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Combate às fake news: Google.org investe US$ 5 mi no projeto EducaMídia

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Combate às fake news: Google.org investe US$ 5 mi no projeto EducaMídia
Combate às fake news: Google.org investe US$ 5 mi no projeto EducaMídia

O Google.org, braço filantrópico do Google, anunciou nesta quarta-feira (9) um novo aporte no projeto EducaMídia, programa criado em 2019 em conjunto com o Instituto Palavra Aberta. O valor do investimento é de US$ 5 milhões, que será aplicado a iniciativas desenvolvidas até 2023, todas com foco em educação midiática.

O projeto EducaMídia nasceu com esse intuito de difundir a educação midiática no Brasil. Na prática, a iniciativa capacita professores que, por sua vez, entregam aos jovens as ferramentas necessárias para que desenvolvam habilidades de consumo e compartilhamento de informação online de forma segura e responsável.

O esforço, em última instância, impacta diretamente na dinâmica das fake news, combatendo a desinformação bastante difundida nos últimos anos, além de garantir a manutenção da liberdade de expressão.

Imagem mostra corpos jovens, todos utilizando smartphones
EducaMídia visa a educação midiática de jovens, auxiliando o combate às fake news.
Crédito: Shutterstock

“Sabemos que a internet aberta tem permitido às pessoas se conectarem e distribuirem informações como nunca antes”, afirmou Marco Túlio Pires, diretor do Google News Lab no Brasil, durante coletiva de imprensa que aconteceu na própria quarta-feira. “Isso a deixa também vulnerável na distribuição coordenada de informação falsa e enganosa”, completou.

Pires observou também que a forma como a internet funciona hoje vai de encontro à missão da empresa de “organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessivel e útil a todos”. É justamente por isso que a parceria com o Palavra Aberta, e o consequente incentivo ao EducaMídia, faz todo sentido para a estratégia da gigante.

“Nosso trabalho para endereçar não está limitado ao escopo dos nossos produtos e serviços, na verdade outras organizações têm papel fundamental no enfrentamento desse desafio e é por isso que acreditamos em uma abordagem multissetorial”, disse, comemorando a extensão da parceria com a Palavra Aberta.

Ampliando o escopo

A parceria entre Google e Palavra Aberta nasceu em junho de 2019, com o lançamento do EducaMídia. À época, o investimento da empresa de Mountain View na organização brasileira foi de US$ 4 milhões.

De lá para cá, o interesse só cresceu, e a atuação do projeto ganhou corpo em diferentes frentes. O curso de capacitação de professores promovido pelo Instituto, por exemplo, está encerrando agora em junho a sua segunda edição 100% online e irá formar 1,1 mil professores vindos de todos os estados brasileiros, de 453 cidades.

A edição anterior formou 700 docentes. “Realmente é um projeto que tem peso nacional, mas precisa ser um esforço de longo prazo”, observou a presidente do Instituto Palavra Aberta, Patricia Blanco, durante a coletiva.

No site educamidia.org.br, há também diversos materiais disponíveis gratuitamente, que visam auxiliar professores na elaboração de aulas. Um dos principais é o “Guia da Educação Midiática” que, de acordo com Patricia, já foi baixado mais de 5 mil vezes.

“Entendemos que a educação midiática ajuda na questão não só de implementar acesso à informação, mas também na qualidade da experiência e uso [da internet]. E isso é condição fundamental para transformar o simples acesso, que vai além do curtir ou enviar memes, à fluência digital”, completa.

Imagem mostra uma jovem segurando um smartphone; na tela do dispositivo é possível ver a frase 'fake news'
Quase sete em cada 10 jovens de 15 anos no Brasil não sabe discernir conteúdo falso do verdadeiro. Crédito: Shutterstock

Com o novo aporte, os próximos anos englobam a ampliação no escopo do trabalho para além dos chamados nativos digitais, que foram o público-alvo prioritário. “Queremos aumentar o público impactado, saindo do núcleo de educadores e alunos, e partindo para um público 60+, que é hoje um dos que, segundo estudos, mais compartilha desinformação, além de jovens eleitores e outros públicos de comunidades vulneráveis e espaços não formais de educação”, afirmou a presidente do Instituto.

