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Com tudo contra e muita estrela, Palmeiras buscou cenário a favor e levou o tri da Libertadores para casa

·3 min de leitura



Estava escrito nas estrelas, ou não, como não estava escrito quando Breno Lopes marcou o gol do título da Libertadores de 2021, mas foi de Deyverson o tento que levou o Palmeiras ao tricampeonato, neste sábado, em Montevidéu. Contra tudo e contra todos, como o palmeirense gosta de dizer, o clube volta para casa com um dos títulos mais marcantes de sua gigantesca história.

O Verdão entrou em campo com o cenário desfavorável para a decisão, primeiro por ter sido o "azarão", já que não era o favorito nem para chegar nas semifinais, quanto mais numa final contra aquele que é considerado o melhor do Brasil e das Américas. A atmosfera no estádio era clara: imensa maioria de flamenguistas e uma parte menor de palmeirenses valentes na arquibancada.

Diante disso, a alternativa era arrumar suas próprias armas para encarar tudo isso, como já vinha acontecendo nas fases anteriores da competição. A diferença é que em uma decisão em jogo único era necessário ser preciso e certeiro na estratégia. Por mais que torcida pegue no pé, o Alviverde tem um estrategista no banco de reservas, daquele que estuda os mínimos detalhes.

Abel Ferreira soube exatamente como usar a intensidade do time contra um adversário que mostrou uma pegada bem abaixo do ideal, proporcionada pela sequência de lesões e de jogadores que foram para a partida sem estar 100% fisicamente. Além disso, os palmeirenses pareciam estar mais ligados e fizeram diversas antecipações, principalmente na primeira etapa do duelo.

No lance do gol do Palmeiras, deu para ver claramente a mão do treinador, que parece ter estudo o movimento da zaga do Flamengo, quando Gómez lança Mayke por trás da defesa e o lateral cruzou para Veiga entrar pelo meio da área para marcar. E foram assim diversas jogadas explorando o lado esquerdo do setor defensivo adversário, que só conseguia chegar no ataque por vacilos e desatenções palmeirenses, que mais tarde seriam protagonistas novamente.

O mais tarde, na verdade, não demorou muito, já que na volta do intervalo o Verdão deu muitos sinais de desatenção, que acabam sendo fatais quando se enfrenta uma equipe acima da média como é o Rubro-Negro, contra quem é preciso jogar intensamente o tempo inteiro, no linguajar do futebol "precisa matar a cobra" e o Palmeiras não matou. O preço acabou sendo pago.

Sem a mesma pegada da primeira etapa, o Alviverde acabou "sentando" na vantagem e viu o Flamengo dominar quase todas as ações do jogo, exceto por um chute colocado de Rony que Diego Alves defendeu. Assim, o adversário cresceu no duelo e trouxe a torcida consigo. Bastava uma desatenção e um vacilo, e eles aconteceram justamente com Gabigol, pela esquerda. A marcação não acompanhou e Weverton não conseguiu defender o chute em seu canto.

Para completar, Danilo, que era um dos melhores em campo, saiu machucado e deu lugar a Patrick de Paulo, que não jogou mal, mas não era Danilo. A falta de saída e de ímpeto limitaram uma reação palmeirense, levando a decisão para a prorrogação, já com as duas equipes visivelmente cansadas.

Com esse agravante e podendo fazer apenas uma substituição, Abel Ferreira teve que tirar Raphael Veiga, desgastado para a entrada de Deyverson para, talvez segurar um pouco mais a bola no ataque e segurar os zagueiros. Mas a verdade é que a estrela fala muito mais alto nessas horas. Foi o centroavante que acabou roubando uma bola no ataque partindo para o gol e tocando na saída de Diego Alves para marcar o segundo do Verdão em Montevidéu.

Dali em diante, tendo recuperado a autoestima no jogo, o Palmeiras passou a levar o cenário à sua maneira, controlando o jogo sem a bola e utilizando dos equívocos e fragilidades do adversário, que sentiu o baque do segundo gol, assim como sua torcida, que acabou ficando calada, enquanto a palmeirense, em muito menor número fazia a festa no Centenário ao levar o tri da Libertadores e ir para o patamar mais alto entre os clubes brasileiros.

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