Mercado fechará em 3 h 15 min
  • BOVESPA

    108.431,68
    +55,33 (+0,05%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    45.384,01
    +377,90 (+0,84%)
     
  • PETROLEO CRU

    81,43
    +2,93 (+3,73%)
     
  • OURO

    1.665,20
    +29,00 (+1,77%)
     
  • BTC-USD

    19.547,60
    +204,72 (+1,06%)
     
  • CMC Crypto 200

    445,63
    +16,85 (+3,93%)
     
  • S&P500

    3.705,25
    +57,96 (+1,59%)
     
  • DOW JONES

    29.614,23
    +479,24 (+1,64%)
     
  • FTSE

    7.005,39
    +20,80 (+0,30%)
     
  • HANG SENG

    17.250,88
    -609,43 (-3,41%)
     
  • NIKKEI

    26.173,98
    -397,89 (-1,50%)
     
  • NASDAQ

    11.469,50
    +135,75 (+1,20%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    5,1888
    +0,0289 (+0,56%)
     

Coronavírus: Comércios locais buscam alternativas para sobreviver ao isolamento

·5 min de leitura
Assistência técnica na Santa Efigênia se reinventa com atendimento em residência para passar por crise (Foto: DIvulgação)
Assistência técnica na Santa Efigênia se reinventa com atendimento em residência para passar por crise (Foto: DIvulgação)

Por Matheus Mans

Há 10 anos trabalhando na região da Rua Santa Ifigênia, em São Paulo, o comerciante Anderson Teodoro estava acostumado a atender apenas presencialmente. Dono de uma assistência técnica para celulares, ele reparava cerca de 300 aparelhos ao mês. Agora, com a ordem de isolamento social no estado, Teodoro teve que baixar as portas da Tec Sênior.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Finanças no Google News

Para manter o negócio, o empresário se reinventou: decidiu ir até os clientes, arrumando o aparelho na porta de casa. Afinal, mesmo com isolamento, celulares continuam quebrando. “Reforçamos o padrão de higienização da equipe e das peças. Precisamos estar conectados, principalmente nesse momento”, afirma.

Leia também

Ao longo dos últimos dias, quando a maioria dos estados brasileiros decretou o fechamento de serviços não essenciais, comércios locais, mais voltado aos bairros em que operam, se viram sem renda de uma hora pra outra. Precisaram se reinventar para pagar aluguel, funcionários e outras contas.

“O comerciante, nesse momento, tem que olhar para o caixa da sua empresa e fazer contas profundas. Até quando posso me manter assim? A partir do momento que a água bater no umbigo, quais medidas devo tomar?”, sinaliza Mauro Souza, professor de economia na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Entre casa e comércio

Antes de tudo, especialistas chamam a atenção que negócios locais devem seguir o caminho de Anderson, da Tec Sênior, e ir até de encontro aos clientes. Atendimentos via WhatsApp e serviços de entrega devem ser priorizados pelos comerciantes. Mesmo aqueles que não estavam acostumados a ter uma presença digital ou em redes sociais.

Segundo levantamento da NZN Intelligence, 71% dos brasileiros afirmam que pretendem aumentar o volume de compras online durante o período de combate ao coronavírus.

“Caso você não trabalhe com delivery em seu estabelecimento, essa é a hora”, alerta Rodrigo Belém, fundador e diretor de marketing da BomCupom, rede de microfranquia que conecta consumidores e estabelecimentos locais. “Nós precisamos ‘aproveitar’ que o vírus ainda não está alastrado no mesmo nível de outros países para elaborar algumas táticas”.

Uma startup que está de olho e se transformando nessa entrada repentina de novas empresas no setor de entregas é a Picap. Anteriormente voltada apenas para transporte de passageiros em motos, a empresa agora está realizando entregas de produtos vendidos em negócios locais. A ideia é conectar mais rapidamente os comerciantes com seus vizinhos.

Picap mudou modelo de negócios para atender pequenos negócios (Foto: Divulgação)
Picap mudou modelo de negócios para atender pequenos negócios (Foto: Divulgação)

“Estamos operando sem cobrar do comerciante local ou do motociclista”, explica o CEO da Picap, Diogo Travasso, que fatura apenas com a taxa de entrega. “O momento de crise teve um impacto muito forte em todas as esferas. Queremos tornar mais fácil o distanciamento social para que esse cenário não se agrave, mantendo a clientela ativa”.

Especialistas apontam que comerciantes precisam se conectar com seus clientes. Com menos pessoas circulando nas ruas, não adianta apenas colocar um papel na porta do comércio avisando que está fazendo entregas. É preciso criar perfis em redes sociais, encontrar clientes mais ativos e mostrar que ainda está operando, mesmo que à distância.

“Comunicar como o seu estabelecimento está agindo mediante a crise e como os seus funcionários estão fazendo para evitar ao máximo o contágio com o vírus passa bastante credibilidade”, afirma Belém, da BomCupom. “Esse comunicado pode vir com imagens que mostrem a higienização do local para gerar empatia e mostrar a atenção da empresa”.

Transformação

Para especialistas consultados pela reportagem, porém, há dois consensos. O primeiro é que, mesmo com essas medidas, o varejo vai sofrer um duro golpe. Na semana entre os dias 16 e 22 de março, o comércio teve uma retração nas vendas de 25,2% em comparação com a semana anterior. Na comparação o mesmo período de 2019, a queda foi de 9,5%.

Com isso, as demissões devem crescer. Entidades do setor estimam que 5 milhões de trabalhadores estarão desempregados no país até o fim de abril. A rede de cinemas Cinemark, por exemplo, abriu plano de demissão voluntário. A rede de vestuário TNG, com 170 lojas e mais de 1,6 mil trabalhadores, anunciou que vai reduzir seu quadro em 40%.

Para comércios locais, a conta é mais simples. Se uma loja de bairro fatura R$ 50 mil ao mês, cerca de R$ 35 mil desse valor vai direto para impostos, folha salarial, aluguel e contas básicas. Ou seja: sem poder abrir as portas, o comerciante já começa com R$ 35 mil no prejuízo. Conforme os meses passam, essa conta vai aumentando e a falência é iminente.

“Quando voltarmos às ruas, no final dessa crise, receio que não vamos reconhecer o quarteirão de casa”, afirma Souza, da UFPR. “Se essa crise durar como estamos prevendo, até maio ou junho, a maioria dos pequenos negócios não vai aguentar pagar impostos, funcionários, aluguel... Teremos muitas portas fechadas em bairros, shoppings”.

Alexandre Guerra, especialista em franchising e sócio fundador da Nação Empreendedora, concorda que o momento será duro para o varejo e para comércios locais. Para ele, o governo precisa atuar diretamente na crise para parcelamento de dívidas, abatimento de impostos e capital de giro facilitado. Mas, acima de tudo, o perfil do comércio irá mudar.

“O digital vai substituir o físico por uma necessidade nesse momento e, depois de passarmos por essa crise, muita coisa que foi substituída não vai voltar atrás”, completa.

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.