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Combate à milícia acirra a disputa na eleição ao governo do Rio em 2022

·3 min de leitura

Prováveis adversários na eleição ao governo do Rio em 2022, o governador Cláudio Castro (PL) e o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) têm o combate às milícias como nova trincheira de disputa. Ontem, em evento na Cidade da Polícia, Castro anunciou dados de prisões de milicianos e provocou críticos da política de segurança de seu governo, como Freixo, que foi relator da CPI das Milícias quando deputado estadual e usa este trabalho como uma de suas credenciais na próxima corrida eleitoral.

Castro deve disputar a reeleição com apoio do presidente Jair Bolsonaro, que também se filiou ao PL, enquanto Freixo busca o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No discurso de ontem para integrantes da Polícia Civil, Castro anunciou, segundo dados do governo, a prisão de mil milicianos pela força-tarefa lançada em outubro do ano passado. Não houve detalhamento sobre as operações e regiões do estado onde foram efetuadas as prisões, tampouco se os alvos seguem presos.

Entre 2008 e 2017, segundo o governo do Rio, o maior número de prisões de milicianos num mesmo ano havia ocorrido em 2009, com 246. No ano anterior, Freixo havia apresentado o relatório da CPI das Milícias na Assembleia Legislativa (Alerj) pedindo o indiciamento de 225 pessoas, incluindo políticos e integrantes de forças de segurança. Em abril de 2018, a Polícia Civil anunciou a prisão de 159 pessoas, numa única operação, que seriam da milícia na Zona Oeste do Rio. Um ano depois, contudo, ninguém continuava preso e apenas 17 pessoas haviam sido denunciadas pelo Ministério Público

Castro procurou antagonizar o deputado no discurso de ontem e criticou, sem citar nomes, pessoas que apontam relações entre o governo e membros do crime organizado, acusação já levantada por Freixo nas redes sociais:

— Chamavam o nosso governo de governo miliciano. E a gente está dando a resposta aí: mais de mil presos.

Em outra provocação, o governador criticou pessoas que “reclamam da polícia, mas têm policial fazendo a segurança deles”. Freixo, alvo de ameaças após a CPI das Milícias, é acompanhado por escolta.

— Todo mundo que critica (a polícia), vou levar na próxima operação junto (...) Dar um fuzilzinho na mão dele. Para ver o que ele vai achar — disse o governador.

Em 2020, segundo o Anuário Brasileiro da Segurança Pública, o Rio registrou 1.245 mortes causadas pela polícia, o maior número absoluto e a quinta maior taxa de letalidade por 100 mil habitantes do país. Neste ano, em maio, após uma operação da Polícia Civil que deixou 25 mortos no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, Freixo usou suas redes sociais para classificar a política de segurança de Castro como “uma insanidade que precisa ser parada”. Ele também lamentou mortes de policiais e de moradores de favelas em operações.

Já neste mês, após uma incursão do Bope no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, ter terminado com nove corpos encontrados num mangue, Freixo evitou se manifestar nas redes. Ao colunista Leonardo Sakamoto, do UOL, o deputado voltou suas críticas à “máfia que governa o estado”.

Os promotores que atuam na Auditoria Militar estudam pedir ao Centro de Criminalística da Polícia Militar uma reconstituição da operação no Salgueiro. O Ministério Público do Rio também vai solicitar cópia dos autos de exames cadavéricos das vítimas e os registros de ocorrência da 72ª DP (São Gonçalo) e da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo para entenderem detalhes da dinâmica da ação policial na região, visando apurar eventual crime militar. O promotor Paulo Roberto Mello Cunha já ouviu nove policiais envolvidos.

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