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Cometa 67P, alvo da missão Rosetta, está emitindo uma aurora ultravioleta

Danielle Cassita
·3 minutos de leitura

As auroras são fenômenos que ocorrem devido à interação de partículas ionizadas com a atmosfera de um mundo, resultando naquele show luminoso no ceu — e as auroras não são exclusividade da Terra, pois já sabemos que elas ocorrem em outros planetas do Sistema Solar. Agora, mais um objeto entrou para a lista daqueles com auroras: a missão Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA), revelou emissões ultravioleta de aurora no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko — ou apenas 67P/C-G —, alvo da missão.

É que uma nova análise dos dados coletados pela Rosetta mostrou que o espaço à volta do cometa 67P emite uma radiação brilhante de aurora. Para Jim Burch, físico do instituto Southwest Research Institute, encontrar uma aurora ali é surpreendente e fascinante, porque o cometa não possui campo magnético. Entretanto, o cometa possui o coma, um envelope de gás envolvendo seu núcleo. É nessa área que a observação da aurora ocorreu.

Marina Galand, principal autora do estudo e membro do Imperial College London, explica que a equipe utilizou um modelo baseado em física para conectar as medidas feitas pela Rosetta. “Nós desenhamos juntos uma grande base de dados multi-instrumental para entendermos melhor o que acontecia ali”. Não é a primeira vez que essas emissões ultravioleta apareceram na missão e, inicialmente, os pesquisadores pensavam que se tratava do "brilho diurno", um fenômeno causado pela interação das partículas de luz solar com os gases do cometa. Entretanto, o novo estudo mostra que essas emissões são aurorais, ou seja, são causadas pelos elétrons no vento solar que foram acelerados no ambiente próximo ao cometa. Esses elétrons separam as moléculas no coma e se aceleram, emitindo luz.

Depois, a equipe simulou um cometa com pouco gás e descobriu que as linhas do campo magnético interplanetário em volta do cometa são suficientes para criar um caminho que acelera as interações dos elétrons do vento solar. Como o cometa não tem campo magnético, a aurora acaba sendo difusa — ao contrário das auroras geradas pela excitação do vento solar na Terra e Marte. A combinação dos processos de aceleração e excitação das partículas que geram a aurora do cometa a tornam única no Sistema Solar — pelo menos até o momento.

A descoberta da emissão no 67P vai ajudar os cientistas a entenderem as mudanças que as partículas do vento solar podem sofrer ao longo do tempo, algo essencial para o entendimento do clima espacial no Sistema Solar. Além disso, também é uma confirmação de que auroras ultravioletas podem ocorrer em cometas, e traz novas ideias sobre como as auroras são geradas no Sistema Solar.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Astronomy.

Fonte: Canaltech

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