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Combustível produzido com metano em Marte pode ser a chave para viagens de volta

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

As futuras viagens para Marte não estão mais tão distantes da realidade, tanto que Elon Musk, CEO da SpaceX, espera povoar o planeta com 1 milhão de pessoas. Entretanto, ainda há vários desafios a serem superados até, de fato, humanos irem para o Planeta Vermelho — e um deles é: afinal, como um foguete conseguiria combustível o suficiente para voltar para casa? Para Houlin Xin, professor assistente de física e astronomia, o metano pode ser a solução para isso.

Junto de sua equipe, Xin descobriu uma forma extremamente eficiente de produzir combustível no planeta com base no metano, o que possibilitaria fazer a viagem de volta para a Terra. Para isso, seria necessário um catalisador de zinco, que poderia sintetizar o processo de duas etapas da produção de combustível para uma reação de uma só fase, com um dispositivo mais compacto e portátil. Segundo Xin, o zinco é um excelente catalisador: “ele tem seletividade e portabilidade, um grande diferencial para viagens espaciais”, explica.

Talvez os futuros astronautas possam usar os recursos presentes em Marte para produzir combustível baseado em metano(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)
Talvez os futuros astronautas possam usar os recursos presentes em Marte para produzir combustível baseado em metano(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Na verdade, o processo de criar combustível baseado em metano por lá já foi proposto por Musk: para isso, seria usada uma infraestrutura solar para gerar eletricidade, que causaria a eletrólise do dióxido de carbono. Assim, ao misturá-lo com a água do gelo disponível em Marte, o metano seria formado. Hoje, a empresa está testando o motor Raptor em seus foguetes, que é alimentado por combustível à base de metano e, futuramente, poderá alimentar o foguete Starship para a Lua e Marte.

O processo utilizado pela SpaceX é chamado de Reação de Sabatier, e também é utilizado na Estação Espacial Internacional para a produção de oxigênio a partir da água — com o inconveniente de ser feito em duas etapas, que exigem grandes instalações para ocorrer com eficiência. Por outro lado, o método desenvolvido por Xin aplica o zinco dispersado para funcionar como uma enzima sintética, que irá catalisar o dióxido de carbono e iniciar o processo em uma só etapa.

Desta forma, seria necessário menos espaço, e o metano poderia ser produzido com eficiência a partir dos materiais e condições similares àquelas de Marte: “o processo que desenvolvemos supera o de água para hidrogênio, e converte com eficiência o gás carbônico em metano", explica ele. Atualmente, os foguetes desenvolvidos pela Boeing e outras empresas utilizam hidrogênio líquido como combustível que, embora seja barato e eficiente, acaba emitindo resíduos de carbono no motor do foguete, só que esses resíduos precisam ser limpos, algo que não seria possível em Marte.

Apesar de inovador, o processo desenvolvido por Xin ainda é teórico e está longe da implementação, porque a equipe ainda precisa testá-lo nas condições do mundo real: “muita engenharia e pesquisa ainda são necessárias antes da implementação completa”, diz ele. “Mesmo assim, os resultados são bem promissores”. Além disso, apesar de ser bastante interessante, o processo também teria que ser compatível com as tecnologias de propulsão futuras.

Fonte: Canaltech

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