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Com retaliação do Irã, Trump tem oportunidade de acalmar tensões

Karen Leigh, Iain Marlow e Michael Arnold

(Bloomberg) -- Os ataques com mísseis do Irã contra bases dos Estados Unidos no Iraque parecem ser cuidadosamente calibrados para apaziguar a crescente revolta em território iraniano, enquanto oferecem ao presidente Donald Trump a chance de evitar uma guerra que poderia devastar a região.

Tanto o Irã quanto Trump agora têm a porta aberta para diminuir as tensões após a retaliação da República Islâmica pelo assassinato do general Qassem Soleimani na semana passada. O ministro de Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, disse que o país havia concluído “medidas proporcionais” e que não está buscando uma guerra, enquanto Trump tuitou “Está tudo bem!”

Os ataques são “uma resposta muito calculada”, disse Faysal Itani, vice-diretor do Centro de Política Global de Washington, que viveu e trabalhou no Oriente Médio. “A resposta deve ser dramática o suficiente para não se sentir humilhado, mas limitada o suficiente para evitar um ciclo de escalada que poderia levar a uma ação militar esmagadora dos EUA. Isso é espetacular o suficiente para ‘contar’, mas não força os EUA a revidarem.”

Embora o presidente dos EUA tenha alertado repetidamente o Irã e citado a força militar dos EUA em um tuíte após o ataque com mísseis, ele também disse na semana passada que o assassinato de Soleimani tinha como objetivo “parar uma guerra”.

Os líderes do Irã enfrentaram enorme pressão doméstica para reagir com força depois que os EUA mataram um dos generais mais poderosos do país. As façanhas de Soleimani em conflitos regionais fizeram dele um herói nacional no Irã, e centenas de milhares de pessoas foram às ruas nesta semana para seu cortejo fúnebre.

Mesmo com a resposta calculada, é improvável que o Irã interrompa os esforços para expulsar as forças americanas da região. Um dia antes dos ataques com mísseis, o Irã prometeu infligir um “pesadelo histórico” aos EUA e disse que está avaliando 13 maneiras possíveis de retaliar. Após o ataque, a Guarda Revolucionária Islâmica - principal força de combate das forças armadas - chamou o início da operação de “Mártir Soleimani” e disse que mais respostas estavam a caminho.

Ainda assim, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, possui várias restrições ao considerar opções militares - o risco de uma guerra levar a uma destruição e a uma mudança de regime.

“Ainda acho que os iranianos estão mais propensos a tentar evitar um confronto militar direto com o Estados Unidos porque isso destruirá grande parte de sua capacidade defensiva ”, disse Jon Alterman, diretor do Programa para o Oriente Médio do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington. “Não vamos esquecer que os iranianos ainda estão usando armas que o xá comprou - eles não têm muito para gastar.”

Com isso, disse Alterman, é provável que o Irã tome medidas que afetem a liderança global dos EUA para atenuar o efeito das sanções econômicas, ao mesmo tempo em que tenta empurrar as forças americanas para fora do Iraque, que também fornece munição à Síria. Após o ataque com mísseis na quarta-feira, um ministro iraniano tuitou “Saia da nossa região!”, mostrando as bandeiras do Irã e do Iraque.

O Irã também deve pesar o impacto econômico. Os EUA permitiram que isenções de petróleo importantes para os que ainda compravam petróleo do Irã expirassem nos primeiros meses de 2019, como parte do objetivo de acabar com a principal fonte de receita cambial do país. A inflação em alta encareceu produtos básicos, como a carne, e uma decisão do governo de aumentar o preço da gasolina desencadeou protestos que, segundo os EUA, mataram mais de 1 mil pessoas.

Os líderes do Irã também veem uma chance de se beneficiar politicamente da crise, de acordo com Joseph Siracusa, professor da Universidade RMIT de Melbourne e coautor de “Going to War with Iraq: A Comparative History of Bush Presidences” (ir para a guerra com o Iraque: uma história comparada das presidências Bush).

“É uma teocracia que está envelhecendo, impondo novamente sua vontade sobre uma população mais jovem”, disse. “Uniu o povo iraniano, que não está unido sobre nada.”

--Com a colaboração de Ruth Pollard, Nick Wadhams e Jason Scott.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Karen Leigh Hong Kong, kleigh4@bloomberg.net;Iain Marlow em Nova Delhi, imarlow1@bloomberg.net;Michael Arnold Singapore, marnold48@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniel Ten Kate, dtenkate@bloomberg.net, Adam Majendie

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