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Comissão adia votação da PEC dos precatórios, que deve ser analisada na próxima semana

·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  02-09-2021, 12h00: O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado dos ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Ciro Nogueira (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia), durante cerimônia de Lançamento de Autorizações Ferroviárias, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 02-09-2021, 12h00: O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado dos ministros Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Ciro Nogueira (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia), durante cerimônia de Lançamento de Autorizações Ferroviárias, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A comissão especial da Câmara que trata da proposta de mudanças nos gastos com precatórios --dívidas do governo reconhecidas pela Justiça-- adiou a votação do relatório apresentado nesta quinta-feira (7) pelo deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

A análise do texto agora está prevista para a próxima semana, provavelmente na quarta-feira (13).

Relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos precatórios, Motta alterou a versão que havia sido enviada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e incluiu no projeto o acordo que foi costurado pela cúpula do Congresso e do Judiciário com membros do governo.

O objetivo é criar em 2022 um limite de aproximadamente R$ 40 bilhões para o pagamento de precatórios dentro do teto de gastos -que impede o crescimento real das despesas.

O restante programado para o ano (pouco mais de R$ 49 bilhões) poderá ser pago por meio de brechas fora do teto de gastos.

A equipe do Ministério da Economia argumenta que não esperava que os precatórios em 2022 subiriam para R$ 89,1 bilhões --uma forte alta em relação aos R$ 54 bilhões previstos no Orçamento de 2021.

O governo então enviou a PEC, que na versão original previa o parcelamento do pagamento de parte dessas despesas. Isso abriria espaço de R$ 33,5 bilhões no Orçamento do próximo ano, quando Bolsonaro quer ampliar os gastos na área de assistência social --de olho na campanha à reeleição.

Apesar de o Congresso apoiar a ampliação e reformulação do Bolsa Família, houve críticas de especialistas e congressistas em relação à proposta gestada pelo time do ministro Paulo Guedes (Economia).

Por isso, aliados de Bolsonaro buscaram costurar a proposta com os demais Poderes, que tira parte desses gastos com precatórios do teto de gastos.

Na prática, a nova proposta cria um limite para despesas com sentenças judiciais dentro do teto.

O cálculo do limite em discussão usa como base o montante pago em precatórios em 2016 (ano de criação do teto de gastos federais) e o corrige pela inflação. O valor resultante (R$ 39,9 bilhões em 2022) seria o máximo a ser pago pela União em precatórios dentro do teto.

O que ficar fora da limitação pode ser pago de outras formas, como o que vem sendo chamado de encontro de contas (a União poderia quitar o passivo com algum credor com as dívidas que tem a receber dele).

A proposta acatada por Motta, portanto, abre mais espaço (cerca de R$ 49 bilhões) no Orçamento de 2022 do que a versão original desenhada por Guedes.

Motta disse que a PEC busca resolver uma dificuldade estrutural, e não apenas do atual governo, diante do forte aumento das despesas com precatórios nos últimos anos. "É um problema orçamentário. É um problema que o nosso país teria que discutir por tudo que aconteceu nos últimos anos".

O relator incluiu no texto uma autorização excepcional para parcelar dívidas de contribuições previdenciárias de municípios, incluindo autarquias e fundações, com o Regime Geral da Previdência Social e que tenham vencimento até 30 de setembro de 2021. De acordo com o texto, será possível parcelar no prazo máximo de 240 prestações mensais.

A inclusão ocorreu após articulação do deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) e do presidente da CNM (Confederação Nacional de Municípios), Paulo Ziulkoski.

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