Essa ampliação é especialmente importante, visto que o Brasil está passando por um período turbulento na política e, às vésperas das próximas eleições, iniciativas como essa são arma importante para o exercício da cidadania ética.

E fica ainda mais latente a intervenção se considerarmos que, não apenas porque o contexto moderno é cada vez mais propício às fake news, mas também porque estudos comprovam que o jovem, de fato, não consegue discernir o que é uma notícia de uma fonte confiável daquela que não deveria ser compartilhada, afirmou Patricia.

Como respaldo a essa afirmação, a executiva citou uma pesquisa realizada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a qual mostra que cerca de sete em cada 10 estudantes brasileiros com 15 anos (67%) não conseguem diferenciar fatos de opiniões ao ler conteúdo online.

O resultado do levantamento “Leitores do século 21: desenvolvendo habilidades de alfabetização em um mundo digital” coloca o Brasil em uma posição delicada quando comparado aos outros 79 países participantes do estudo: a média, que também já é preocupante, fica em 53%.

Fora isso, há a questão da terceira idade, que é o novo público-alvo: a probabilidade de disseminação de desinformação – especialmente sobre temas políticos -, chega a ser até sete vezes maior do que com outros grupos, segundo aponta estudo realizado por pesquisadores da Universidade Princeton e da Universidade de Nova York, ambas nos Estados Unidos, e divulgados na revista Science Advances em 2019.

A serviço do público

O EducaMídia atua em três principais eixos: Ler, Escrever e Participar. O primeiro deles tem a ver com letramento e análise crítica, onde jovens aprendem a realizar a leitura reflexiva e crítica de conteúdo proveniente de diferentes mídias.

Na segunda instância, o jovem aprende a autoexpressão e a fluência digital, ou seja, entende que ele mesmo também é um produtor de conteúdo e que pode escrever e se expressar utilizando as mais diferentes ferramentas disponíveis atualmente. Por fim, mas não menos importante, há a conscientização do papel do jovem no mundo digital, onde ele se entende como agente ativo na dinâmica da rede e que a interação dele com outras pessoas na internet deve ser ética, crítica e responsável.

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Além do Google, o Instituto Palavra Aberta também possui outras iniciativas em parceria com empresas como Facebook com quem, inclusive, o Instituto realizou uma websérie chamada “Conhecer para Defender“, por meio da qual explica-se os caminhos do desenvolvimento de uma pauta jornalística e apuração profissional.

O Palavra Aberta também abre diálogos com outros agentes privados e públicos, com o mesmo intuito de capilarizar esforços em prol da informação de qualidade. “Uma das principais parcerias que firmamos foi com a Secretaria do estado de São Paulo, que disponibilizou aulas via Centro de Mídia dentro da disciplina de tecnologia e inovação. Essa ação fez com que atingíssemos, no ano passado, cerca de 650 mil estudantes da rede estadual. Além disso, temos diversos convênios firmados com estados e municípios, com redes públicas e privadas de ensino”, contou Patricia.

No último ano, os desafios foram muitos, mas os aprendizados com o projeto cresceram na mesma proporção. “O que eu vejo que o EducaMídia faz, que é fundamental, é garantir uma inovação constante [à educação]. O Instituto consegue olhar com frescor e adaptar às novas regras que surgem, como o próprio BNCC [sigla para Base Nacional Comum Curricular], e catalizar processos para que cristalizem na ponta”, afirmou Alexandre V. Sayad, co-chairman internacional da Aliança Global de Educação Midiática da Unesco (MIL Alliance) e conselheiro do EducaMídia, comentando justamente sobre o papel de articulação que o instituto tem.

Para ele, esse é o papel crítico do movimento promovido pelo EducaMídia e que garante a inovação constante no currículo de aprendizado, algo essencial para o aprendizado moderno não perder a validade.

“Trabalhar com educação não é algo que conseguimos mudar do dia para a noite”, comenta a executiva, exemplificando que, a título de comparação, para implantar um novo currículo em qualquer escola brasileira demora de seis a sete anos para se concretizar. “Quando falamos do tempo da internet, que é imediatista, temos também de considerar o trabalho com esse lado de ações no longo prazo. E esse é um dos grandes beneficios de poder contar com esse novo aporte financeiro.”

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