem para que muitas pessoas entendessem que a morte é a única solução para o problema - e que é possível culpar pessoas pelo suicídio de alguém. Na terceira temporada, 13 Reasons Why até tentou corrigir o erro ao transformar Bryce, autor de violência sexual contra Hannah, em vítima de um estranho assassinato. O estranho mistério em torno da morte do rapaz, no entanto, em vez de lidar com a complexidade do problema da violência nas relações escolares, acabou sendo muito mal conduzido, piorando ainda mais a mensagem da história.

Estupro como elemento narrativo

Bryce, aliás, deve ter sido o personagem mais mal trabalhado da série. 13 Reasons Why mostra o estupro de Jessica e Hannah pelo personagem e, em vez de refletir sobre a cultura do estupro, prefere trabalhar como se fosse um problema de comportamento, quase de personalidade, dele. Mas o programa errou mesmo a mão ao exibir a cena explícita de estupro contra Tyler Down no fim da segunda temporada. Mostrar que um homem também pode ser vítima da cultura do estupro seria um acerto - se os roteiristas não tivessem usado o gancho para fazer suspense para uma tentativa de massacre escolar na terceira temporada. Violência sexual não pode ser usada como elemento narrativo. Com tantos casos de tiroteio em massa nos colégios dos EUA, a escolha dos roteiristas se torna ainda mais condenável.

Descaso com a saúde mental

A série demorou muito tempo para inserir um psicólogo na trama - o terapeuta Robert Ellman cuidará da ansiedade de Clay na última temporada. Mesmo trabalhando com o tema do suicídio na adolescência, 13 Reasons Why sequer tocava no assunto de saúde mental na primeira temporada. Personagens evitavam falar sobre sentimentos e não havia qualquer exemplo positivo de tratamento psicológico. Esperamos que ao menos nos últimos episódios a série consiga mostrar, com atraso, que há saída clínica para o enfrentamento de traumas e opressões.

Confusão de roteiro

Em quatro temporadas, 13 Reasons Why apostou em grandes reviravoltas, fazendo com que "vilões" da primeira temporada aos poucos ganhassem mais contornos e se tornassem personagens mais complexos. Infelizmente, isso acabou gerando uma trama cada vez mais dispersa e confusa - um caso clássico de séries que se desprendem de livros. A obra escrita por Jay Asher só serviu de base para a primeira temporada do programa.

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