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Como é feita a manutenção dos cabos submarinos?

Os cabos submarinos são fundamentais para a comunicação entre continentes, principalmente nas conexões de Internet. Entretanto, estes componentes não são imunes a quebras ou outros tipos de falhas, e por isso existem métodos específicos para deixar a manutenção em dia.

Cabos submarinos são "puxados" do fundo do oceano (Imagem: YouTube/SubComChannel)
Cabos submarinos são "puxados" do fundo do oceano (Imagem: YouTube/SubComChannel)

Esse tipo de estrutura costuma ficar sob responsabilidade de companhias telefônicas, ou quaisquer outras empresas que possam ter interesse em melhorar a transmissão de dados pelo planeta. O Google, por exemplo, mantém 19 cabos em diferentes seções do oceano, e continua instalando mais frequentemente.

Porém, os reparos são feitos por empresas especializadas no assunto, que possuem uma série de máquinas e ferramentas necessárias para que o processo aconteça de forma segura, com o máximo de eficiência. Como é possível imaginar, estas operações costumam ser bastante caras, e por isso só são realizadas quando há muita necessidade.

A forma de reparo dos cabos pode variar de acordo com o tipo e extensão dos danos inspecionados, e também pela profundidade e tipo de relevo no fundo do mar. De forma genérica, a manutenção ocorre por meio dos seguintes passos:

  1. Um navio com os equipamentos necessários se aproxima do local do dano, e localiza o cabo;

  2. Um arpéu de corte é lançado ao fundo do mar, e divide o cabo em uma região próxima do dano;

  3. Um arpéu de recolhimento é lançado também, para “puxar” a ponta até a superfície — este é o lado sem danos do cabo;

  4. O cabo é ligado a uma boia, que costuma ter uma cor chamativa para indicação clara de onde ele está;

  5. O passo 3 é repetido no outro lado do cabo, o que tem danos;

  6. Dessa vez, ele vai direto para as salas de manutenção dos cabos;

  7. Neste momento os reparos serão feitos, dependendo do que está afetando o funcionamento da conexão;

  8. Quando os trabalhos forem finalizados, equipamentos de remontagem são utilizados para juntar as partes físicas que foram separadas no processo;

  9. Na sequência, o navio volta para a boia colocada anteriormente;

  10. As duas pontas de cabo, que foram separadas no início, são novamente conectadas;

  11. O cabo é lançado novamente ao fundo do mar.

Todas as etapas são representadas de forma clara no vídeo abaixo, publicado pela empresa americana SubCom:

Quais problemas podem afetar um cabo submarino?

Já foi dito anteriormente que cabos submarinos eram muito afetados pela ação de tubarões, pois eles supostamente seriam atraídos para estes componentes. Na verdade, esta situação não causa uma quantidade proporcionalmente relevante de reparos.

De acordo com pesquisas realizadas em 2020, um terço dos casos de cabos danificados são causados pela ação de pescadores. Suas redes ficam enroscadas nos cabos, em uma situação que é ainda mais comum em regiões específicas, como a Ásia.

Além disso, a ação de âncoras de navios também representa uma proporção relevante de danos em cabos submarinos, com cerca de 25% do total. Em geral, grande parte dos casos acontece em áreas fora das designadas para o uso de âncoras.

Eventos naturais também podem causar problemas semelhantes: cerca de 14% dos casos estão relacionados a terremotos e erosões.

Com qual frequência isso acontece?

Cabos submarinos têm vida útil de 25 anos, em média (Imagem: Reprodução/Sintef)
Cabos submarinos têm vida útil de 25 anos, em média (Imagem: Reprodução/Sintef)

A maioria das empresas responsáveis por cabos submarinos somente faz manutenções do tipo quando é necessário, ou seja, quando algum problema grave é detectado.

O motivo para isso é bastante simples: o custo envolvido nas operações faz com que elas precisem ser certeiras. Em alguns casos, ações preventivas também podem exigir processos semelhantes de “resgates” de cabos, para que acidentes possam ser evitados.

Estima-se que aproximadamente 100 falhas acontecem em cabos submarinos por ano, ou seja, uma a cada quase quatro dias. Na maioria dos casos, estas falhas não costumam causar grandes interrupções nos serviços, já que outros cabos em uma mesma malha podem manter as atividades ativas, mesmo que com algumas limitações.

De acordo com as informações mais atualizadas do portal TeleGeography, mais de 530 conexões estão ativas neste momento, cobrindo cerca de 1,3 milhão de quilômetros.

Além disso, a vida útil de um cabo submarino é próxima a 25 anos, e por isso a troca de sistemas completos por novas tecnologias não é muito frequente. Porém, este número representa uma média, e por isso alguns cabos podem ser renovados em períodos mais curtos.

O que acontece com os cabos inutilizados?

Depois que seu tempo de utilização comum acaba, os cabos submarinos podem ser simplesmente abandonados no fundo do oceano. Entretanto, é cada vez mais comum que as empresas responsáveis recuperem os cabos e os tragam de volta à superfície, para reaproveitamento dos materiais brutos.

Também é possível que cabos sejam reorientados para outros lugares. Se um sistema demanda uma capacidade maior que a suportada pela conexão, ela pode ser aproveitada em outros locais cuja transferência de dados seja menos abundante.

Mas afinal, o que são cabos submarinos?

Site mostra mapa completo dos cabos, com recursos interativos (Imagem: Captura de tela/Submarine Cable Map)
Site mostra mapa completo dos cabos, com recursos interativos (Imagem: Captura de tela/Submarine Cable Map)

As conexões de Internet do planeta todo dependem dos cabos, que ligam todos os continentes para transmissão de dados digitais. No Brasil, os extremos dos cabos ficam em cidades como o Rio de Janeiro, Santos, Praia Grande, Fortaleza, entre outras.

Grande parte dos sistemas presentes na América Latina está ligada à América do Norte, especialmente aos Estados Unidos. Porém, também existem cabos passando pela África e Europa.

Atualmente, o cabo submarino mais longo do planeta é o 2Africa, com mais de 45 mil quilômetros de extensão. Ele é gerido pela Meta (empresa dona do Facebook), e, como o nome indica, envolve todo o continente africano, além de também ter conexões na Europa e Oriente Médio.

Um mapa completo com o atual sistema de cabos em funcionamento pode ser acessado pelo site Submarine Cable Map, de forma interativa e intuitiva.

Estes cabos trazem tecnologia de fibra óptica, e sua história data de bem antes do advento da Internet. Em 1850, a primeira conexão foi feita entre o Reino Unido e a França, ainda com baixo nível de sucesso.

Aos interessados no tema, o Canaltech tem uma página completa com mais detalhes de funcionamento dos cabos submarinos.

Fonte: Canaltech

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